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Cláudio Osti

Democracia sob ataque

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Por Marcos Cesar Gouvea 

A democracia ocidental vem sendo corroída por dentro neste milênio com a ascensão no mundo todo de líderes populistas de várias matizes que se apresentam como alternativas ao “sistema”. Invariavelmente essas lideranças se revelam autocratas, uma vez no poder, eleitas por pequenas maiorias cansadas  das “guerras culturais” e de abusos daqueles que negligenciaram o exercício do poder.

Na América Latina o retrocesso democrático se ampliou não só no extremismo à direita, mas também em experiências “de esquerda” que resvalaram para ditaduras, como nos exemplos na Venezuela “bolivariana”, que traiu o legado de Simon Bolívar; e na Nicarágua dos Ortega, que traiu o legado de Augusto Sandino. Esse déficit democrático é amplo no continente, com a normalidade democrática restrita hoje a Brasil, México, Canadá e Uruguai. Líderes populistas de extrema direita acabam de assumir o poder por toda a América Latina. No Chile um adepto do pinochetismo. Na Argentina um lacaio de Trump.

A ascensão de “outsiders” começou com a eleição de Donald Trump em 2016, justamente na maior democracia do Ocidente liberal, que vem sendo minada desse então. Os derivativos do trumpismo se espalharam pelo mundo, chegando ao poder pelo voto,  em governos ditatoriais que desprezam o próprio sistema que os elegem.

No Brasil o exemplo foi o bolsonarismo,  eleito em 2018. Ao perder a reeleição em 2022, seguiu o script trumpista em 2023, com a intentona golpista de 8 de janeiro, felizmente contida e punida pelo poder Judiciário.

Nos Estados Unidos, nem mesmo a eleição do democrata Joe Biden em  2020 conseguiu conter  a metástase do golpismo contra as instituições democráticas.  Trump falsamente difundiu a versão de que teria sido vítima de uma “eleição roubada”.

O republicano liderou uma tentativa de golpe com a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Embora os golpistas tenham sido processados, nem Corte Suprema,  nem o Legislativo norte-americanos conseguiram enquadrar e condenar Trump.

Ele acabou voltando ao poder  em 2024 e lidera atualmente uma ditadura caótica, impensável há uma década atrás.  O  saldo sombrio neste ano é o mundo levado a uma crise política e econômica com resultados imprevisíveis.

Nesse último trimestre eleições no Brasil,  Estados Unidos e Israel estarão novamente colocando à prova a democracia liberal do Ocidente.  Seus resultados serão decisivos. Está em jogo a  sobrevivência do sistema ocidental que prevaleceu na segunda metade do século passado,  um sistema cheio de defeitos, anomalias, e lapsos autoritários, mas o menos pior  já  alcançado pela humanidade.

*Marcos César Gouvea é jornalista e articulista colaborador deste Portal

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