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Cláudio Osti

As eleições municipais estão chegando, qual é o melhor candidato para Vereador?

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*Por Mário César Carvalho

Se tem uma pergunta que faz a cabeça do eleitor girar mais do que as ofertas de uma Black Friday, é: “Qual e o melhor candidato que poderá ser minimamente um bom vereador para minha cidade?”

Isto porque a escolha do edil ideal é um exercício que mistura estratégia e esperança em um ambiente de loteria. Afinal de contas, estamos falando do representante que vai decidir se aquele buraco na sua rua finalmente será consertado ou se a praça do seu bairro vai continuar parecendo um set de filmagens da série Walking Dead.

A gente sabe que aqui na Terra de Vera Cruz um dos principais critérios para escolher votar em um candidato a vereador é a famosa característica que lhe atribuímos, de que ele tão somente seja “gente boa”. Aquele tipo que conhece todo mundo, que cumprimenta desde a dona Maria que varre a calçada todas as manhãs até o cachorro do vizinho. E se ele te chamar pelo nome e ainda lembrar da sua última dor nas costas, então certo que ganha vários pontos sobre os demais concorrentes. Vamos ser sinceros: quem é que não quer ter um representante na Câmara Municipal que se importa com a sua coluna tanto quanto com o plano diretor da cidade, não é mesmo?

Verdade é que todo mundo adora um vereador que se gaba de ser o rei das obras, do tipo: “Fui eu que coloquei aquele banco na praça” ou “Esse asfalto novo tem a minha digital”— e por aí vai. É claro que somente isso não basta e um bom camarista também deve ser, também, o rei das promessas ao ponto de que quando ele disser que vai reformar o parquinho da pracinha, você até consiga visualizar claramente em sua mente uma gangorra colorida novinha subindo e descendo…… subindo e descendo. Agora, se ele prometer a construção de um mega shopping center ou a instalação de uma imensa fábrica chinesa na periferia, ou que seja uma mera piscina olímpica para o seu bairro, talvez seja bom perguntar se ele não confundiu o cargo de vereador com o de prefeito… ou com o de milagreiro.

Tem aqueles candidatos a vereador que nunca faltam a um evento de bairro. Se estiver rolando um casamento, batizado, quermesse, feira da lua ou similares, lá estará ele segurando um pratinho de bolo, um pastel, uma vitamina, um cafezinho ou um copo de tubaína de groselha, distribuindo sorrisos, acenos, abraços, apertos de mão e afagos na cabeça das crianças. Isso quando não fazem questão de serem os mestres de cerimônias puxando um “Pai Nosso”, um “parabéns a você” seguido do “é pique, é pique” e, se bobear, do “com quem será”. E tudo fazendo a segunda voz. Vai me dizer: Quem é que não quer ter um vereador que transforma uma simples festa de aniversário em um evento quase municipal?

Ah! Também sempre tem aquele candidato defensor dos nossos amigos peludos! Esse é a versão política de um tipo de super-herói que além de lutar para salvar o mundo das mazelas climáticas, se preocupa, também, com a causa animal. Um vereador assim tem tudo para se tonar o queridinho dos eleitores que têm cachorro, gato, tartaruga, calopsita, furão, ou mesmo aqueles que são “tutores” apenas de um único peixinho dourado. Esse tipo de candidato promete propor leis para proteger os animais e quem sabe, talvez até que se crie um feriado municipal denominado “dia da carícia no pet”. E se ele apresentar um projeto para colocar bebedouros e banheiros químicos privativos para os bichinhos nas praças, poderá até ser homenageado com a comenda de “melhor amigo dos melhores amigos do homem”.

Não podemos esquecer daquele candidato moderninho que fala de inovação como se estivesse vendendo smartphones. É aquele que promete que se eleito irá transformar a cidade em uma “smart city”, cheia de wi-fi grátis. Que irá desenvolver aplicativos para marcar consultas nos postos de saúde e até implantar uns robozinhos verdes para recolher o lixo. Se você é fã de tecnologia, esse tipo de vereador é um prato cheio. Agora, cuidado! Se ele prometer instalar inteligência artificial para controlar os gastos do legislativo e executivo municipais, aí será exagero.

Tem também o candidato conservador, que gosta de manter as tradições. É aquele que defende as festas típicas nos bairros, apoia as feiras livres, para quem as festas juninas com fogueira, cadeia, correio elegante e pau-de-sebo são suas prioridades principais. E se você é do tipo de eleitor que gosta de comer um bom pastel na feira enquanto escuta a banda municipal tocando na praça “amigos para sempre” em ritmo de dobrado, então esse vereador tem a sua cara. Mas, não espere que ele vá revolucionar o transporte público—já que, com relação à mobilidade urbana, o máximo que ele irá sugerir será uma charrete decorada, ou um trenzinho iluminado e barulhento para levar as pessoas para passear em volta do Igapó nos calorentos domingos ensolarados.

E em tempos de hoje, sempre tem aquele candidato que também é influenciador digital (o mundo está repleto deles). Esse tipo de candidato pode facilmente ser encontrado no Facebook, no Instagram e no X (até que seja proibido no Brasil) e se bobear, até fazendo dancinha no TikTok! Seu feed é cheio de selfies em obras (acabadas e inacabadas), de lives falando com eleitores e posts de gratidão que mais parecem aqueles uns das incontáveis blogueiras fitness. Se você gosta de acompanhar a política na palma da mão, entre um meme e outro, esse vereador é o ideal.

Então, no final das contas meu caro eleitor, quem é o melhor candidato a vereador?

Esta é uma resposta tão complicada quanto tentar entender o trânsito do cruzamento da Higienópolis com a JK numa segunda-feira chuvosa, o da Airton Sena com qualquer tempo ou como são aplicados os recursos arrecadados com a Zona Azul.

Na verdade, o melhor a vereador é aquele que, além de se preocupar com as questões da cidade como um todo, se envolve, também, na solução dos problemas do seu bairro. É aquele que faz a cidade se mexer ou, pelo menos, garante que na próxima quermesse vai ter pastel de qualidade. Que consegue te arrancar um sorriso, seja num encontro casual na padaria ou nas redes sociais. Afinal, quando se trata de política municipal, um bom vereador é como uma boa piada que faz a gente rir, mas que também faz a gente pensar e se envolver para melhorar a nossa cidade.

Mas brincadeiras à parte, nunca é demais lembrar que o voto é coisa séria e que escolher um bom candidato a vereador vai muito mais além das piadas. Mesmo assim, vamos rir para não chorar! Até porque E o que não falta são motivos para lágrimas aqui na política desta pequena Londres.

*Mário César Carvalho é advogado, professor de direito e colunista neste poderoso blog

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