
Por Fábio Cavazotti
Eu prometi a mim mesmo que não voltaria a este assunto porque me desgastei demais no final do ano passado. Mas, não é justo com os servidores da Codel – Companhia de Desenvolvimento de Londrina o que está acontecendo, nem com a cidade, que precisa de um órgão bem estruturado para fazer frente aos desafios de desenvolvimento da cidade. Entendo que é um assunto de interesse público e serei o mais objetivo possível.
O que aconteceu
Quando assumi a presidência da Codel, em maio de 2024, havia um processo em curso pelo qual a prefeitura faria uma permuta de um terreno próprio por um imóvel recém-construído. A Codel funcionava em um imóvel locado com condições muito ruins de manutenção e estrutura (uma outra novela que não vou contar aqui).
Os imóveis objeto da permuta são vizinhos, o laudo de avaliação foi do Município, o proprietário demorou a aceitar porque não queria devolver os R$ 600 mil que a Prefeitura apontou de diferença… mas tão logo aceitou, encaminhamos o projeto para a Câmara, que aprovou rapidinho em primeira votação praticamente de forma unânime.
Estávamos no período de transição para o novo governo. Eu fiz um contato com o coordenador da transição (da parte do prefeito atual), Gérson Guariente – até pelo papel que ele sempre se apresentou quanto ao desenvolvimento de Londrina.
Sugeri uma conversa na Codel para passar os principais projetos em andamento, dar apoio no que fosse necessário. Só para se ter uma ideia, havíamos acabado de fazer o maior leilão de imóveis industriais em décadas, a contrapartida de mais de R$ 40 milhões ficaria no caixa da Codel para projetos. Enfim, me propus a uma transição institucional por parte da Codel a bem da cidade.
O então coordenador aceitou o convite e ficou de passar uma agenda na sequência para nos encontrarmos. Coloquei o então prefeito Marcelo Belinati a par.
Um dia depois, entra o projeto da Codel para segunda votação na Câmara e de repente tudo muda – de uma forma incrivelmente pouco transparente. Vereadores que se reuniram com a nova equipe mudaram de posição, o projeto foi recusado e a explicação do prefeito atual e de seu coordenador de transição é de que eles apresentariam uma solução melhor, que a Codel é super importante, etc etc etc… A gente ficou sabendo que o novo governo era contra quando os vereadores começaram a mudar de posição… e eu esperando o pessoal do novo governo para falar do futuro da Codel, do próprio projeto, etc… Não se interessaram em conhecer nada antes de agir. Incrível ne… Não houve nenhum diálogo com a Codel na transição.
Porque a decisão foi tão ruim
A maior dificuldade na estruturação dos órgãos administrativos é orçamento. Numa prefeitura, Saúde, Educação e Assistência, por sua emergência, consume uma fatia inimaginável do bolo.
Segunda dificuldade. Fazer permuta de imóveis localizados em regiões diferentes dificulta o laudo de avaliação. São muitos fatores, bairros novos, antigos, crescimento, enfim, por mais técnica que se tenha, sempre há um questionamento. Neste caso, os terrenos eram vizinhos, na mesma avenida, no mesmo quarteirão, divisão muro com muro. Todos os parâmetros iguais, o que facilita tudo em termos de avaliação.
A proposta que encontrei em curso na Codel, e que dei andamento, dava solução para todas as dificuldades: trocar-se-ia o terreno da prefeitura pelo prédio, e com o dinheiro de torna, se estruturaria a parte interna, para Ippul e Codel, mobiliário, etc. Ou seja, não havia necessidade de orçamento, de financeiro.
Assim, alegando que a nova gestão teria uma solução melhor, afastou-se um processo maduro e apto a produzir resultados inéditos em infraestrutura para Codel e Ippul – de cujo bom funcionamento depende muito do desenvolvimento e da qualidade de vida em nossa cidade. São os órgãos de planejamento por excelência.
