Por Celso Zamoner
O quadro que se delineia no certame eleitoral em curso, nos impele a perpetrar uma ousadia ensaística, conjugando o conceito psicanalítico da pulsão de morte com a construção junguiana do inconsciente coletivo.
Com efeito, nada poderia enquadrar com maior precisão o cenário político-eleitoral, do que a expressão “pulsão de morte coletiva”.
Deveras, determinado candidato explicitamente preconiza e inspira em suas manifestações, comportamentos e tendências autodestrutivas sociais, desde a aberta simpatia pela difusão armamentista, menosprezo pelas boas práticas ambientais, discriminação de minorias, exacerbação de valores patriarcais, intolerância religiosa e até mesmo a importação de censuráveis agendas estadunidenses.
Pois bem, como explicar dentro de parâmetros racionais, que as próprias vítimas estão entronizando seus algozes no poder? Indubitavelmente, trata-se de um fenômeno psíquico com replicação fractal, em que a massa de eleitores é seduzida por um discurso de desagregação social, destruição de valores democráticos e civilizatórios e até mesmo a aniquilação corpórea.
Esclareça-se que não se debate neste circunscrito espaço, predileções partidárias ou ideológicas, tratando-se, isto sim, de um despretensioso recorte do período eleitoral, sob o foco eminentemente psíquico, lembrando que o ser humano, em realidade, é o ator ou o figurante dos fenômenos e eventos coletivos.
*Celso Zamoner é Psicanalista













