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quinta-feira, 29 de outubro de 2026
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A balela do rombo orçamentário em Londrina

Por Cláudio Osti
A balela do rombo orçamentário em Londrina

por Fábio Cavazotti

Tem se tornado lugar comum na atual administração municipal a alusão a um suposto rombo orçamentário como justificativa para redução do ritmo de investimento em diversas áreas.

Começou com a divulgação de que haveria um déficit gigantesco no orçamento de 2025 e informações sobre dificuldades sem fim. A última é a reportagem da Folha de Londrina a respeito das obras de 4 escolas municipais (as últimas escolas de madeira de Londrina que estão sendo reconstruídas em alvenaria, com execução atual entre 60% a 90% do previsto) que teriam poucos recursos para conclusão.

Vamos aos fatos.

O orçamento de uma prefeitura é regido por diversas leis, sendo duas as principais.

A primeira é a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que, como o próprio nome indica, define as diretrizes de investimento diante das necessidades do Município.

A outra é a Lei Orçamentária Anual (LOA), que é aprovada no segundo semestre de cada ano e detalha os gastos e investimentos que a Prefeitura poderá fazer no ano seguinte.

O detalhamento dos investimentos na LOA tem por base as diretrizes estratégicas definidas pela LDO. A aprovação de ambas cabe à Câmara Municipal e o Executivo não pode criar despesas não previstas na LOA/LDO.

Quando num determinado momento é aprovada a LDO para execução no ano seguinte, no exato momento em que a lei é aprovada, os recursos que ela distribuirá ainda não estão no caixa (uma análise meramente acadêmica diria que o rombo neste momento é de 100%!).

O que se faz é uma previsão de quanto deve entrar e a sua distribuição conforme as prioridades de cada área. É claro que existem inúmeros maus exemplos de orçamentos fictícios Brasil afora. Não é o caso de Londrina. Nos últimos 8 anos chegamos a executar 99% do orçamento previsto, um índice excepcional em gestão pública municipal.

Porém, o mais importante – e é para isso que quero chamar a atenção. Elaborar um orçamento dentro da técnica adequada não é suficiente. É necessário que o Executivo cumpra sua função de se articular institucionalmente e garantir o fluxo de recursos previstos para a cidade. Aprovado o Orçamento, a responsabilidade por sua plena execução cabe primeiramente ao Prefeito e, sob sua liderança, à sua equipe.

Se pudesse resumir o dia a dia dos 8 anos da administração do ex-prefeito Marcelo Belinati (da qual participei ativamente), diria que a prioridade maior que vi no Prefeito foi a busca incessante por recursos, das mais diversas fontes, a fim de garantir a evolução do Orçamento, para que as obras, investimentos e melhorias pudessem chegar cada vez mais à população.

O Marcelo Belinati foi um prefeito que no dia 24 de dezembro de cada ano ainda estava pela manhã em Brasília buscando recursos para a cidade. Quando perguntei a ele logo em 2017 (nosso início) me disse que em final de ano sobram recursos em Ministério porque centenas de Municípios não conseguem executar seu orçamento, então é a hora de visitá-los para trazer estas sobras de recursos para Londrina. É um exemplo.

Emendas parlamentares, programas federais, estaduais, linhas de financiamento, são inúmeras as fontes de recursos para os Municípios que se organizam e sabem elaborar e executar projetos.

Portanto, quando se aprova o orçamento não significa que se pode ir para casa descansar e esperar simplesmente que os recursos entrem (alguns sim, a maioria infelizmente não). Pelo contrário, vem o desafio maior do Poder Executivo que é de se articular ano a ano para, por meio de um círculo virtuoso, aumentar suas fontes de receitas/investimentos a fim de melhorar o desenvolvimento da cidade.

Não faltam recursos, talvez dificuldades institucionais para acessá-los. É este o pano de fundo da balela do rombo orçamentário.

Fábio Cavazotti
Jornalista, foi secretário de Gestão Pública e presidente da Codel na gestão do ex-prefeito Marcelo Belinati.

Gostou? Mande para quem acompanha o assunto.

Cláudio Osti
Cláudio Osti

Jornalista e editor do Paçoca com Cebola. Cobre a política de Londrina e do Paraná.

Sobre o editor
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