Em um marco histórico – o primeiro júri com a nova lei do feminicídio como crime autônomo, realizado no Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher –, Néias – Observatório de Feminicídios de Londrina celebra a decisão do Tribunal do Júri da Comarca de Londrina, que acolheu as acusações de feminicídio qualificado contra Diego Pereira Granada pelo assassinato de sua ex-sogra, Cibele D.A.S., ocorrido em novembro de 2024. O conselho de sentença, composto por 4 mulheres e 3 homens, reconheceu a autoria e a materialidade do crime, enquadrado na Lei nº 14.994/2024, que aumenta penas e inclui novos agravantes.
Diego terminou condenado a 33 anos e nove meses de prisão pelo crime de feminicídio qualificado.
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Durante os debates, enquanto a defesa buscava descaracterizar a tese de feminicídio, o Ministério Público sustentou que o réu agiu movido por razões de gênero, evidenciadas pelo seu histórico de violência contra múltiplas mulheres. Esse padrão de agressões constitui manifestação direta do sentimento de posse, controle e desvalorização da vida das mulheres.
Cibele não era o alvo primeiro de seu feminicida. Na tentativa de proteger e afastar o risco de uma de suas filhas, teve a vida ceifada. Feminicídios não ocorrem somente em contextos de relacionamentos amorosos e o reconhecimento dessa compreensão pela Justiça representa um grande avanço.
As filhas de Cibele permaneceram durante toda a sessão, apoiadas por amigos, simbolizando a resiliência das vítimas indiretas.
Cibele era mulher, mãe, amiga, trabalhadora. Ela merece ser lembrada. Suas filhas merecem justiça.
Seguiremos vigilantes.
Néias – Observatório de Feminicídios de Londrina
25 de novembro de 2025














