O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, foi citado no depoimento de um empresário sobre desvio de recursos de obras no interior da Paraíba. O empresário, condenado pela Justiça Federal da Paraíba junto com outras duas pessoas, afirmou que Hugo Motta teria recebido 10% do valor da propina. A informação foi divulgada pelo colunista Fabio Serapião, do Metrópoles, nesta quinta-feira (20).
A condenação da Justiça foi determinada no dia 27 de fevereiro e teve como alvos o empresário da construção José Aloysio Machado da Costa Neto, o ex-prefeito de Malta (PB) Manoel Benedito de Lucena Filho, conhecido como “Nael”, e seu filho Naedy Bastos Lucena. A ação trata de desvios de recursos públicos em um contrato para recapeamento de ruas da cidade em 2014. Segundo o depoente, Hugo Motta teria cobrado 10% do contrato, o que corresponde a R$ 78 mil, oriundos de emendas parlamentares destinadas por ele à obra.
O depoimento do empresário foi feito por meio de acordo de delação premiada e anexado à sentença enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas nunca foi homologado. O processo indica que a empresa de Aloysio atuaria apenas como fachada para que terceiros executassem as obras.
Outros presidentes da Câmara com problemas na Justiça
A história de Hugo Motta não é isolada. Outros ex-presidentes da Câmara também enfrentaram problemas com a Justiça:
- Eduardo Cunha (2015-2016): Foi preso em 2016 no âmbito da Operação Lava Jato e condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele teria recebido propinas relacionadas a contratos da Petrobras.
- Henrique Eduardo Alves (2013-2015): Preso preventivamente em 2017, foi investigado por envolvimento em desvios de recursos nas obras da Arena das Dunas, em Natal (RN).
- João Paulo Cunha (2003-2005): Condenado no escândalo do Mensalão, cumpriu pena por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
A trajetória de Hugo Motta na política é marcada por suas ligações com figuras influentes do Centrão, incluindo Eduardo Cunha. Sua família também tem um histórico de influência política na Paraíba, onde seu pai, Nabor Wanderley, e outros parentes ocuparam diversos cargos públicos ao longo das décadas.














