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Cláudio Osti

Demissão de inspetores de pátio em Londrina é retrocesso e sobrecarrega os gestores

9 comentários

Por Adriana Biason

Sou professora da Rede Municipal de Londrina e escrevo com preocupação diante da Recomendação nº 485/2025, emitida pela Secretaria Municipal de Educação. O documento orienta que diretores, diretores auxiliares e coordenadores pedagógicos reorganizem suas jornadas para garantir presença nos horários de entrada e saída dos alunos. Essa medida chega justamente após a dispensa dos inspetores de alunos, profissionais que sempre foram responsáveis pelo controle de acesso e segurança no ambiente escolar.

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O papel dos gestores

A legislação é clara. O Coordenador Pedagógico (Decreto nº 54/2019) deve planejar, articular e acompanhar o trabalho pedagógico, apoiar professores, coordenar a formação continuada e analisar dados de aprendizagem. Já o Diretor Escolar (Lei nº 13.677/2023) exerce função de liderança administrativa e pedagógica, representa a escola perante a comunidade e garante a gestão democrática.

Nenhum desses documentos prevê que gestores devam vigiar portões ou substituir inspetores. Pelo contrário: seus papéis são estratégicos para a aprendizagem, para a mediação de conflitos e para o fortalecimento do vínculo entre escola e comunidade.

Um retrocesso inaceitável

É importante lembrar que esse problema não é novo. Na gestão passada, diante da ausência de inspetores, coube a diretores e coordenadores se revezarem no acompanhamento dos portões. Quando a função de inspetor foi criada, conquistamos um avanço: o atendimento se institucionalizou e a equipe gestora pôde se dedicar de forma mais plena às suas funções pedagógicas. Agora, com a dispensa desses profissionais, vivemos um claro retrocesso. Ao invés de consolidar e aperfeiçoar o que já estava funcionando, a Prefeitura desmonta um serviço essencial, sobrecarrega a gestão e enfraquece a escola pública.

A sobrecarga e o risco de sucateamento

Na prática, transferir aos gestores a função de vigilância significa esvaziar a essência educacional da gestão escolar. Diretores e coordenadores já se revezavam de forma colaborativa no acolhimento dos alunos, mas assumir isso como tarefa exclusiva deles é condenar ao enfraquecimento o trabalho pedagógico, a formação de professores e o diálogo com as famílias.

A ausência dos inspetores cria um vazio funcional que se tenta cobrir à custa da gestão. É o retrato do sucateamento da escola pública: retira-se o profissional adequado e força outros a acumularem funções que não lhes cabem.

A confiança em risco

A comunidade escolar confia nos gestores como referência pedagógica, organizacional e democrática. Mas quando diretores e coordenadores são desviados de sua função, essa confiança se rompe. Fragiliza-se o elo entre escola e famílias, e compromete-se a missão de garantir o direito à educação.

Em defesa da gestão e da escola pública

Gestores fortes são fundamentais para que a escola cumpra seu papel. Desviá-los para funções operacionais é uma forma de desqualificar o trabalho escolar e de esvaziar a própria educação pública.

Faço um apelo: que a Prefeitura reveja essa medida, assegurando que cada profissional atue de acordo com sua formação e atribuições legais. Só assim poderemos oferecer às crianças de Londrina o que lhes é de direito: uma educação pública de qualidade, democrática e transformadora.

Londrina, setembro de 2025
Adriana Biason, professora de Rede Municipal de Londrina

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9 comentários

  • Rubinho do cadeia o dalborga

    Para um bom entendendo um pingo é letra,quando envadiram escolas e acabaram matando crianças, dentro de sala de aulas,virou uma comoção no país, e no mundo todo, alguém para se tornar herói,tentava descobrir uma saída principalmente políticos, pois gostam de se tornar o invetor ou o idealizador,mais quando tudo apaga, ninguém vem mais para, defender aquela invenção que deu certo, pois tudo passou já, as crianças mortas já foram esquecidas, nem a imprensa tem mais interesse e se divulgar mais nada,e ficam,esperando como corvos, com a barriga cheia esperando outra tragédia acontecer para todos de novo impunhar a Bandeira da IPOCRECIA,.

