A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) recorreu ao Supremo Tribunal Federal para garantir que a atleta Tiffany jogue a semifinal da Copa Brasil de Vôlei nesta sexta-feira (27/2), em Londrina, após ação da Câmara Municipal.
Apesar de atuar no vôlei feminino há nove anos e estar em conformidade com todos os testes exigidos pela CBV, Tiffany, uma mulher transexual, pode ser impedida de jogar a partida contra o Flamengo no Ginásio Moringão.
Nessa quinta-feira (26), a Câmara Municipal da cidade aprovou requerimento com o objetivo de vetar participação da oposta na partida. Segundo a parlamentar de extrema-direita Jéssica Ramos Moreno (PP), conforme lei municipal promulgada em abril de 2024, é proibida a participação de atletas “cujo gênero seja identificado em contrariedade ao sexo biológico de nascimento” em competições esportivas na cidade.
De acordo com apuração do No Ataque, o caso protocolado no STF será julgado pela ministra Carmen Lúcia. Se a jurista considerar a lei da cidade de Londrina inconstitucional, a oposta será liberada para atuar na partida.
A história de Tifanny
Em 2017, a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) autorizou formalmente a oposta a jogar em campeonatos femininos regularizados pela entidade e, ainda naquele ano, ela se tornou a primeira mulher trans a jogar a Superliga Feminina, à época pelo Bauru.
Quatro anos depois, Tifanny se transferiu para o Osasco, onde fez história em 2024/2025 com a conquista da Tríplice Coroa: Campeonato Paulista, Copa Brasil e Superliga.
Mesmo seguindo a regulamentação do Comitê Olímpico Internacional e fazendo exames regulares, que atestam que ela está bem abaixo do nível máximo permitido de testosterona por litro de sangue, Tifanny foi alvo de muito preconceito inclusive no meio do vôlei, entre jogadoras e ex-jogadoras e até o técnico Bernardinho.
O treinador da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei disse, em 2019, após ponto da oposta contra seu time, o Rio de Janeiro (atual Flamengo), a seguinte frase: “Um homem, é f***”. Depois da repercussão negativa após ser flagrado em câmera, ele se desculpou com a atacante.
Em 2018, a oposta Tandara, que atuava no Osasco e na Seleção Brasileira, também se declarou contra a presença de Tifanny na Superliga sob a justificativa de que “a puberdade dela se desenvolveu no sexo masculino”.
Com o passar dos anos, embora tenha seguido sofrendo com preconceito, Tifanny passou a ser mais aceita na Superliga e chegou a ser cotada à Seleção Brasileira devido ao bom desempenho. A convocação nunca veio, mas ela atingiu feito mais importante: abriu portas para as mulheres trans no vôlei – e no esporte em geral – brasileiro.















3 comentários
Dois pesos, duas medidas (é assim que se fala?)
O termo “Londrina, fazenda iluminada” muito utilizado nos anos 1970/1980/1990 para designar uma cidade pujante, mas atrasada, nunca fez tanto sentido para os dias atuais, afinal, é retrocesso em cima de retrocesso.
Machado Silva
Onde o bolsonarismo se impõe, o que sobra é atraso e ignorância. Infelizmente hoje, Londrina – outrora uma cidade democrática e moderna – volta no tempo e fica patinando na primeira metade do Século XX.
Londrina, a cidade-piada
Centenas e centenas de problemas sérios e reais na cidade, e essa Câmara INÚTIL, formada por um galerinha de analfabetos funcionais, que o povo –também analfabeto funcional– enfiou lá, se metendo em assunto que, nem de longe, cabe a um legislativo municipal. Londrina virou uma piada de péssimo gostoso. Mas, o povo tem o legislativo que merece e o representa bem. Não é por acaso que a cidade, cada vez mais, desaba nos mais variados indicadores. Bem feito. Afunda mais, Londrina!!