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Cláudio Osti

Londrina demite técnico no final de uma temporada cheia de erros de planejamento da própria SAF

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Londrina demite técnico no final de uma temporada cheia de erros de planejamento da própria SAF
Rogério Micale, técnico do Londrina

Por Cláudio Osti

O Londrina Esporte Clube anunciou hoje a demissão do técnico Rogério Micale e de sua comissão técnica. Sinceramente a decisão já era esperada. Para muitos torcedores, esperada há algumas semanas já.

Micale tem uma sólida carreira internacional, em especial no mundo árabe e foi campeão Olímpico comandando a Seleção Brasileira. A  primeira medalha de ouro conquistada nesta competição, a medalha que faltava na vasta prateleira de troféus da seleção canarinho.

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Mas o Londrina não é a Seleção, aliás, longe disso. E os donos da SAF que comprou o time não conseguiram contratar jogadores com qualidade minimamente razoável para aguentar a Série B. Apesar de tudo isso houve um começo promissor de Micali no comando do time ao assumir no lugar do técnico Alan All no início de maio.

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Naquele momento era preciso urgente melhorar o desempenho para deixar a zona de rebaixamento.

Com o passar das rodadas, o Londrina apresentou sinais de recuperação. A equipe chegou a engatar uma sequência de cinco partidas sem perder, com três vitórias e dois empates, e conseguiu deixar temporariamente a zona de rebaixamento.

O ponto alto daquele período foi a goleada por 5 a 1 sobre o CRB, no início de julho. O resultado consolidou a impressão de que o Tubarão poderia encontrar o caminho para uma campanha mais tranquila na Série B.

A equipe demonstrava maior capacidade ofensiva e tinha jogadores que viviam um bom momento individual. O cenário permitia projetar uma recuperação mais consistente na competição.

Aí começou o segundo desmonte do ano. Os atacantes Bruno Santos, até aquele momento artilheiro do Londrina no ano com 17 gols e artilheiro da série B e Iago Telles, artilheiro de 2025, foram vendidos: Bruno para o Mirassol e Telles para o futebol japonês, além do volante André Luiz que foi jogar no Viettel FC, do Vietnã. Lembrando que os três saíram no melhor momento do Londrina no ano quando a torcida começava a voltar a acreditar no time depois de um início de ano quase desastroso.

Foi preciso recomeçar. Mas para manter aquele momento de recuperação era preciso investir em jogadores com qualidade técnica. E não foi isso o que aconteceu.

Para Micale, o desafio passou a ser reconstruir uma equipe que começava a encontrar seu funcionamento.

A diretoria buscou reposições no mercado, mas a chegada de novos jogadores exige, pelo óbvio, tempo para adaptação e entrosamento. Em meio à disputa da Série B, o treinador precisou reorganizar o time sem dispor da mesma base que havia sustentado a reação inicial. E a maioria dos que chegaram, não correspondeu.

Em setembro, o próprio Micale classificou o processo como uma terceira remontagem do elenco.

A instabilidade dificultou a consolidação de um padrão de jogo e teve reflexos nos resultados.

O Londrina passou a acumular resultados negativos e voltou a se aproximar das últimas posições da tabela.

A equipe enfrentou um longo período sem vitórias, que ampliou a pressão sobre a comissão técnica e aumentou a preocupação com a permanência na Série B.

Em setembro, duas vitórias consecutivas, contra São Bernardo e Ponte Preta, devolveram alguma esperança ao torcedor. A goleada por 6 a 0 sobre a Ponte Preta foi um dos resultados mais expressivos da equipe na competição.

A reação, entretanto, não representou uma mudança definitiva de cenário. O Londrina continuou pressionado pela necessidade de pontuar e precisava transformar os resultados positivos em uma sequência mais longa para escapar das últimas colocações.

Sem “pé de obra” qualificada, a dificuldade em manter o desempenho voltou a pesar nesta reta final do campeonato e a queda para a Série C só não acontecerá se ocorrer um milagre. O rebaixamento, caso confirmado matematicamente, representará mais um revés esportivo para o clube, que precisará reorganizar o planejamento para a próxima temporada e buscar condições para voltar à segunda divisão nacional.

A SAF ainda não anunciou quem ficará no comando do time neste restinho de temporada. Na terça-feira (13) o time enfrenta o Athletic, em Minas Gerais. É possível que o Tubarão seja comandado, neste jogo, pelo técnico Hugo Chacon, que está à frente do Londrina B que disputa a Taça Paraná.

 

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