Paralisação dos Caminhoneiros, uma reflexão sobre a nossa sociedade

Por Valter Orsi​

A paralisação dos caminhoneiros, que durou pouco mais de uma semana, provocou vários tipos de manifestações por todo o Brasil. Houve quem apoiou e quem criticou.

Mas não quero aqui discutir o mérito da greve, se ela foi justa ou injusta, mas sim um outro aspecto que nos chamou muito a atenção: o comportamento de muitos brasileiros diante de uma crise.

Mesmo praticamente todos sabendo que a paralisação deveria terminar em breve, houve uma série de absurdos que nos leva a pensar se nossa sociedade está preparada para uma situação de desastre, de crise prolongada.

Vimos pessoas correndo desesperadamente para os postos de combustíveis, mesmo estando com os tanques dos seus carros quase cheios. Brigas e agressões em postos, pessoas estocando combustíveis em galões colocando em risco elas próprias e os seus vizinhos. Pessoas que participavam do movimento saqueando cargas de caminhoneiros que não queriam manter a paralisação. Empresas vendendo combustível pelo dobro, o triplo do preço normal. Comerciantes aproveitando-se do nervosismo provocado pela paralisação para faturar o máximo possível, elevando o preço de alimentos, serviços, produtos.

A pergunta que deveríamos fazer é: Onde está a solidariedade do brasileiro? Aquela solidariedade, que muitas vezes é mostrada na TV, parece que também entrou em greve.

Em países que sofrem com grandes turbulências, terremotos e tsunami no caso do Japão, furacões nos Estados Unidos, para citar alguns exemplos, os moradores se ajudam mutuamente. Unem forças para reconstruir casas, rodovias, escolas, igrejas. Dividem alimentos, água, e, em muitos casos, fazem o possível para manter os preços ou até diminuí-los para que todos possam ter pelo menos um pouco para garantir a sobrevivência naquele momento de crise aguda.

No Brasil, o que vimos nas últimas semanas foi a ganância exacerbada, a ética colocada debaixo do tapete, a falta de compreensão uns com os outros, a falta da sincera solidariedade e, em alguns casos, a falta de humanidade.

Temos o hábito de apontar o dedo, de cobrar ética dos políticos. Mas que exemplo estamos dando enquanto sociedade? Que exemplo estamos dando enquanto seres humanos?

A crise dos últimos dias nos revelou muito mais do que a incompetência de um governo em gerenciar um momento de turbulência. Nos revelou que ainda precisamos evoluir muito como sociedade.

É um bom momento para refletirmos sobre isso.

Valter Orsi

Empresário em Londrina

7 comentários em “Paralisação dos Caminhoneiros, uma reflexão sobre a nossa sociedade

  • 15/06/2018, 11:03 em 11:03
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    O que o Valter falou é a pura realidade do povo brasileiro. Um povo sem Cultura, IGNORANTE e com com total falta de educação . Uma situação que nunca irá mudar. Está se criando uma geração ,ou melhor, se criou uma geração sem educação e cultura que todos nós vemos no nosso cotidiano. Uma geração de pais mal educados que não passam nada de positivo para seus filhos, e estes não terão bom exemplo para repassar também. Não é pessimismo meu . O que o Valter relatou já mostra tudo isso e não é surpresa alguma.

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  • 15/06/2018, 11:34 em 11:34
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    O cidadão dizer que o brasileiro é pior que o governo golpista que criou as condições para a greve dos caminhoneiros foi um verdadeiro chute naquele lugar…

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  • 15/06/2018, 13:52 em 13:52
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    Então o sr. Valter Orsi defende que americanos e japoneses são solidários e formam uma sociedade evoluída enquanto nós… oh! Faça o seguinte, sr. Valter, vá pra Gifu ou pra Boston!

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  • 15/06/2018, 14:29 em 14:29
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    Orsi está falando sobre um tema que não entende, querendo parecer “politicamente correto”. É justamente em situações de crise que o cidadão tem que agir, e não ficar esperando o governo ou “solidariedade”. Basta ler um pouco sobre o tema para ver que isso vai na contramão de todas as regras de sobrevivência. Se a coisa saísse do controle a “solidariedade” iria alimentar a família do sujeito? Se você acha que sim nunca leu sobre os conflitos e catástrofes que atingiram a humanidade. Farinha pouca, meu pirão primeiro. O resto é mimimi politicamente correto.

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    • 15/06/2018, 19:28 em 19:28
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      Reflexo da situação do povo. A ignorância é uma benção.

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  • 15/06/2018, 15:56 em 15:56
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    Valter Orsi com V é um poeta de boca fechada, esse é candidato a que mesmo? Nem pra síndico do prédio onde mora serve, ser empreendedor empresario ou raio que este edil julga ser não o torna maior que ninguém, e não lhe garante o direito de achar que pode ser político, Valter com V nos londrinenses não precisamos de você na política e nem de seus artigos nos blogs, só gere emprego e seja empresário que sempre o fez já está de bom tamanho, até mais.

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  • 15/06/2018, 22:04 em 22:04
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    O brasileiro hospitaleiro e solidário é uma figura folclórica. Deveríamos criar um vernáculo português para o equivalente ao Schadenfreude alemão, que é o sentimento de alegria e prazer ao ver o próximo se dando mal, e estampar ele na bandeira nacional. Seria ainda mais eficiente que o Nada Acontece Feijoada.

    O brasileiro ADORA ver os outros se ferrando e é extremamente recalcado com quem está numa situação melhor do que a dele. Aliás, de quem é melhor do que ele. Tanto que depois de décadas de Paulo Freire temos um povo que vincula pobreza e ignorância a honestidade e pureza, enquanto que ter uma situação financeira confortável, boa educação e qualificação por mais que seja pelos méritos próprios seus e de sua família – e aqui não falo de nascer em berço de ouro porque papai é político – é visto como sinais de que a pessoa ou família fez alguma coisa errada e se aproveitou dos menos favorecidos.

    E isso se reflete na escolha dos políticos: tem que ter origem humilde e hastear a bandeira do Robin Hood, “vou tirar dos ricos e dar aos pobres”.

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