O teatro político brasileiro tem seus dias de tragédia, mas o capítulo inaugurado por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos é comédia pastelão da melhor qualidade. Escapar pelas margens da fronteira argentina, ignorar ordens do STF e aterrissar na Flórida para se proclamar “presidente dos Estados Unidos do Brazil” — com “z”, brasão antigo e tudo — não é ato de heroísmo. É desespero fantasiado de bravata.
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A imagem que circula é implacável porque dispensa metáforas: capta exatamente a posição em que o senador se colocou. Ao lado de um Donald Trump confortavelmente instalado no poder e sorrindo para a câmera, a figura trajada em verde e amarelo segurando seu chocalho sintetiza a busca por validação externa de quem não tem mais o que oferecer no próprio país.
É “Exílio” com Sotaque de Vexame
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Proclamar-se líder dos “Estados Unidos do Brazil” — denominação histórica abandonada na década de 1960 — enquanto esconde o passaporte do Judiciário brasileiro não constrói um estadista; entrega a charge pronta para a oposição. A tentativa de criar uma crise diplomática internacional produziu apenas o que o ato merecia: gargalhadas em Brasília, desdém em Washington e um figurino sob medida no imaginário popular.
No fim das contas, a aventura em solo americano serviu para mostrar que, longe das benesses do cargo e da blindagem institucional, a autoproclamada “liderança do Brasil” não passa de uma atração secundária no circo alheio.
Israel Marazaki é empresário e articulista
*Os artigos assinados não necessariamente representam a opinião do Portal





