do UOL
O real é a moeda que mais se valorizou em 2026 até a última sexta-feira (17), de acordo com um levantamento da consultoria Elos Ayta que comparou a variação de 27 divisas em relação ao dólar.
No início do ano, cada R$ 100 compravam US$ 18,37. Agora, os mesmos R$ 100 podem adquirir US$ 20,08, uma alta de 10,7%.
Veja o desempenho da moeda de 26 países e do euro desde o início de 2026, sempre em comparação com o dólar.
Das 27 moedas analisadas, 14 subiram, dez caíram e três ficaram estáveis.
Nota-se que o dólar, de fato, está se desvalorizando em relação a muitas moedas, mas também se valorizou em relação a um número considerável.
Não é mais possível dizer que o dólar está caindo no Brasil porque está se desvalorizando no mundo todo.
Além dos números acima, podemos notar que o Índice Dólar, que compara a moeda americana com uma cesta de divisas, caiu apenas 0,11% no acumulado deste ano.
O que está acontecendo?
Ao menos quatro fatores contribuem claramente para a valorização especificamente do real em relação ao dólar.
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O mais recente é a alta do petróleo no mercado internacional, devido à guerra no Irã. Como o Brasil é hoje um país não apenas autossuficiente nessa commodity, mas também exportador, existe a perspectiva de que entrem muitos dólares no país este ano.
O segundo fator é uma consequência direta do primeiro. O petróleo mais caro fez aumentar o otimismo dos investidores em relação ao Brasil.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou a perspectiva de crescimento da economia brasileira justamente por causa do petróleo. Com isso, investidores compram ações de empresas do Brasil na expectativa de que elas se valorizem ou aumentem sua distribuição de dividendos. Dessa forma, trazem ainda mais dólares para o país, o que aumenta o preço da moeda nacional.
Um terceiro fator é a taxa de juros no país, que é uma das maiores do mundo em termos reais (descontando a inflação). Isso também traz dólares ao país, por parte de investidores que desejam lucrar com títulos de renda fixa.
O quarto e último fator que vale a pena citar são as eleições. Investidores internacionais, apesar de estarem otimistas com o Brasil independentemente dos resultados das urnas em 2026, costumam ter preferência por candidatos com viés mais liberal. Com o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas, muitos investidores não querem correr o risco de não estarem alocados no Brasil em caso de vitória da oposição.
Não importa se, de fato, um eventual governo de Flávio Bolsonaro será melhor ou não para a economia e o mercado. O simples fato de uma parte dos estrangeiros aplicar no Brasil por apostar na vitória dele já contribui para a valorização do real, pois traz dólares ao país.
O que pode mudar o cenário?
Embora a tendência, segundo a maior parte dos analistas, seja de que o real continue subindo, sempre existe chance de o cenário se inverter.
Hoje, o principal fator de alta ou baixa do dólar no mundo é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Diversos analistas acreditam que a queda da moeda americana em 2025 foi resultado de uma política deliberada do governo dos EUA, o que Trump não confirma nem nega. Se isso se confirmar, significa que o real pode voltar a cair se o presidente americano decidir interromper essa política.