O que ficou no lugar do projeto
O vazio da afirmação de que a nova gestão teria uma solução melhor foi a correria para arrumar um lugar para Codel na virada do ano, após o arquivamento da permuta. Desocuparam às pressas as duas salas de licitação, localizadas na entrada da Prefeitura e com paredes de vidro, no lugar mais transparente possível (coerente com uma cidade que é a mais transparente do Brasil segundo a CGU). A sala de licitações foi para o espaço de capacitação de servidores da Escola de Governo, que por sua vez não sei para onde foi – desconfio que para lugar melhor não foi… O prejuízo para a transparência é enorme, isso posso falar pela história que tenho com licitações no Município, transparência, etc… Uma solução ruim tem o incômodo de gerar novos problemas…
Mas bem, o assunto aqui é Codel – desculpem o lapso, apesar de importante…
Assim, a companhia foi instalada na correria nas duas pequenas salas de licitação, um espaço de todo inadequado e pequeno para a Companhia de Desenvolvimento do Município. Me parece que não há sala para a presidência no local, espaço para reuniões, para receber empresários, fazer apresentações. É pior do que a sede anterior. E ridiculamente pior do que o projeto que foi arquivado.
Em resumo: hoje, a Codel está na pior situação de infraestrutura de sua história. O Ippul acredito que também, vivendo de um improviso sem fim locando salas na sede da Caapsml.
Onde poderíamos estar
Não custa relembrar que o projeto rejeitado previa um andar para Codel, outro para o Ippul, com auditório e estacionamento comuns, acessibilidade, banheiros, etc. O Ippul já havia previsto distribuição de mobiliário, que seria adquirido com dinheiro da própria operação – sem recursos do caixa do Município. Neste momento, os dois órgãos já estariam instalados em sede própria, com excelente infraestrutura, perto da Prefeitura, da cidade, de rodovias, do aeroporto…seria o melhor dos mundos.
Os responsáveis
Por óbvio, o atual prefeito é o responsável número 1. O coordenador da transição, Gerson Guariente, de quem esperava uma postura de defesa das instituições da cidade. O então membro da transição, representando o Master Plan de Londrina, Diego Menão – aparentemente sem se importar com a história da transparência, licitações e compras locais no Município, ancoradas naquele local, e repetindo o mantra de uma solução melhor. Me perguntei se isso refletia a posição das entidades do Master Plan, se compreendiam a extensão das coisas e de como prejudicavam a própria realização do Master Plan…
O vice-prefeito Junior Santos Rosa e o presidente da Fundação do Esporte, Felipe Prochet – numa conversa pessoal que tive, tentando demovê-los, ou entender o motivo; não conseguiram articular um raciocínio, ficando claro que seguiriam ordens mesmo sem se importar com as consequências.
O presidente da Câmara, Emanoel, que de um apoiador de primeira hora do projeto, depois de se alinhar com o novo prefeito, no bojo da reeleição para presidente da Câmara, virou a cara sem sequer uma explicação. Não para mim, mas para a Codel, a cidade, os servidores… Logo a Câmara, que estava terminando a reforma de seu próprio prédio e sabe a indignidade de colocar servidores para trabalhar em locais tão inadequados.
A mim, todos juntos são responsáveis por deletar uma solução inteligente e trocá-la por um nada. Faltou diálogo, maturidade e visão institucional da cidade.
E agora?
Agora, cabe a todos estes nominados uma solução responsável.
Há uma indignidade muito grande na forma com que os servidores foram empilhados num local em que não cabem. A Codel precisa de um espaço minimamente compatível com sua importância perante Londrina. Para uma cidade que precisa crescer, uma solução é urgente!
Fábio Cavazotti é jornalista em Londrina.















18 comentários
Luiz Flavio
Novo governo, nova administração. Esse é um problema não resolvido nos primeiros 100 dias do CEO Tiogro – o competente – que triplicou o salário dos secretários pq teria que trazer gente da iniciativa privada para resolver tudo etc e tal, e vai blá-blá-blá, blá-blá-blá na orelha do contribuinte. E agora José? Os caras estão ganhando um belo de um salário e nada. Só tapa buraco, ou seja, o mais do mesmo ????
Paulo
A CTD, serve para que?
Somente para encher de cargos onde a pessoa é chefe de si mesmo e promover viagens somente para poucos, né senhor Kul.
Sandro Augusto dos Santos
Este rapaz jornalista, começou no observatório para analisar licitações da Prefeitura. Até o jacaré do pantanal sabia que na realidade ele queria era um cargo na Prefeitura. Foi dito e certo o Belinatti para a prestigiar deu a Secretaria de Gestão para ele., portanto, aproveitou da oportunidade para ficar 8 anos no governo, agora vem com este mi, mim, mi. Não caiu a ficha que a rejeição dele era muito grande em todas as esferas da prefeitura
Hyamada
Vergonha para a classe jornalística. Serzinho insignificante
Ricardo
O que este senhor está reclamando?
Só virou presidente da Codel porque foi barrado em outra Cia, onde na época deu chili.
