Estudo do RenovaBR mostra que a representatividade feminina e racial ainda enfrenta barreiras estruturais, especialmente na disputa eleitoral para o Executivo
Um levantamento realizado pelo RenovaBR mostra que apesar de a diversidade na política existir, ela é muito baixa e o Brasil ainda não alcançou a equidade de uma representação política com diversidade de gênero e de raça. Em 2024, a disputa eleitoral foi vencida, mas somente 18% das cadeiras legislativas municipais foram ocupadas por mulheres em 2025, um crescimento de apenas dois pontos percentuais em relação a 2020. Entre as mulheres negras, a sub-representação é ainda mais gritante: apenas 1% das cadeiras foram ocupadas por mulheres pretas e 6% por pardas, números muito inferiores à presença desse grupo na população, que é de 28%.
As informações constam do Mapa da Desigualdade Eleitoral Municipal, elaborado pela gerente de Business Inteligence do RenovaBR, Eloá Monsores, que, com base nos dados consolidados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes às eleições municipais de 2016, 2020 e 2024, mostra os avanços e obstáculos na construção de uma política mais inclusiva, destacando tendências e padrões que evidenciam as barreiras ainda existentes.
No Executivo, o cenário não é diferente – apenas 732 municípios (13% do total) elegeram prefeitas em 2024. Apesar de representar um aumento de 5% em relação a 2020 e 10% em comparação a 2016, o número revela que a cada dez cidades brasileiras, nove são governadas por homens. A baixa presença feminina também se reflete nos cargos de vice-prefeitura, ocupados por mulheres em apenas 2 de cada 10 municípios.
A escassez de mulheres em cargos eletivos reflete desafios históricos e institucionais. O Brasil conta com políticas afirmativas para incentivar a participação feminina, como a reserva de 30% das candidaturas proporcionais para mulheres e a obrigatoriedade de destinação de recursos para suas campanhas. No entanto, a implementação dessas medidas enfrenta entraves, como candidaturas fictícias para cumprir cotas e concentração de financiamento em poucas lideranças, deixando a maioria sem suporte real.
De acordo com Bruna Barros, diretora-executiva do RenovaBR, a formação política é um fator determinante para mudar esse cenário. “Preparar mulheres para disputar eleições e ocupar espaços de poder é fundamental para transformar a democracia brasileira”, destaca, ao complementar sobre o papel do RenovaBR para uma política mais igualitária. “Nosso objetivo é capacitar novas lideranças para que tenham conhecimento técnico, segurança e rede de apoio para concorrer e, principalmente, para governar”.














