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Cláudio Osti

Políticas Públicas de saúde para pessoas com deficiência: Londrina ainda está em atraso

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Por Alnir Escatambulo

Este texto tenta abordar os desafios e a falta de acesso à saúde que as pessoas com deficiência (PCD) enfrentam em Londrina. Apesar de alguns avanços, barreiras estruturais, de capacitação e de atendimento persistem, dificultando o acesso pleno e igualitário a serviços de saúde na cidade.

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Um dos problemas mais visíveis em Londrina é a falta de acessibilidade em espaços públicos, o que inclui as unidades de saúde. Calçadas com desníveis, falta de rampas padronizadas e prédios sem a adaptação necessária para pessoas com mobilidade reduzida dificultam o deslocamento e o acesso a hospitais, clínicas e postos de saúde. A falta de acessibilidade no transporte público também é um obstáculo significativo, limitando a capacidade das PCD de chegar aos locais de atendimento.

A falta de preparo de profissionais de saúde é um ponto crítico. Um estudo na área de saúde pública revela que a ausência de treinamento específico para lidar com pessoas com diferentes tipos de deficiência é uma das principais barreiras percebidas por prestadores de serviço. A capacitação é fundamental para um acolhimento adequado e para a prestação de cuidados de saúde que levem em conta as necessidades específicas de cada paciente, seja com deficiência física, auditiva, intelectual ou visual.

A atenção básica, que deveria ser a porta de entrada para o sistema de saúde, falha em garantir uma coordenação eficaz do cuidado para as PCD. Em Londrina, embora existam serviços de referência, como o Centro de Atendimento à Pessoa com Deficiência, o acesso a eles pode ser desafiador. A falta de integração entre os serviços e a dificuldade de acesso a tratamentos especializados, incluindo saúde mental e odontologia adaptada, são desafios reais.

Estudos indicam que a falta de conhecimento sobre as necessidades das PCD, preconceito e estigma social ainda impactam a forma como são vistas e tratadas nos serviços de saúde. Essa falta de conscientização não afeta apenas o atendimento, mas também a participação em iniciativas de promoção da saúde. O estigma pode levar à desvalorização de suas capacidades e à violação de direitos, conforme aponta o Serviço de Proteção Social Especial oferecido em parceria com a Associação Flávia Cristina em Londrina.

Apesar das dificuldades, Londrina tem iniciativas que buscam melhorar a situação, como a criação do Centro de Atendimento à Pessoa com Deficiência. Organizações da sociedade civil como a APAE, a ADEVILON e a APS Down também trabalham para oferecer apoio e promover a inclusão. No entanto, é necessário ir além e implementar políticas públicas mais eficazes. A Câmara Municipal de Londrina, por exemplo, tem aprovado projetos que reconhecem a importância das pessoas com deficiência, como o Dia das Mães Atípicas, mas é preciso monitorar e garantir a efetividade dessas ações.

O acesso à saúde para pessoas com deficiência em Londrina é um desafio multifacetado que requer uma abordagem ampla. A superação das barreiras físicas, o investimento na capacitação profissional, a melhoria da coordenação dos serviços de saúde e o combate ao estigma social são passos essenciais para garantir o direito à saúde de forma plena e igualitária. A colaboração entre poder público, sociedade civil e organizações de apoio é fundamental para construir uma cidade mais inclusiva e acessível para todos os seus cidadãos.

Almir Escatambulo é Cientista Social e Servidor Publico

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2 comentários

  • A cidade sempre viveu de novidades, quando a Lei 133/51 foi criada sob a orientação de Prestes Maia a cidade ganhou status, preservar os 84 fundos de vale, a Cia. City fez um loteamento impecável o Shangrilá, ruas largas, avenida com canteiro central, hoje um bairro abandonado porque o abandono da segurança assim quis, a política urbana favorece a indústria da construção civil, geradora de emprego e renda.
    Cabe a PML incentivar que bairros com toda infraestrutura urbana consolidada não entre em decadência.
    A região citada no comentário anterior (Waldemar Spranger) é vítima desse avanço imobiliário, sem equipamentos municipais como, Creches, Escolas Públicas e UBS, a rotatória em X na confluência com Harry Prochet é para ninguém desta cidade sentir orgulho, todos os dias tem acidentes, a nova Otávio Genta recém construída com belo canteiro central por ser área da COPEL, não recebeu a ciclovia, e já tem placas do maior imobiliarista da cidade que produz galerias comerciais que esvaziam o centro.
    A PML tem de introduzir e incentivar o retrofit no centro e em áreas consolidadas como Vila Nova, Recreio, Casone, Brasil etc.
    As calçadas só com investimentos em notificar proprietários para que adequem suas calçadas, a PML resolveria o problema de acessibilidade sem custos maiores.

  • Duas Londrina

    É curioso como naquela região da Avenida Waldemar Spranger tudo acontece depressa. Enquanto isso, a duplicação da Avenida Bandeirantes, especialmente no trecho da Rua Bolívia, um eixo fundamental para o acesso ao aeroporto, segue esquecida há mais de 70 anos. Os prefeitos anteriores e o atual têm deixado essa obra de lado, ignorando sua relevância para a mobilidade urbana e o desenvolvimento da cidade. O resultado é uma divisão cada vez mais evidente: de um lado, a cidade nova, moderna e rica, do outro, a cidade velha, empobrecida e esquecida, como já se vê no centro, onde o abandono tomou conta e as portas estão fechadas.

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