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Cláudio Osti

As eleições municipais estão chegando, qual é o melhor Eleitor?

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*Por Mário César Carvalho

Com as eleições municipais se aproximando, surge uma questão fundamental na mente de qualquer candidato: “Qual será o perfil do eleitor que eu preciso conquistar?” Quais são as suas motivações e a influência que exerce no processo eleitoral. Afinal, o voto é a moeda de troca mais valiosa durante as campanhas e entender o comportamento do eleitorado é essencial para transformar simpatias em votos e conquistar a vitória.

Pois bem, tem o eleitor tipo “Inocente Útil”. É aquele que, por mais que se esforce para entender o cenário político, acaba sendo presa fácil da desinformação. Suas intenções são as melhores – ele de fato quer votar conscientemente –, mas acaba se perdendo no emaranhado de notícias falsas e promessas fantasiosas. Se o candidato afirmar que vai revitalizar a Rua Sergipe e fazer dela uma Rua 24 Horas, ele não apenas acredita, mas também defende a ideia com entusiasmo. Esse perfil de eleitor facilmente se torna um amplificador de fake news, não conscientemente, mas por ingenuidade. Ele representa talvez o maior desafio dos tempos atuais: como separar o trigo do joio em um mundo onde a informação (e a desinformação) se espalha na velocidade de um clique.

Ah! Tem também eleitor “Sabe Tudo”. Com uma postura de superioridade intelectual,  é aquele que tem certeza que tem todas as respostas. Ele estudou, leu, discutiu – ou pelo menos pensa que fez isso – e agora se vê como uma espécie de autoridade em política. Este tipo é outro grande desafio para qualquer campanha, já que é praticamente impossível convencê-lo de qualquer coisa que ele mesmo não tenha decidido. Sua confiança na própria opinião é inabalável e ele está sempre pronto para corrigir os “erros” dos outros. No entanto, o “Sabe-Tudo” pode ser uma influência significativa em seu círculo social, espalhando suas crenças e, por vezes, conduzindo os indecisos para o lado que ele apoia. Ele é como um livro ambulante de política, mas que, muitas vezes, só é aberto na página que lhe convém.

Tem também o eleitor “Desiludido”. É aquele que já votou, já se decepcionou e agora carrega um ceticismo profundo em relação a qualquer promessa eleitoral. Ele representa uma parte importante do eleitorado que perdeu a fé no sistema político, convencido de que todos os políticos são iguais – e igualmente ruins. Seu voto, se ocorrer, é dado mais por obrigação cívica ou na esperança remota de que “dessa vez poderá ser diferente”. Esse eleitor é um reflexo das falhas do sistema e dos ciclos repetidos de promessas não cumpridas. Ele é o exemplo de uma parte do eleitorado que precisa de mais do que discursos; precisa de ações concretas que restaurem sua confiança na política.

E tem aquele eleitor facilmente reconhecível, que é o “Caçador de Brindes”. Esse tipo de eleitor faz da campanha eleitoral uma verdadeira caça ao tesouro. Ele não está preocupado com as plataformas ou propostas dos candidatos; sua motivação é simples: quem dá mais? Esse perfil pode parecer superficial, mas representa um aspecto interessante da política: a troca direta e quase palpável entre candidato e eleitor. Embora o “Caçador de Brindes” não seja movido por grandes ideais, ele ainda assim participa do processo eleitoral e sua presença nas campanhas é um lembrete de que, em meio as promessas grandiosas, às vezes são os pequenos gestos que fazem a diferença.

Existe ainda o eleitor “Zé do Pão”. Esse é aquele pragmático por excelência. Ele não está interessado em discursos ideológicos ou promessas para um futuro distante. Sua preocupação é o aqui e agora, aquilo que afeta diretamente sua vida cotidiana. Este tipo de eleitor força os candidatos a descerem das nuvens e focarem em questões concretas e imediatas. O “Zé do Pão” é o retrato da política de proximidade, onde o que realmente importa é a capacidade do político de fazer a diferença na vida real, e não apenas no discurso.

Não podemos esquecer do eleitor “Fiel Cego”. Esse é um devoto, não de uma religião, mas de um candidato ou partido político. Sua lealdade é tão intensa que ultrapassa a lógica e a razão. Para ele, seu candidato é infalível e qualquer crítica é vista como uma ofensa pessoal. Esse eleitor é o sonho de qualquer marqueteiro político, pois é aquele que adere à campanha de corpo e alma, espalhando a palavra e defendendo seu escolhido com unhas e dentes. No entanto, essa lealdade cega também pode ser perigosa, pois cria uma barreira para o diálogo e a reflexão crítica. O “Fiel Cego” é um lembrete de como a política pode, às vezes, se assemelhar a um campo de fé, onde a racionalidade dá lugar à devoção.

E tem o “Revoltado” também. É aquele eleitor que não aguenta mais promessas vazias e está pronto para “chutar o balde”. Ele não quer saber de medidas paliativas; exige mudanças radicais. Esse eleitor muitas vezes vota nulo, ou em candidatos que representem uma ruptura total com o status quo. Para ele, a política tradicional já não serve e é preciso algo novo, mesmo que esse novo seja apenas um símbolo de protesto. Esse tipo de eleitor é a voz da insatisfação crescente, do desejo por mudanças profundas e também é o símbolo do desespero que se instala quando as instituições parecem falhar repetidamente.

Então caro eleitor: No final das contas, qual é o melhor eleito?

Em meio a todos esses perfis, o melhor tipo de eleitor é aquele que consegue se informar, refletir e votar de acordo com sua consciência, tendo em mente o bem-estar coletivo e não apenas seus interesses pessoais. Em um cenário ideal, o bom eleitor é uma mistura equilibrada de pragmatismo, informação e esperança, capaz de distinguir no discurso dos candidatos, aquilo que é real e o que é apenas retórica. No entanto, essa diversidade de perfis de eleitores é o que torna a democracia rica e dinâmica, cada voto contribuindo para a construção de um futuro, seja ele promissor ou desafiador.

Assim, ao se prepararem para as urnas, lembrem-se de que, independentemente do tipo de eleitor que você seja, o importante é participar e exercer seu direito de voto. E que vença o candidato que melhor souber dialogar com essa complexa e fascinante colcha de retalhos que é o eleitorado brasileiro – ou, pelo menos, aquele que conseguir dar os brindes mais memoráveis! E brindes memoráveis é o que falta aqui nesta pequena Londres.

*Mário César Carvalho é advogado, professor de direito e colunista neste poderoso blog

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1 comentário

  • Há Lagoas

    Sou um eleitor desiludido, voto nulo há muitos anos! Não creio mais no sistema, e defendo que o voto seja facultativo! Afinal, ele deveria ser um direito, não uma obrigação….

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