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Cláudio Osti

Indicação de Eduardo Bolsonaro para líder da minoria é barrada. Pedido de cassação será analisado

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Indicação de Eduardo Bolsonaro para líder da minoria é barrada. Pedido de cassação será analisadoA decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de barrar a indicação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para a liderança da minoria, ocorrida ontem, não é apenas um ato administrativo, mas um movimento político carregado de simbolismo. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já vinha acumulando ausências em série, e agora não apenas corre o risco de perder o mandato por faltas, como também tem sobre si um pedido formal de cassação que deve ser analisado em breve pela Câmara.

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O PL tentou, de maneira clara, blindar Eduardo. Desde o início do ano Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos fazendo campanha acirrada contra a soberania nacional, tramando sanções e prejudicando a economia brasileira. Ele não compare na Câmara Federal há quase nove meses. E, mesmo assim, continua recebendo salários. Se tivesse assumido a liderança da minoria, estaria dispensado de comparecer às sessões. O problema é que, no começo de setembro, Eduardo já havia acumulado 18 faltas em 32 sessões — mais da metade do total, bem acima do limite de um terço permitido pela Constituição. Nesse cenário, a decisão de Motta é também uma mensagem: não há espaço para autoexílio não comunicado, tampouco para truques regimentais que transformem o cargo em salvo-conduto.

Mais importante ainda é o fato de que, paralelamente, foi pautado o pedido de cassação do mandato de Eduardo. Isso coloca o deputado em uma encruzilhada política inédita: ou ele retorna ao Brasil para enfrentar o processo de frente, ou verá sua carreira desmoronar à distância, no exílio autoimposto.

Os impactos são imediatos. Eduardo alimentava planos de disputar a Presidência da República no futuro, mas hoje sua sobrevivência política está em xeque. A denúncia apresentada pela PGR por tentativa de coação contra o STF agrava ainda mais sua situação jurídica, fechando um cerco que combina questões regimentais, judiciais e políticas.

Há também um pano de fundo mais amplo. A decisão de Motta foi lida no Congresso como uma resposta indireta às investidas de Eduardo contra o Brasil junto ao governo dos Estados Unidos. O episódio recente, em que Donald Trump ampliou sanções contra Alexandre de Moraes e sua família, repercutiu como um ataque externo com participação ativa da militância bolsonarista. Nesse contexto, a rejeição ao nome de Eduardo ecoa quase como um gesto de defesa institucional.

O caso expõe, de forma cristalina, a fragilidade da estratégia do bolsonarismo em Brasília. A ideia de blindagem ilimitada — seja via cargos, seja via anistia ampla — encontra cada vez mais resistências, inclusive dentro da própria Câmara. O que se desenha é uma situação em que Eduardo Bolsonaro, um dos herdeiros políticos do ex-presidente, pode se tornar o primeiro grande símbolo da derrocada de uma era: não por uma decisão judicial de última instância, mas por incapacidade de cumprir as regras básicas do jogo parlamentar.

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1 comentário

  • Jordão Bruno

    Só faltava essa: o partido de golpistas e ocupado por traidores da pátria escolherem esse traste que está nos Estados Unidos tramando contra o Brasil como seu líder. Nesse caso, a gente não pode negar que o PL é um partido bem coerente…

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