Em crise de identidade, PSDB quer fincar suas ideias e atuação no "Centro"

Do Congresso em Foco

Partido histórico do Brasil, o PSDB elegeu um novo presidente nesta quinta-feira (30). O ex-governador Marconi Perillo (GO) assume o comando dos tucanos em meio à maior crise de identidade de sua existência. Marconi terá como missão reorganizar a legenda para evitar o seu desmanche ou até mesmo o seu desaparecimento.

Mas uma definição está pouco clara até mesmo entre os principais nomes do partido. Aécio Neves (MG), deputado e ex-presidente da sigla, fala em “radicalizar no centro” para que o PSDB possa marcar posição ao eleitorado. Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que está deixando a presidência do partido e planeja ser o próximo candidato tucano ao Palácio do Planalto, afirma que qualquer radicalização precisa ser acompanhada de “sensatez”.

O PSDB tenta ser uma oposição ao governo Lula (PT), papel que sempre exerceu na política brasileira, mas descolando-se dos bolsonaristas. Durante a convenção nacional do partido, nesta quinta-feira (30), falas sobre fugir da polarização foram frequentes entre os principais nomes tucanos.

O primeiro nome indicado publicamente para ser o seu substituto foi mesmo o ex-governador de Goiás, aliado de Aécio Neves. Mas José Aníbal (SP), do grupo de Leite, não concordou com o cenário. O ex-senador lançou candidatura, que depois de acordo foi retirada em prol de Marconi, e criticou durante a convenção o que chamou de falta de “âncora” do partido.

“O que nós não podemos é ficar fazendo de conta que a nossa unidade é sólida. Nós estamos unidos. Mas é uma unidade que não tem uma âncora política sólida. O PSDB está um pouco perdido no panorama da política brasileira”, disse o ex-presidente do partido tucano durante seu discurso.

Para Aécio, essa âncora seria a radicalização no centro, como forma de mostrar a identidade tucana para o eleitor.

“O partido renasce”, disse Aécio Neves depois da eleição de Perillo. “Nós temos que radicalizar no centro. Nós temos que ser oposição clara, sem adjetivos, a esse governo da gastança, do desequilíbrio fiscal. Somos nós do PSDB que devemos assumir a condução do que eu estou chamando de uma nova via, uma nova via desenvolvimentista, inclusiva do ponto de vista social e ousada no debate das políticas públicas”.

Leite afirma que a radicalização não pode ser semelhante a que o partido avalia que há entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). Para ele, não há necessidade de “falar mal” dos outros, somente mostrar o que o PSDB defende e ter uma identidade própria do partido na oposição.

“É mostrar equidistância dos polos, talvez sendo um terceiro polo. Mas não exercer essa radicalização na forma como os outros polos exercem, que é radicalmente atacando os outros. Nós temos que radicalizar mostrando a nossa posição”, disse Leite. “É possível ser radical em uma posição de sensatez”.

Marconi Perillo, o novo presidente da sigla, vê como foco a reestruturação do partido e o fortalecimento das bancadas tucanas no Congresso. A expectativa é que as eleições de 2024 deem fôlego ao PSDB. “A nossa tarefa será capilarizar o partido e preparar para as eleições do ano que vem”, disse o novo comandante tucano. “Os extremos não levaram o país a ser um país justo, que pudesse resgatar sonhos e esperanças, dar oportunidades, principalmente aos jovens”.

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