Por Manoel Fernando Jr
O Dia 28 de outubro é um dia muito importante para o funcionalismo deste país. E, confesso, por mais merecido que seja o recesso, tenho noção de que, comparativamente, o estabelecimento de um feriado em atenção ao dia da categoria é um privilégio.
É um dia em que, os servidores são inundados, pelos colegas, chefias, família e amigos, de mensagens de felicitação, de postagens prontas (e muito bonitas) de WhatsApp, na forma das quais o serviço público é mostrado como um verdadeiro apostolado, como uma categoria que merece toda a atenção e reconhecimento. E, pelo pouco que pude ver dos meus quase 15 anos de serviço público, entre estágio e efetivação, é uma aura verdadeira.
O servidor público merece sim ser valorizado. Nas mãos deles, está a operação de mecanismos que promovem saúde, educação, assistência aos desamparados, entre muitos e muitos outros direitos e garantias que a Constituição assegura. E não foi uma, nem duas, nem cem vezes, que vi servidores irem além de seu escopo para isso. Fazendo diferenças na vida de seus atendidos que Estatuto nenhum poderá colocar como dever, tamanho o desprendimento exigido.
Os servidores passam por um processo histórico de apagamento e desvalorização. Garantias como a estabilidade, essenciais ao bom desenvolvimento de suas atividades de modo imparcial, são frequentemente arguidas, inclusive por gestores de Alta Administração, como direitos concedidos quase que a nível de privilégio feudal.
Mas a verdade é que o serviço público que ninguém vê, este é caracterizado por dificuldade em exigir direitos, medo de retaliação, assédios de todas as ordens que encontram numa segregação de funções extremamente torta que coloca a nomeação de réu, acusador e de juiz sob o direito de livre nomeação e exoneração de mesma pessoa (e de uma pessoa interessada em transmitir ao público a imagem de uma máquina pública saudável). Isso não é aqui, e muito menos lá. Isso é regra da qual pouquíssimas exceções escapam, em todo o Brasil.
Mas, infelizmente, por mais que reiterar a necessidade de o gestor mudar sua postura perante o servidor (o de carreira, efetivo, da labuta, do balcão, da mão na terra, do chão de fábrica, da praça e dos documentos redigidos para que o chefe só assine), a verdade é que esta questão, vez por vez, ano por ano, é uma pauta reiterada.
Mas, uma coisa que é muito necessário lembrar, é que no processo de barrar e silenciar o servidor, uma arma, que jamais poderia ser utilizada, o é, e indiscriminadamente: O próprio servidor.
Vencimentos de carreira baixos, políticas de progressão funcional que levam tempo e exigem um conhecimento que atinge somente a certos locais, fazem com que os próprios servidores de carreira, no desespero para agregar à própria vida financeira e profissional um pouco mais de razões para ter um pouco de autoestima, acabam por aceitar funções de “liderança” que os torna executores de muitos atos que deveriam combater, inclusive sobre os próprios colegas, fazem com que a relação nos ambientes de trabalho sejam perfeitamente passíveis de passar a operar com base num medo institucional, de perder cargo, de ser direcionado para outro setor, de perder função, gratificação. Medo de quem está. Medo de quem não está. Servidores em funções de chefia (e, por favor, chamar de “liderança” não melhora!) acabam, por medo de retornar ao cargo e talvez virar um oprimido de um ex-oprimido e possível futuro opressor, fazem com que o servidor, no fim das contas, se torne o maior inimigo de si próprio.
Eu gostaria muito de dizer que tem solução para isto. Mas se este texto chegar a 10 pessoas e mudar a mente e a conduta de uma, é possível que ela seja simplesmente apagada da história contada nas páginas institucionais e dê lugar a outra, mais disposta a cumprir sem questionar o que determina sua chefia, machuque ou não o seu coleguinha.
Acho que, no fim, a melhor dica que eu tenho ao servidor é: Seja o melhor que você puder e evite fazer com os outros o que você não acharia correto que fizessem com você. Mas não coloque sobre as próprias costas um peso que não é seu, de mudar o mundo. Olhe para o público interno e externo com amor, com empatia, com respeito e se dê o direito de escolher as próprias batalhas. E se cuide. Se cuide sempre. Viva além do próprio trabalho e esteja sempre atento à própria saúde.
E assim, sem frase de efeito, porque eu não pensei em nenhuma que não expressasse uma esperança que eu não sinto ou uma algeria que atualmente eu não tenho, termino o texto desejando a todos um feliz dia do servidor.






4 comentários
Homenagem aos que acham não dever satisfação aos que pagam seus salários
O secretário Marcos Antônio Castri, o Marcão Kareca, afirmou que tem “boas perspectivas com o apoio de verbas federais. A intenção é utilizar recursos federais, tal como está sendo feito com a retomada das obras do Museu de Artes de Londrina”, resume o secretário.
“Eu fechei o Zaqueu, primeiro porque os Bombeiros deram um ultimato diante da dimensão do risco e porque entendi que havia outros espaços que podiam atender a demanda da cidade. A expectativa era fechar, arrumar recursos rápidos e retomar o espaço”, afirmou o ex-secretário Cesaro.
A Câmara de Vereadores aprovou na época uma emenda de 1,7 milhões para a Secretaria de Cultura para viabilizar a reforma no teatro, mas outras obras prioritárias surgiram ao longo do caminho, como a urgência na reforma do telhado e da calçada da Biblioteca e mais uma vez o Zaqueu ficou em modo de espera.
https://www.bonde.com.br/londrina/londrina-um-raio-x-do-desuso-dos-equipamentos-culturais
Mancadas expostas
https://www.instagram.com/reel/DP7KuTMiUZ4/?igsh=MTFpczd1OHRlMTRraA==
Alô servidor público do Judiciário, Executivo, Legislativo, Estatais e ParaEstatais e Concessionários e Permissionários:
Somos:
Contribuintes, Cidadãos e Consumidores.
Todos somos e merecemos respeito.
É assim e como diz o autor do texto”
“Seja o melhor que você puder e evite fazer com os outros o que você não acharia correto que fizessem com você.
Mas não coloque sobre as próprias costas um peso que não é seu, de mudar o mundo.
Olhe para o público interno e externo com amor, com empatia, com respeito e se dê o direito de escolher as próprias batalhas.
E se cuide. Se cuide sempre. Viva além do próprio trabalho e esteja sempre atento à própria saúde.”
Discurso muito bonito né, mas não é bem assim…. funcionários públicos são os principais responsáveis por criar essa imagem de trabalhar pouco e ganhar muito. Vamos ver os números dos afastamentos por atestado médico entre empresas privadas e serviços públicos? Vamos comparar os valores das aposentadorias? Vamos comparar a carga horária? Jogar toda a culpa nos políticos, que não são grandes coisa mesmo, é muito fácil né! Claro que existem excelentes funcionários públicos, mas dizer que todos são maravilhosos e que muitos não se escondem atrás da estabilidade é mentira.. Basta ver que só no Brasil temos um funcionalismo público tão privilegiado. Mas apesar de tanto choro a gente não vê nenhum funcionário público pedindo demissão não é mesmo. Funcionário público é tão importante quando qualquer outro funcionário. Na minha modesta opinião.