do blog Politicamente
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) determinou a abertura de mais um inquérito policial, por parte da Polícia Federal, para investigar o deputado Ricardo Arruda (PL) por suposto crime de violência política contra a mulher. É o segundo procedimento contra Arruda desta natureza.
As vítimas seriam a ministra do Supremo Tribunal Federal, Camen Lúcia, e as deputadas estaduais Cristina Silvestri e Mabel Canto que foram chamadas de “bruxas” pelo deputado Ricardo Arruda durante uma sessão da Assembleia Legislativa do Paraná .
A Procuradoria Regional Eleitoral do Paraná recebeu o pedido de investigação da Procuradoria da Mulher da Alep relatando que Ricardo Arruda teria proferido tais declarações “de cunho misógino e discriminatório” durante as sessões plenárias — e destaca, especialmente, o episódio ocorrido em setembro de 2025.
Na Notícia de Fato aberta a partir da provocação da Procuradora da Mulher, é relatado que tais condutas do deputado do PL não seriam isoladas, “mas sim reiteradas e sistemáticas, consistentes na desqualificação da atuação politica feminina”.
O Blog Politicamente mostrou que em outubro do ano passado, o TRE determinou que a PF abrisse um inquérito para apurar a conduta do parlamentar contra a deputada do PT, Ana Júlia. O caso segue sendo investigado pelos federais.
“Nesse contexto, são mencionadas investidas direcionadas as Deputadas Estaduais Ana Júlia Ribeiro e Luciana Rafagnin, em diferentes sessões plenárias, as quais teriam sido alvo de comentários depreciativos relacionados a maturidade, vestimentas e integridade pessoal”.
Uma lei de 2021 alterou o Código Eleitoral e tornou crime a violência política de gênero para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher nos espaços e nas atividades relacionadas ao exercício dos direitos políticos.
O caso tramitou no TRE porque o deputado tem prerrogativa de foro. O relator foi o desembargador eleitoral Osvaldo Canela Júnior que votou pela abertura de um inquérito pela Polícia Federal — no mesmo sentido do parecer da Procuradoria Regional Eleitoral. Todos os demais julgadores acompanharam o voto do relator.
O caso foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal no Paraná, para instauração do inquérito policial, por requisição da Procuradoria Regional Eleitoral. O inquérito tem prazo de 90 dias.
Outro lado
Em contato com o Blog Politicamente, o deputado Ricardo Arruda afirmou que não chamou nenhuma deputada de bruxa, “que fique claro isso, temos que manter a verdade”.
Ele diz ainda que “não existe violência de gênero, da mesma forma que eu já falei do ministro Alexandre de Moraes na tribuna, pelas ações ao meu ver absurdas e ilegais, até já movi processo contra ele, quando ele disse que a internet deu voz aos imbecis”.
E segue: “usei este adjetivo a ministra pelo fato dela ter dito que no Brasil temos 213 milhões de pequenos tiranos, ofendendo toda a população brasileira, homens e mulheres.
Então, não se trata de violência de gênero , e sim, mostrou minha indignação contra esta primeira turma do STF que vem atuando de forma política, invadindo outros Poderes e condenando pessoas inocentes a penas altíssimas, como exemplo, a Débora do batom, condenada a mais de 14 anos por pichar a estátua em frente ao STF”.






2 comentários
Impressiona a falta de compostura civilizada nesses políticos ditos “conservadores”, conservadores de que? Um conservador na assepção da palavra teria um respeito e cordialidade, esse deputado portar-se feito um “coronel de sertão” sem pudor e respeito, que fase braba que estamos vivendo.
Os argumentos do deputado são próprios de uma determinada cepa de políticos que cresceu desordenadamente no país, mas virou praga aqui no Paraná. No entanto, é melhor a sociedade parar de alimentá-la. Garanto! Ela é muito perigosa.