Por José Antonio Pedriali
mariA poucos dias do oitavo aniversário do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, o STF condenou hoje os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão a 76 anos de prisão por encomendarem o crime. Com eles foram condenados também, a penas menores, Ronald Alves de Paula, Rivaldo Barbosa e Robson Calixto, por arquitetar e acobertar os assassinatos. Outros participantes do crime, como Ronie Lessa, autor dos disparos, já haviam sido condenados.
Fez-se, enfim, justiça!
Filiada ao PSOL, Marielle foi morta por ameaçar os negócios criminosos dos irmãos Brazão, membros de tradicional família de políticos cariocas – entre eles a grilagem de terras e venda de imóveis em situação irregular -, que chefiavam uma milícia no norte do Rio.
Sua morte antecedeu a campanha eleitoral de 2018, que culminou fatidicamente na eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República. Bolsonaro era vizinho de Lessa num condomínio na Barra da Tijuca e seu filho Carlos, desafeto de Marielle na Câmara de Vereadores do Rio.
A morte de Marielle a consagrou postumamente no Brasil e exterior e revelou um dos traços mais sombrios da psique bolsonarista: os eleitores do futuro presidente da República manifestaram-se abertamente nas redes sociais contra a vítima, que era preta, pobre, lésbica e de esquerda.
O ápice dessa campanha de assassinato da reputação de Marielle foi protagonizado pelo troglodita Daniel Silveira, que arrancaria, semanas após o crime, a placa de uma rua batizada em homenagem a ela. Arrancou-a e a quebrou em pedaços. O gesto, que emulava o sentimento dos bolsonaristas, valeu-lhe a eleição para deputado federal, do qual foi cassado por ameaçar os ministros do STF.
As característica de Marielle, com exceção de sua opção sexual, foram lembradas pelo relator do processo no STF, ministro Alexandre de Moraes, que pontuou:
“Se juntou a questão política com a misoginia, com o racismo, com a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta e pobre estava, no popular, peitando os interesses de milicianos.”
Dois anos após a morte de Marielle, escrevi em meu blog “Doa a quem doer” (felizmente extinto):
“É assombroso testemunhar o ódio que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro devotam à memória de Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018 por dois milicianos.
Por que a odeiam tanto?
Por que era preta?
Por que era lésbica?
Por que era de esquerda?
Provavelmente pelas três coisas, que compõem a cesta de rejeições bolsonaristas, somadas à antipatia que Carlos Bolsonaro, segundo filho do presidente e capataz do seu rebanho de apoiadores nas redes sociais (sociais?), nutria por ela, a ponto de recusar-se a usar o elevador da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, onde eram colegas, em sua companhia.
(…)
Passados dois anos do assassinato de Marielle, as ações de vilipêndio de sua memória – que incluíram a retirada de uma placa de rua que a homenageava –, ao invés de arrefecer com o tempo, têm aumentado. Postagens e mais postagens com fake news sobre Marielle são disseminadas todos os dias nas redes sociais (sociais?) por bolsonaristas que se arrogam a condição de “cidadãos do bem”. O colunista de um portal bolsonático-olavético, emblematicamente chamado “Brasil Sem Medo”, ficcionou sobre os últimos momentos de Marielle, atribuindo-lhe a admissão de que se envolvia com as milícias e se relacionava sexualmente com seu algoz!
(…)
A morte de Marielle não foi em vão: expôs a índole dos “cidadãos de bem” que se consideram detentores da verdade e da virtude. A índole dos intolerantes. A índole dos fanáticos, cuja ignomínia robustece a cada vilipêndio diário que fazem de sua memória.”
A justiça foi feita aos que mataram Marielle ou de alguma forma colaboraram com o crime e para obstruir as investigações. Mas os que comemoraram a sua morte e lincharam a sua memória ainda se intitulam “cidadãos de bem”, patriotas e cristãos! E cultuam com fervor o seu líder, condenado a 27 anos de prisão por tentar assassinar o Estado Democrático de Direito.















3 comentários
Genildo
E os que foram acusados de assassinato inocentementes?
Da licença hein, a esquerda sempre se matou a sempre apontam a culpa a opositores
Meu culpa? Nenhuma nos últimos 41 anos….
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Jordão Bruno
Eu acrescento mais uma pergunta: como fica o deputado evangélico Filipe Barros que, em abril de 2024, votou contra a manutenção da prisão dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle? O deputado cristão votou a favor dos, finalmente, condenados sob a orientação de seu chefe político, o genocida Jair Bolsonaro, de seu pastor presbiteriano ou foi decisão de uma consciência generosa com assassinos milicianos? Outro que se diz seguidor de Cristo também votou como o deputado Filipe Barros: me refiro ao deputado Nikolas Ferreira.
Cadê a Lenir Assis?
Conta como os outros e outras parlamentares de Londrina votaram.
Como?