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Cláudio Osti

Domingo, a eleição e a vida que continua igual

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Por Marcos Defreitas

Há dias em que a cidade parece estar esperando alguma coisa.
Londrina está assim.
A rotina continua a mesma. Gente acordando cedo, trânsito, café tomado correndo, supermercado cheio, pão saindo da padaria e alguém reclamando de alguma coisa no caminho.
Tudo normal.
Mas tem um domingo chegando.
O assunto está por aí. Na televisão, no celular, nos grupos de família, na conversa do café. Tem gente acompanhando tudo, discutindo, fazendo conta, tentando adivinhar o que vai acontecer. Tem gente que já não aguenta mais ouvir falar em eleição.
E tem muita gente que simplesmente não está ligando tanto assim.
Talvez essa seja a parte mais curiosa.
A eleição parece ocupar o país inteiro, mas, para muita gente, ela é só mais uma coisa acontecendo enquanto a vida continua.
E não é uma coisa barata.
Em 2026, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o Fundo Eleitoral, tem R$ 4,96 bilhões destinados às campanhas. É dinheiro público, previsto em lei e distribuído aos partidos de acordo com as regras eleitorais.
Quase cinco bilhões de reais.
É difícil até imaginar esse dinheiro.
Mas uma coisa a gente entende. No fim, essa conta é pública. Somos nós que pagamos.
E enquanto essa montanha de dinheiro circula na campanha, a vida de quem está fora dela continua acontecendo.
Dona Maria, por exemplo, provavelmente não vai passar o domingo pensando nos bilhões do Fundo Eleitoral.
Ela tem outras coisas para resolver.
Tem a casa, o mercado, uma conta para pagar, alguém da família para ligar. Tem suas preocupações e também suas pequenas alegrias.
No domingo, ela vai votar.
Como milhões de outras pessoas.
Vai ter fila, urna, celular na mão, televisão ligada e muita gente esperando o resultado.
Durante algumas horas, pode até parecer que o país inteiro está parado para acompanhar a eleição.
Mas não está.
O padeiro continua fazendo pão. O motorista continua dirigindo. O comércio abre. O ônibus passa. Alguém continua preocupado com o aluguel. Outro está pensando no emprego. Tem gente contando dinheiro para chegar ao fim do mês.
A grande maioria não vive a eleição o tempo todo.
E talvez seja bom lembrar disso.
Porque, enquanto alguns passam meses mergulhados nesse assunto, a vida de milhões de pessoas acontece em outro lugar. Acontece no trabalho, em casa, no supermercado, na conversa com os filhos.
Domingo chega.
A eleição acontece.
Depois vem a segunda-feira.
Londrina continua sendo Londrina. O trânsito continua, a padaria abre, as contas chegam e cada um volta para seus problemas e suas preocupações.
Dona Maria também.
Na sexta, ela tinha uma vida.
Na segunda, continuará tendo a mesma.
A eleição terá terminado para muita gente.
Para dona Maria, a vida continua.

Marcos Defreitas é jornalista e articulista convidado deste portal

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