R$ 1,6 bilhão de pindura: Dezesseis entidades religiosas concentram 80% das dívidas das igrejas

Bolsonaro e Valdemiro Santiago

do UOL

Um grupo de 16 entidades religiosas deve R$ 1,6 bilhão em impostos, segundo levantamento da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) obtido pelo UOL por meio da Lei de Acesso à Informação.

O volume de débitos representa 81% de todas as dívidas de 9.230 instituições evangélicas, católicas, espíritas e islâmicas devedoras em todo o país.

Neste grupo, nenhuma entidade deve menos de R$ 20 milhões. Fazem parte da lista entidades comandadas por figurões evangélicos aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que atuou pelo perdão a dívidas tributárias de igrejas.

As igrejas não pagam impostos no Brasil. No entanto, quando a Receita Federal descobre que atuaram com fraude, como se fossem empresas, elas são taxadas com imposto de renda e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido).

Uma das fraudes descobertas pelos fiscais era pagar bônus de arrecadação para pastores. Isso significa distribuição de lucros, o que não é admitido pelo Fisco para uma instituição sem fins lucrativos.

Além disso, as igrejas pagam impostos e obrigações ligados à folha de pagamento de seus funcionários, como contribuições previdenciárias, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), imposto de renda retido na fonte e multas trabalhistas

“Pequeno Príncipe”

Quem lidera o ranking é o Instituto Geral Evangélico, que deve R$ 526 milhões em Fundo de Garantia, imposto de renda, contribuições ao INSS e Cofins. A instituição aparece com endereço no Rio de Janeiro, mas seu presidente, o publicitário José Augusto Cavalcanti Wanderley, vive em Petrópolis.

Lá, dirige uma fazenda cujo site o define como “o homem que distribui esperança”. A propriedade rural era frequentada pelo escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), motivo pelo qual hoje é dedicada ao livro “O Pequeno Príncipe”.

UOL deixou recados com uma funcionária da fazenda e com uma senhora que aparece como responsável pelo local nos cadastros da Receita. A reportagem ainda enviou mensagens para o celular e o email de Wanderley por duas semanas, mas ele não respondeu. (leia mais)

 

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