*Por José Antonio Periali
O presidente do PL paranaense, deputado federal Filipe Barros, recebeu na semana passada o título de “cidadão benemérito” de Londrina, cidade em que reside.
A iniciativa foi de uma colega de partido, notória por apresentar projetos esdrúxulos.
É frágil a justificativa para a honraria, já que Barros – que teve uma passagem tumultuada pela Câmara Municipal, onde iniciou sua carreira – se limita a direcionar recursos federais para Londrina, obrigação de todo parlamentar. Inquestionável é o compadrio e a motivação eleitoral da iniciativa. O título da Câmara foi uma alavanca midiática para o seu projeto de se eleger senador em outubro.
(Sergio Moro, seu correligionário e líder da disputa pelo governo do Paraná, estava esfuziante durante a cerimônia. Como mostra a foto, ambos estão escoltados por Deltan Dallagnol.)
Na manhã seguinte à entrega do título, a Polícia Federal deflagrou a operação de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira, expoente do bolsonarismo, acusado de receber pelo menos R$ 18 milhões em propina do trambiqueiro Daniel Vorcaro para beneficiar o defunto Banco Master. O batom na cueca foi o projeto de emenda constitucional, redigido pelo Master e apresentado ao Senado por Nogueira, em 2023, que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Se aprovado, o projeto expandiria ao infinito as falcatruas de Vorcaro.
Só que não foi. E então Barros entrou em cena, apresentando na Câmara dos Deputados proposta de teor e redação semelhantes. Em fevereiro deste ano, três meses após a liquidação do Master e eclosão do escândalo envolvendo Vorcaro e sua rede de colaboradores remunerados regiamente, o deputado retirou a proposta.
A operação contra Ciro Nogueira lançou Barros no epicentro do terremoto: a imprensa (essa coisa maldita!) não poupou a lembrança de sua iniciativa.
O deputado reagiu com uma nota oficial iracunda, alegando as melhores intenções em defesa dos “pequenos e médios investidores”, justificando a retirada do projeto para evitar “ilações que distorciam seu propósito” e desejando que “Daniel Vorcaro e sua gangue apodreçam na cadeia.”
A Polícia Federal não apontou até agora qualquer envolvimento de Barros com “Vorcaro e sua gangue”, o que faz dele, diante da prodigalidade do golpista com seus colaboradores, o Bom Samaritano do Congresso Nacional.
Se não há justa causa para o título de benemerência concedido pelos vereadores de Londrina, Barros merece – reconheçamos – uma estátua na rotatória, a poucos metros de seu escritório político, onde os bolsonaristas costumam se concentrar em suas manifestações “patrióticas”. E a comenda “Cidadão BeneMaster, o protetor dos investidores de boa vontade”!
Que os próximos capítulos deste escândalo não nos decepcionem… Ver menos
*José Antonio Pedriali é jornalista, escritor e articulista














