Por Adriana Biason
No dia 23 de maio de 2025, a Secretaria Municipal de Educação de Londrina promoveu um encontro com os professores da rede pública municipal, convocado sob o nome de “prática pedagógica”. O evento, que deveria representar um espaço de valorização e escuta, acabou evidenciando desconexões profundas entre a gestão e os profissionais da educação.
Anunciado como um momento de reencontro com os professores da rede, o encontro foi convocado com pouca antecedência e sem diálogo prévio com as escolas. A secretária municipal compareceu ao turno da manhã, mas deixou o evento antes do encerramento, sem realizar uma fala formal de despedida. Sua única aparição no palco foi quando o palestrante, de maneira espontânea, a chamou publicamente — um gesto percebido por muitos como forçado e constrangedor, que apenas reforçou o distanciamento da gestora em relação à rede e ao propósito formativo da atividade.
Além disso, o prefeito não compareceu ao evento e foi representado pelo vice-prefeito, que também não realizou fala institucional. A única manifestação feita pelo vice, em tom informal, foi a frase: “Chamo minhas professoras de tia até hoje” — expressão que carrega um imaginário simbólico de infantilização e informalidade, incompatível com o esforço da categoria em conquistar reconhecimento profissional e institucional. A ausência do chefe do Executivo e a fala deslocada de seu representante foram recebidas como sinais claros de desvalorização da educação pública e de seus trabalhadores.
O desconforto institucional se agravou quando se observou que, mesmo após a reestruturação completa da equipe técnica da secretaria, nenhum dos novos membros foi apresentado aos profissionais da educação. Num momento de tantas mudanças, omitir essa apresentação foi percebido como sinal de descompromisso institucional. O silêncio oficial, onde deveria haver aproximação e escuta, gerou ainda mais distanciamento e frustração.
A escolha do local do evento também causou incômodo: um templo religioso foi utilizado para abrigar a prática pedagógica, e houve um momento de oração pública. Embora se compreenda a dificuldade logística para reunir um número expressivo de profissionais, a condução de um ato religioso num espaço institucional levanta questões importantes sobre o respeito à diversidade e ao caráter laico da educação pública. A rede municipal é composta por sujeitos de diferentes crenças, visões e experiências — e precisa ser acolhida com equidade.
A ausência das equipes dos CEIs conveniados, pela primeira vez nos últimos anos, também não passou despercebida. Essa exclusão simbólica reforça a fragilidade do vínculo institucional com a educação infantil conveniada, justamente no momento em que o debate sobre os convênios está em evidência. Se há defesa política da ampliação dos CEIs, por que a gestão ignora seus profissionais nos momentos formativos? A decisão de não incluir os CEIs em um evento desse porte contradiz o discurso público de valorização dessa etapa e dessas instituições.
Durante o evento, a secretária anunciou a liberação de banco de horas para professores do Ensino Fundamental, exclusivamente para a participação nos Conselhos de Classe. Entretanto, não concedeu o mesmo direito aos profissionais da Educação Infantil para participar da prática pedagógica. Essa decisão escancarou a existência de tratamento desigual entre segmentos da própria rede, o que contradiz o princípio da isonomia de tratamento entre servidores públicos. A valorização da Educação Infantil não pode se restringir ao discurso — ela precisa se manifestar em ações concretas e respeitosas com quem atua nessa etapa fundamental.
Quanto à atividade em si, o palestrante convidado conduziu uma fala estruturada no formato de relato de vida. É importante destacar que sua condução foi forte e comprometida, mas a proposta de storytelling não era adequada para o porte e o momento vivenciado pela rede. O palestrante não recebeu da equipe organizadora nenhuma contextualização prévia dos debates pedagógicos e políticos atuais, o que o deixou deslocado diante das demandas concretas dos educadores. A responsabilidade não é do palestrante, mas da gestão que falhou em planejar, mediar e dar sentido pedagógico ao encontro.
Como resumiu uma professora, em mensagem enviada após o evento:
“O palestrante falou tanto em derrubar paredes, e a atual gestão da SME tem feito o contrário: tem levantado mais do que uma parede — tem erguido um muro entre professores e gestão maior.”
O evento, sem intervalo, teve duração de mais de três horas, em um espaço sem estrutura adequada para alimentação ou circulação. Muitos professores, ao saírem para o banheiro ou tomar água, foram abordados por monitores, o que foi percebido como uma tentativa de controle da permanência — postura que fere o espírito de acolhimento e respeito que deve nortear qualquer ação institucional voltada à formação.
As redes sociais, especialmente o Instagram, tornaram-se espaço espontâneo de relato e resistência. Centenas de comentários foram registrados por professores e professoras que participaram do evento, apontando a insatisfação com a condução da atividade, o desgaste gerado, a falta de escuta e a desconexão com a realidade das escolas.