Vai procurar o caminhão onde caiu.
Nirivaldo Sidellini
É impressionante como este blog se transformou no diário oficial das viúvas do Belinati… Kkkk
Cadê o MP e TCE
Estão reclamando do Fábio Tureta ou do Fábio Cavazotti?
Quem escolheu Procurador Municipal ao estilo Arapongas de Fidelis Canguçu foi o causídico e prefeito Zé Tiago Amaral, que demitiu o homem sem nomear.
Estamos indo bem, só no lamaçal do açude Igapó, do nexialista de Carnaval, do coach do Sebrae, do arquiteto do Ambiente inteiro.
Ainda recebe o famoso Agnaldo Rosa em gabinete instagramável, caçando pokemon com o cohabianse Luciano Godoy em terrenos interessantes.
É uma newyork lounge contínua.
Henrique Sá
Rejeiçãodo rapaz ai é muito alta.
Não fez nd em 8 anos e se acha.
Um jornalista
onde deveria ter um profissional de desenvolvimento.
Tchau querido!
Quanto lixo num texto só!
Tchau querido! ta querendo o que? cargo? vai bater no Tiago ate obter cargo como fez 8 anos atras? um pouco tarde pra isso né! Para pq ta feio guri! hora de baixar a crista
Rafhael
Este Cavazoti quer aparecer. Em 8 não fizeram nada.
Servidora Municipal
Vai pra casa descansar Cavazotti.
Seu tempo já foi e não temos saudades.
Desapega guri.
Perdeu Mané!!!!!!!!!!
Wendel
O pessoal da Codel passou 8 anos de adm Marcelo Belinatti no mesmo lugar. O sr quer resolver no apagar das luzes, mas não conseguiu aprovar. Se fosse a melhor solução, poderia/deveria ter feito antes. Talvez por esse tipo de comportamento a população tenha optado por outro grupo político. Guarde o que vou lhe dizer: outros foram escolhidos para administrar o executivo municipal. O seu grupo político foi escolhido para ir embora. Qualquer cidadão pode reclamar a qualquer momento, mas o sr, só depois de outros 8 anos de adm.
Jorge Luiz
A fala de Fábio Cavazotti, em tom de crítica e denúncia, abre claramente o discurso de posição planejada do Grupo de Marcelo Belinati contra o atual Prefeito TiagoAmaral.
A briga eleitoral de 2026 já começou e Belinati tem ditado o tom por hora.
Rogerinho do Ingá
José Tiago destruiu Londrina em 90 dias. Nem o Lago Igapó suportou essa administração!
Jose Aparecido
essa atual administracao tem tudo para ser a pior que Londrina ja teve… prefeito completamente perdido e despreparado , mentiu sob o slogan novo tempo prometendo o pais das maravilhas, a cmtu com o coach do sebrae que fala mais que papagaio e nao faz p—- nenhuma, alias os funcionarios da cmtu da forma como esta indo nao se assustem se tivermos a primeira greve logo logo, o rapaz de Cambe achou que era brincadeira o negocio, nunca trabalhou na vida sempre na aba do papai, acorda rapaz para de egocentrismo, alias ego é o que reina na mini prefeitura cmtu hj…. lascados pelos proximos 4 anos….
Gostaria
É o famoso necessidade do Desapega.
D E S A P E G A !
Se extinguirem a Codel e CTD ninguém dá falta.
Tá
Coach do Sebrae na CMTU
Nexialista da Paiquerê na CMTU
Cartorário de Registro de Imóveis na Cohab regularizando terrenos
Arquiteto de BIM na Secretaria de Obras
4 vezes secretário e também arquiteto na Secretaria do Meio Ambiente (tirou a palavra Meio e ainfa propôs um Fundo de Proteção de Animais PET com recursos do Meio Ambiente)
Delegado de Polícia na Controladoria da Prefeitura
Ex Soldado PM e provedor de segurança privada na Guarda Municipal
Administradores que divulgam a moda Shopee em gestões administrativas pululam
Ex politicos dando livros e cafeteiras elétricas para manter o rapaz Tiagapó acordado enquanto lê algo
Administradores formados em EAD com pós e MBA também em EAD abundam
Estamos fadados a viver de momentos instagramáveis.
Tóin
Voltaram – Fábio Cavazotti e Marcelo Frazão.
Falta a ONG Contas Abertas ou Transparência Londrina ou Vigilantes da Gestão começar a escrever.
É a Volta dos Que Não Foram.