  • professor Toninho

    Resolvi escrever porque tô indignado.

    A gente votou no Tiago Amaral achando que ia trazer coisa nova pra Londrina, mas parece que é só mais do mesmo. Esses dias, chegou pra mim a lista dos cargos comissionados da COHAB, que tá rodando nos grupos de WhatsApp. Comentei até com o pessoal na loja.
    Como pode uma empresa que era pra ajudar quem precisa de casa viror cabide de emprego, com um monte de salário alto e pouca coisa feita.

    O mais revoltante é que, enquanto isso, a prefeitura tá demitindo os cuidadores de pátio nas escolas, gente que ganhava pouco mais de dois salários e que fazia um trabalho importante com as crianças.

    E ninguém fala nada! Acil, Sociedade Rural, Sinduscon, Ministério Público, tudo quieto.

    Quando é pra defender os interesses deles, aparecem rapidinho. Mas agora, com esse absurdo, fazem de conta que não viram. É triste ver a cidade desse jeito.

  • Londrina, cidade da encenação,
    governada por aplauso e submissão.
    Deputados, vereadores, prefeito a sorrir,
    por migalhas da capital, vivem a aplaudir.

    Recebem promessas, celebram maquete,
    batem palmas pra obra que nem sai da estaca sete.
    Anunciam prédios, projetos no ar,
    mas no chão da cidade, nada a andar.

    Enquanto isso, seguem os flashes, os cliques,
    maquetes viram manchetes, com gestos tão ricos.
    Mas falta coragem, sobra encenação,
    a cidade estagnada, sem transformação.

    E o povo? O povo assiste a novela eleitoreira,
    com figurantes da elite e promessa passageira.
    Londrina, refém do faz de conta banal,
    merecia governo, não espetáculo municipal.

  • Dinheiro público para manter a CTD tem. Empresa sem projetos inchada de funcionários com altos salários.

  • Quando o eleitorado parar com a burrice ideológica e aprender a votar, tenho certeza, que a democracia representativa vai melhorar.
    E o grande e maior castigo que o eleitorado pode aplicar nesses políticos, é não REELEGER.
    Reclamam agora, mas quando chega o período eleitoral, o eleitorado entra numa espiral deletérea de burrice ideológica, votando no eterno continuismo político, em que somente o político ganha, e o eleitorado perde, colocando sua cidadania em modo de espera daquela promessa que nunca chega.
    Para concluir, CADÊ OS VEREADORES DE LONDRINA? CADÊ A COMISSÃO DE EDUCAÇÃO DA CÂMARA DE VEREADORES?
    COM A PALAVRA, A SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO DA PREFEITURA DE LONDRINA.

  • Nem avô sou

    O ano passado foi um corre corre para por segurança nas escolas, agora tira-se o util e simples trabalhador mais barato do organograma, as crianças perdem essa referência simples e importante, muitas com jeito de mãe, tia ou avó, é tantos milhões de reais que passa do bilhão na Educação e falta dinheiro para o simples?

  • Deu ruim no Natal antecipado, como noticiou o Blog do Rigon. O Ministério Público Estadual recebeu ontem uma denúncia contra o edital de licitação para a decoração natalina. O aviso foi publicado esta semana pela prefeitura, mas já levantou suspeitas de que o processo estaria, digamos… com endereço certo.

    Segundo a denúncia, o edital seria irregular e altamente direcionado a um suposto fornecedor, com especificações técnicas tão detalhadas, e subjetivas, que praticamente eliminam a concorrência. Um relatório que acompanha a denúncia aponta quatro possíveis vícios: exigência de tecnologia específica, especificações técnicas excessivas, lote único para tudo e a exigência de que todo o material seja novo.

    O pedido de impugnação do pregão eletrônico 072/2025 pede a revisão desses pontos, alegando que o modelo atual restringe a competitividade. A denúncia também foi enviada ao Observatório Social de Maringá.

    Pelo jeito, as luzes de Natal podem acabar iluminando bem mais do que a cidade…

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