Desde 2008

Editor:
Cláudio Osti

Emília não cabe na estante — e política pública não pode ser decorativa

1 comentário

Emília não cabe na estante — e política pública não pode ser decorativaPor Israel Marazaki

O projeto Quartas Criativas é louvável. Cumpre seu papel, mas ainda é insuficiente. Ao se restringir às paredes da Biblioteca Especializada Infantil de Londrina, acaba por confinar o espírito de Monteiro Lobato — o que é, por si só, uma contradição.

Emília nunca foi figura de vitrine.

Em Memórias da Emília, ela pensa, questiona e desafia. A boneca de pano não aceita respostas prontas nem se curva ao conforto do óbvio. É, em essência, o pensamento crítico em estado puro. E o pensamento crítico, quando genuíno, é — como ela mesma diria — imorrível.

Biblioteca não é cárcere de ideias.

É por isso que o que hoje se reduz a “projeto” precisa amadurecer como política pública. Levar essa formação para o cerne das escolas municipais não é um luxo pedagógico — é uma urgência social.

Não como atividade eventual ou “evento de calendário”, mas como método, cultura e prática contínua.

Precisamos formar cidadãos que analisem o mundo, em vez de apenas consumi-lo mastigado.

Aqui cabe uma provocação respeitosa, mas firme, ao chefe do Executivo municipal: governar é, sobretudo, formar mentalidade. A juventude do gestor não pode ser álibi para o desconhecimento das raízes culturais ou das carências estruturais; deve ser combustível para romper com o assistencialismo cultural e fazer diferente.

No fim, a escolha que se apresenta à administração é binária e definitiva:

Ou investimos agora na formação de crianças que pensam…

Ou continuaremos administrando adultos que apenas repetem.

Convenhamos: Emília já escolheu seu lado faz tempo. Resta saber de que lado Londrina pretende ficar.

Israel Marazaki é empresário em Londrina e articulista

Compartilhe:

Veja também

1 comentário

  • Carla Aguiar

    Cultura em Londrina:
    Importância Gigante, Gestão Pequena.

    ​A conta não fecha.
    De um lado, artistas e produtores londrinenses que geram empregos e formam nossa identidade.
    Do outro, uma Secretaria de Cultura comandada por Marco Careca, uma figura amplamente criticada pela falta de preparo e por não pertencer ao setor que deveria defender.
    ​Londrina não pode mais se dar ao luxo de ter um secretário tão fraco enquanto o trabalhador da cultura vive na insegurança e sem reconhecimento.
    A economia criativa exige profissionalismo, não amadorismo político.
    Vamos nos pronunciar.

Deixe o seu comentário