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Cláudio Osti

A Noite em que o Brasileirão Eliminou a Alemanha

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A Noite em que o Brasileirão Eliminou a AlemanhaPor Marcos Defreitas

O domingo à noite carregava no ar o cheiro de uma revanche que não era nossa, mas parecia emprestada.
Não era o Brasil que estava em campo. Era o Paraguai. Mas quando a Alemanha tombou nos pênaltis, derrotada por uma seleção vizinha e guarani, alguma coisa se moveu no coração do continente.
Ninguém devolve um 7 a 1.
Certas dores não desaparecem. Apenas aprendem a dormir.
Mas o futebol, esse poeta caprichoso que gosta de rimar destinos distantes, encontrou um jeito curioso de acariciar uma velha cicatriz brasileira.
Foi o Paraguai quem fez o serviço.
E que Paraguai.
Um Paraguai que atravessava a fronteira sem precisar mostrar passaporte.
A Noite em que o Brasileirão Eliminou a AlemanhaUm Paraguai que falava guarani, mas também falava português.
Ali estavam Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras, além de Ramón Sosa e Maurício, também do clube alviverde. Júnior Alonso, do Atlético Mineiro. Damián Bobadilla, do São Paulo. Isidro Pitta, do Red Bull Bragantino. Fabián Balbuena, que marcou época no Corinthians e hoje joga no Grêmio. Gustavo Caballero, com passagem pelo Santos. Gatito Fernández, ídolo de Botafogo, Vitória e Figueirense. Matías Galarza, que passou pelo Coritiba e pelo Vasco, completa a lista de convocados frequentemente lembrados pela proximidade com o futebol brasileiro.
São nomes ligados ao futebol brasileiro.
São fios costurando a mesma camisa invisível.
Talvez por isso aquela vitória tenha parecido tão familiar.
A seleção brasileira dos nossos dias é formada por talentos espalhados pelos grandes centros do futebol europeu. Jogam na Inglaterra, na Espanha, na França e em outros cantos do mundo. São jogadores extraordinários, mas distantes da rotina do torcedor comum, que os acompanha pela televisão e pelos melhores momentos.
Já aquele Paraguai parecia morar logo ali na esquina.
O palmeirense enxergava Gómez, Ramón Sosa e Maurício.
O gremista reconhecia Balbuena.
O são-paulino via Bobadilla.
O atleticano acompanhava Alonso.
O torcedor do Bragantino comemorava por Pitta.
O santista lembrava Caballero.
O botafoguense sorria ao ver Gatito.
O vascaíno reencontrava Galarza.

Até o corintiano podia reivindicar uma pequena parcela daquela história por causa do Balbuena.
E havia Maurício.
Sua história parecia escrita à mão pelo próprio futebol.
Nasceu brasileiro. Vestiu a camisa amarela nas seleções de base. Sonhou os sonhos que todo menino brasileiro aprende a sonhar antes mesmo de aprender a andar.
Mas o destino, que raramente respeita os mapas desenhados pelos homens, resolveu apontar para outra direção.
Anos depois, encontrou no sangue da família um caminho até o Paraguai.
E lá estava ele.
Um ex-jogador das categorias de base do Brasil ajudando a escrever uma das páginas mais bonitas da história recente do futebol paraguaio.
O futebol adora essas ironias delicadas.
Enquanto muitas seleções procuram talentos pelo mundo, Maurício encontrou uma nova pátria sem sair da América do Sul.
Trocou a estrada principal por um caminho de terra.
E descobriu que também havia beleza ali.
Quando a última cobrança alemã encontrou o vazio da derrota, o Paraguai correu para o abraço.
Mas não correu sozinho.
Correu com os gramados do Brasil grudados nas chuteiras.
Correu com a memória dos estádios do Brasileirão.
Correu com a alma da Libertadores.
Correu com essa antiga fraternidade sul-americana que aparece quando menos se espera.
Naquela noite, a Alemanha não perdeu apenas para o Paraguai.
Perdeu para um continente inteiro.
Perdeu para um time que carregava em sua espinha dorsal um pedaço considerável do futebol brasileiro.
E por alguns instantes, apenas por alguns instantes, a Copa do Mundo pareceu pertencer ao Paraguai.
E o velho fantasma de Belo Horizonte, sem desaparecer, ficou um pouco mais distante.

Marcos Defreitas é jornalista formado na Universidade Estadual de Londrina e cronista convidado pelo Portal para a Copa do Mundo

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1 comentário

  • É sobre isso. O Futebol brasileiro, e outros campeonatos nacionais da América do Sul e a nossa LIBERTADORES tem força, tem história e deve ser respeitada e temida.
    Parabéns.

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