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sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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Disparo em Massa, Vazamento em Massa?

Por Marcos Defreitas
1 comentário

Disparo em Massa, Vazamento em Massa?No domingo, 25 de outubro, dia do segundo turno das eleições, reunimos a turma para um churrasco de almoço, acompanhar a apuração dos votos e jogar conversa fora. Entre uma garfada e outra, alguém comentou sobre uma mensagem estranha que havia recebido de madrugada pelo WhatsApp. O assunto despertou a curiosidade dos presentes e logo descobrimos que outras cinco pessoas ali também tinham recebido exatamente o mesmo aviso. Todos eram clientes da mesma operadora e haviam recebido a mensagem no mesmo horário. O texto informava que o CPF estava cancelado e exigia uma renovação urgente por aquele canal.
O que começou como uma conversa despretensiosa logo se transformou em indignação. Uma das pessoas tinha dois chips da operadora no celular e recebeu a mesma mensagem nos dois números. A coincidência entre tantas pessoas, todas clientes da mesma empresa e abordadas no mesmo horário, levanta uma questão muito mais grave do que a tentativa de golpe em si. Como os criminosos conseguiram acesso a uma lista tão específica de clientes? Estaríamos diante de um vazamento massivo de dados?
Sem acusar ninguém, é preciso reconhecer que a situação exige uma investigação rigorosa. Afinal, de que adianta proteger senhas e desconfiar de mensagens suspeitas se nossos dados pessoais podem estar circulando nas mãos de criminosos?
A preocupação aumenta diante dos milhares de registros de golpes praticados por terceiros atribuídos a essa operadora em diferentes regiões do país.
Segundo registros da imprensa, a tentativa de golpe daquele domingo também atingiu pessoas em todo o Brasil, seguindo o mesmo formato.
Não se trata, portanto, de uma ocorrência isolada entre conhecidos durante um almoço de domingo. A dimensão do episódio reforça a necessidade de esclarecer a origem das informações utilizadas pelos golpistas e apurar se houve falhas na proteção dos dados dos clientes. Anatel, Polícia Federal, Polícia Civil, Procon, Autoridade Nacional de Proteção de Dados e Ministério Público precisam agir.

Tudo isso nos remete à Operação Deepwater, da Polícia Federal, deflagrada em 2021, que investigou o assustador vazamento de 223 milhões de CPFs, além de tantas outras operações realizadas pelo país com a prisão de muitos bandidos.
A sucessão desses episódios deixa uma pergunta incômoda. Quantas vezes nossos dados ainda precisarão aparecer nas mãos erradas até que a proteção da privacidade seja tratada como prioridade?
O combate aos golpistas é indispensável, mas não basta agir depois que o crime acontece. É preciso investigar como essas informações são obtidas, identificar a origem de eventuais vazamentos massivos e responsabilizar quem tenha cometido irregularidades.
O cidadão não pode continuar pagando a conta dessa desordem cibernética enquanto as empresas se limitam a lamentar o ocorrido.
É hora de os órgãos de fiscalização saírem das notas oficiais e adotarem medidas efetivas, com punições que realmente doam no bolso quando houver responsabilidade comprovada.
Nossos dados pessoais não são mercadoria à disposição de criminosos, e a privacidade não pode ser tratada como um detalhe sem importância.
Se a proteção das nossas informações virou terra sem lei, quem tem o dever de nos proteger precisa agir antes que, além dos nossos dados, percamos também a confiança nas instituições e nas empresas das quais dependemos.
O CPF pode até ser alvo de uma mensagem fraudulenta, mas a nossa privacidade não pode ser cancelada.
Merece elogio o trabalho da equipe de jornalistas da RPC Londrina pela reportagem exibida em 27 de outubro sobre a tentativa de golpe ocorrida no domingo, alertando a população para os riscos do vazamento massivo de dados.

Marcos Defreitas é jornalista e articulista colaborador deste Portal

*Os artigos assinados não representam necessariamente a opinião deste Portal

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Marcos Defreitas
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1 comentário

  • Julio Bispo

    Parabéns em aborbar esse assunto.
    Também me chamou a atenção naquele dia.
    Muitos golpes via celular.

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