Gostei desta foto do Antônio Neto. Ela poderia ter um título simples: Mãos e peneira. Sim, poderia, porém, o espectador está diante de uma imagem de muitos significados, entre eles alguém cujo rosto não vemos o rosto. O foco são as mãos apoiadas sobre uma peneira. Importante ressaltar que o centro dramático não é a pessoa como indivíduo, mas suas mãos, parte de uma região dominante da composição, onde está toda a carga narrativa da fotografia. Essa foto remeteu-me a uma crônica que escrevi há alguns anos sobre um senhor, de mãos calejadas, envelhecidas, com as marcas do tempo e do trabalho, representações observadas na foto.
O foco nas mãos, no objeto que elas seguram, é fundamental, repito, nessa narrativa e, por isso, o ambiente externo é desfocado. É uma bela representação de uma vida inteira de trabalho físico.
Outro detalhe fundamental: a ausência do rosto. Não há uma pessoa específica. Para mim, é extremamente decisivo e conveniente à proposta do autor: colocar o indivíduo como representação de uma condição humana.
Existem muitos outros elementos que mereciam ser destacados para avançar na análise. Por exemplo, o enquadramento e a composição, a questão da luz (gostei da escolha do preto e branco contrastado), o foco e a direção do olhar. Assim, o fotógrafo nos oferece a oportunidade de apreciar uma obra artística com significados humanos.
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Luiz Bragança de Pina
Gostei desta foto do Antônio Neto. Ela poderia ter um título simples: Mãos e peneira. Sim, poderia, porém, o espectador está diante de uma imagem de muitos significados, entre eles alguém cujo rosto não vemos o rosto. O foco são as mãos apoiadas sobre uma peneira. Importante ressaltar que o centro dramático não é a pessoa como indivíduo, mas suas mãos, parte de uma região dominante da composição, onde está toda a carga narrativa da fotografia. Essa foto remeteu-me a uma crônica que escrevi há alguns anos sobre um senhor, de mãos calejadas, envelhecidas, com as marcas do tempo e do trabalho, representações observadas na foto.
O foco nas mãos, no objeto que elas seguram, é fundamental, repito, nessa narrativa e, por isso, o ambiente externo é desfocado. É uma bela representação de uma vida inteira de trabalho físico.
Outro detalhe fundamental: a ausência do rosto. Não há uma pessoa específica. Para mim, é extremamente decisivo e conveniente à proposta do autor: colocar o indivíduo como representação de uma condição humana.
Existem muitos outros elementos que mereciam ser destacados para avançar na análise. Por exemplo, o enquadramento e a composição, a questão da luz (gostei da escolha do preto e branco contrastado), o foco e a direção do olhar. Assim, o fotógrafo nos oferece a oportunidade de apreciar uma obra artística com significados humanos.
Parabéns, Antônio Neto.