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Cláudio Osti

A Ausência do Espírito Público

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A Ausência do Espírito Público

Por Marcos Defreitas

Caminhar pelas ruas tranquilas da Vila Nova, em Londrina, no início dos anos 90, era cruzar com a viva expressão da dignidade republicana, e isso aconteceu comigo. Ali morava José Hosken de Novaes, nascido na cidade mineira de Carangola em 07/02/1917 e falecido em 31/01/2006. Jurista brilhante, ex-prefeito de Londrina e ex-governador do Paraná, Hosken desafiava a lógica dos poderosos. Homem de integridade pétrea, honestidade ímpar e profundo espírito público, ele nunca precisou de holofotes para justificar sua grandeza. Conta-se que, nos tempos em que geria o Estado a partir do Palácio Iguaçu, era comum vê-lo descer sozinho, ao cair da noite, para caminhar até o mercado e fazer suas próprias compras, ignorando o abismo que a vaidade costuma impor aos cargos públicos.
​O verdadeiro espírito público que ele encarnava representa o compromisso ético e a vontade genuína de servir à sociedade, valorizando o bem comum acima de quaisquer interesses particulares. Na prática cotidiana, traduz-se na responsabilidade com os recursos do Estado, fortalecendo a democracia e a confiança nas instituições.
​Lembrar de Hosken e de sua trajetória faz refletir diretamente sobre a eleição daqui a sessenta dias e sobre como escolher nossos representantes, transformando o voto em um ato de sobrevivência cívica. Votar não pode ser um gesto vazio ou utilitário, pois exige resgatar o critério essencial do espírito público. Nos últimos mandatos, o bem público parece ter evaporado dos gabinetes, e o que se vê hoje é o oposto daquela sobriedade da Rua Purus, onde ficava também o escritório de advocacia de Novaes, com estruturas blindadas onde o Estado virou balcão de vantagens.
​Precisamos selecionar candidatos que enxerguem o mandato não como privilégio ou trampolim, mas como um pesado fardo de servir ao coletivo. A ausência dessa postura escancara um vazio doloroso e aterrorizante, pois, se continuarmos a entregar o destino da nossa gente aos vendilhões da pátria, restará apenas assistir, impotentes e sufocados pelas cinzas da esperança, ao completo sepultamento da nossa própria história.
​Diante das urnas que se aproximam, é urgente resgatar a lucidez na escolha do voto para que a honradez não seja apenas uma lembrança oca, mas o eco vivo de homens como Hosken que voltamos a exigir de quem governa Londrina e o Paraná.

Marcos Defreitas é jornalista e colunista deste portal

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1 comentário

  • Cadê o Ronaldo Caiado no Paraná?

    Ponto Final
    Nestes tempos em que Neymar Jr. passeia com seu mega iate naquele mar e começa a campanha eleitoral, fica um lembrete de como o Brasil trata os seus: Jazem sob o mar de Angra dos Reis, após 34 anos, os corpos de Ulysses Guimarães, de sua esposa e do piloto do helicóptero. O mundo já tem foguete que volta de ré, a Petrobras tem a melhor tecnologia de sonda marítima, e ninguém se mobiliza para tentar encontrar os corpos. O Brasil não é apenas um País sem memória. Ele a afoga a sua História.

    https://www.osul.com.br/desjudicializacao/

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