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Cláudio Osti

Mais de 33 milhões de eleitores não votaram. Se forem às urnas, podem beneficiar quem?

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Lula pode buscar esses eleitores? Flávio consegue ampliar ou manter a vantagem? Especialistas apontam que mobilizar quem não votou será um desafio para as duas campanhas, mas ausência não significa automaticamente preferência por um dos candidatos

Mais de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026. A abstenção foi de 21,08%, a maior registrada em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998. Dos 158,7 milhões de eleitores aptos, cerca de 125,2 milhões votaram.
O número ganhou importância no segundo turno porque Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Lula (PT) por pouco menos de 2%.  Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos. A nova votação está marcada para 25 de outubro.

Lula pode virar?
Do ponto de vista matemático, sim. O segundo turno é uma nova eleição, disputada apenas pelos dois candidatos mais votados. A questão é de onde virão os votos adicionais.
Os mais de 33 milhões que não compareceram não podem ser tratados como uma reserva de votos de Lula — nem de Flávio. São eleitores com diferentes razões para terem faltado e que podem ou não participar da segunda votação.
O cientista político Bhreno Vieira, ouvido pela Agência Brasil, afirma que o volume é suficientemente grande para influenciar o resultado. Ele lembra que, em 2022, a abstenção caiu do primeiro para o segundo turno: passou de 20,95% para 20,59%.
“É um contingente eleitoral bastante grande”, avaliou Vieira, destacando que a participação pode alterar a configuração da disputa.

O desafio das campanhas
Para o especialista Ariel Calmon, o segundo turno impõe às campanhas duas tarefas: preservar os eleitores já conquistados e ampliar a mobilização.
Segundo ele, Lula e Flávio terão de dialogar também com o eleitorado que não está identificado diretamente com nenhuma das duas candidaturas.
Além disso, os dois candidatos terão de disputar os votos dos concorrentes eliminados no primeiro turno. Renan Santos e Ronaldo Caiado somaram cerca de 5,2 milhões de votos, enquanto os demais candidatos também deixaram milhões de votos a serem disputados.

O que aconteceu em 2022?
O comportamento do eleitorado entre primeiro e segundo turnos mostra que a participação pode mudar.
Em 2022, a abstenção caiu no segundo turno. Já em 2018 ocorreu o contrário: a ausência aumentou na segunda votação. Para Bhreno Vieira, portanto, não há uma regra que permita prever automaticamente o comportamento deste ano.
Isso significa que a mobilização será relevante, mas o tamanho da abstenção, isoladamente, não permite concluir para qual candidato ela produzirá vantagem.

TSE quer aumentar o comparecimento
O próprio Tribunal Superior Eleitoral colocou a participação dos eleitores entre as prioridades para o segundo turno.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral pretende intensificar mecanismos para reduzir a abstenção. Entre eleitores com voto facultativo, o índice chega a cerca de 50% entre pessoas com mais de 70 anos, segundo o tribunal.
O eleitor que não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja com o título regular. Cada turno é considerado uma eleição independente.
A disputa agora é por votos e presença
O segundo turno começa, portanto, com três grandes movimentos: manter as bases já conquistadas, atrair parte dos votos dos candidatos derrotados e ampliar o comparecimento às urnas.
Para Lula, que terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, a redução da abstenção pode ampliar o universo de eleitores participantes. Mas os especialistas ressaltam que não é possível transformar automaticamente os ausentes em votos de um dos candidatos.
A resposta estará nas urnas em 25 de outubro.
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