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Cláudio Osti

Irmãos de Dias Toffoli foram sócios de Ratinho em resort no Paraná; negócios da família voltam a chamar atenção

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Dois irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antônio Dias Toffoli integraram a sociedade de um empreendimento imobiliário de alto padrão no Paraná ao lado do apresentador de televisão Carlos Massa, o Ratinho, pai do governador do Paraná, Ratinho Jr, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (24) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com o Estadão, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli participaram como sócios do Tayayá Porto Rico, segundo resort da rede Tayayá no estado. O empreendimento está localizado na divisa do Paraná com o Mato Grosso do Sul e ainda se encontra em fase de construção. O projeto prevê 240 apartamentos e cerca de 300 casas, voltado ao turismo e ao mercado imobiliário de alto padrão.

Os irmãos do ministro detiveram 18% de participação no negócio entre os anos de 2021 e 2025, conforme a reportagem. A fatia estava registrada em nome da empresa Maridt S/A, que também figurava como sócia de outro empreendimento da mesma rede, o Tayayá Ribeirão Claro, igualmente no Paraná.

Ainda segundo o jornal, a Maridt S/A vendeu sua participação nos resorts ao empresário Fabiano Zettel, que passou a concentrar parte relevante dos ativos da rede Tayayá. Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição financeira que entrou em liquidação extrajudicial em novembro, após o Banco Central apontar “graves problemas” em sua gestão e situação financeira.

A ligação entre os negócios privados e o sistema financeiro ganhou relevância adicional porque o Banco Master é alvo de uma ação judicial no STF, atualmente sob relatoria do próprio ministro Dias Toffoli. O fato tem sido citado por especialistas como um ponto que reforça o debate sobre conflitos de interesse e a necessidade de transparência envolvendo autoridades do Judiciário e seus círculos familiares.

Nos últimos anos, reportagens da imprensa têm mostrado que familiares de Dias Toffoli atuam em diferentes frentes empresariais, especialmente nos setores imobiliário, de serviços e investimentos, muitas vezes por meio de holdings e empresas de participação. Embora não haja acusações formais de irregularidades contra os irmãos do ministro, a presença recorrente de seus nomes em negócios de grande porte costuma gerar questionamentos públicos, sobretudo quando esses empreendimentos se cruzam com temas que chegam ao Supremo Tribunal Federal.

Procurados pelo Estadão, os envolvidos afirmaram que as operações empresariais ocorreram dentro da legalidade e que o ministro Dias Toffoli não participa nem interfere nos negócios privados de seus familiares.

O caso reacende o debate sobre governança, transparência e separação entre interesses públicos e privados, especialmente em um momento em que decisões do STF têm forte impacto econômico e institucional no país.

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