
O torcedor brasileiro é um personagem curioso. Reclama do técnico, desconfia da escalação e prevê catástrofes antes de cada Copa. Mas existe uma tradição que nem o mais pessimista consegue ignorar. A estreia da Seleção.
Em 22 participações em Copas do Mundo, o Brasil venceu 18 vezes, empatou três e perdeu apenas duas. As derrotas ficaram nos primórdios do futebol, contra a Iugoslávia em 1930 e a Espanha em 1934.
Passaram-se 96 anos desde aquela primeira estreia em Copas. Mudaram os esquemas táticos, os estádios, as transmissões e até os costumes dos jogadores. Vieram cortes de cabelo que pareciam desafiar a gravidade, tatuagens suficientes para abastecer um estúdio inteiro e modas que desapareceram tão rápido quanto surgiram. O que não mudou foi a importância do primeiro passo.
Houve empates aqui e ali, alguns sustos e muita discussão de mesa de bar. Mas o resultado mais comum continua sendo a vitória. E nenhuma foi tão extravagante quanto o 6 a 5 sobre a Polônia, em 1938, um jogo tão repleto de gols que os zagueiros pareciam ter tirado folga.
Há ainda um detalhe que conforta qualquer torcedor. Desde 1938, toda vez que o Brasil evitou a derrota na estreia, avançou de fase. É como se o primeiro jogo fosse um pacto silencioso entre a Seleção e a Copa do Mundo.
Porque a história mostra que o Brasil pode até fazer drama depois. Pode provocar angústias, sustos e discussões intermináveis. Mas, quando chega a estreia, a camisa amarela veste quase um século de lembranças e diz ao mundo que ainda somos os maiores campeões.
Marcos Defreitas, jornalista formado pela UEL desde 1993 e já passou por cargos como vereador, secretário de Planejamento e presidente da Cohab. Corinthiano de coração, é daqueles que não perde uma boa história sobre futebol. Além dos jogos, gosta de mergulhar nas curiosidades, personagens e bastidores que fazem das Copas do Mundo um espetáculo dentro e fora de campo.