O que deveria ser um momento de escuta e valorização tornou-se um espelho do que tem sido a condução da política educacional no município: um modelo de gestão centrado na autoridade, na representação simbólica e na desconsideração dos sujeitos que constroem cotidianamente a escola pública. Quando não há escuta, não há gestão democrática. Quando não há reconhecimento, não há valorização. Quando se promove o silêncio, se nega a política educacional como projeto coletivo.















13 comentários
Luiz Flavio
Este grupelho se mantém no poder a base de discurso falso, são contra a Educação, pq um povo educado, que pensa, vai expurgar da vida Publica este tipo de Políticos. Por 3xemplo, aqui no Paraná Governado pelo Ratonho, E PROIBIDO REPROVAR ALUNOS para manter uma falsa nota no IDEB, é só mentira atrás de mentira e este prefeitinho Tiago – o competente – está se enrolando tanto, tanto, que tenho dúvidas se termina o mandato. Se por um milagre acontecer não se reelege, tal qual seu MITO, quero dizer o MINTO (pra DEUS e todo mundo). Londrina não merecia mais um desastre
Julião Mattos
O nosso cover de Ratinho Júnior imita o original até no desprezo pela educação e pelos professores.
Lilian Cardoso
A gestão atual persegue sim! Como é de conhecimentos de muitos ,até as redes sociais são monitoradas! O fato de se fazer campanha e estar exercendo o contraponto ,faz parte do jogo democrático, graças a Deus! Pois estamos vivendo um tempinho estranho …parece que se perdeu o medo de tudo na adm e o MP, FUGIU da cidade.
Gesely Calijuri
Há 17 anos sou professora da Rede Municipal de Londrina, sobre o texto da colega…
A secretária de educação pontuou, no período da manhã, que a agenda do local foi liberada com poucos dias de antecedência, por isso a falta de antecedência em comunicar a rede, porém, informou que a equipe da SME já estava trabalhando, para conseguir realizar tal evento há algum tempo.
Ela também mencionou a relevância da presença do vice prefeito ali, já que ele ajudou na logística do espaço. Quanto a frase “chamo minhas professoras de tia até hoje”, não me senti menos reconhecida profissionalmente, os alunos nos chamam das mais diversas formas e, se sabemos a nossa posição, pouco importa como nos chamam.
Várias outras reuniões da SME já foram realizadas em espaço religioso, inclusive com músicas religiosas e orações, nas quais Adriana Biason e eu, também estávamos presentes.
Com relação a fala do palestrante, cada um enxerga com os olhos que tem, com o momento que está passando … há os que não aproveitaram nada e há os que conseguiram absorver muito, eu me uno ao segundo grupo.
Lembro de uma fala da Adriana Biason, sobre professoras que saíam antes do término das formações, inclusive incluindo um atropelamento próximo de um local onde estava ocorrendo uma formação. Não era uma professora, mas foi um baita susto que a Adriana, enquanto organizadora do evento, passou! No Londrina Mais e em outros eventos, juntamente com membros da sua então equipe, fiquei incumbida da ingrata tarefa de não permitir que as professoras saíssem do espaço durante a formação.
Não adianta ficar reclamando entre os pares, a SME tem os números de contato abertos, as pessoas insatisfeitas poderiam utilizar tais canais.
Agora uma opinião pessoal minha, e somente minha: sempre haverá reclamações! É impossível agradar a todos. A situação da educação está difícil há vários anos e não é exclusividade de Londrina. Precisamos sim, nos manifestar com relação ao que não concordamos. Mas precisamos também, levar em consideração que há muito para mudar, que existem limitações orçamentárias e principalmente, que estamos todos no mesmo barco.
Não seria hora de parar de lançar pedras e começar a estender a mão?
Simone
Opinião, particular, individual, sua, só sua !!! Pai eterno! 🙄
Gostaria
Vania Talarico versus Maria Tereza?
https://br.linkedin.com/in/maria-tereza-paschoal-de-moraes-a2b15b26
X
https://portal.londrina.pr.gov.br/menu-oculto-educacao/perfil-educacao
Ainda estamos no primeiro semestre.
Não dá para reprovar ninguém ainda na SME ou já tem gente com saudades?
Agora essa falta crônica de local para eventos da Educação Municipal é um absurdo hein!?
Indalécio Madruga
Pontos importantes e que precisam ser avaliados. Caso sejam pertinentes, levados em consideração pela atual gestão, mesmo com o fato de a autora do artigo ter feito campanha pra Maria Tereza, conforme se vê em suas redes sociais. São várias as postagens em que ela pediu voto no 11. Pode ser que, em função dessa derrota, ainda não assimilada, a autora do artigo não esteja aberta a gostar de nada do que está sendo feito atualmente. A avaliar.
Christian
Olha o recalque! 🤣😂🤣😂
Beijinhos no ombro!
Panela
Rapaz Cristã deve estar assustado pelo chamado de Infantilizado para o assessorado JuJu MelaRosa, vice prefeito super assalariado que está no descuide e esperando o dia em que na próxima viagem internacional irá assumir e será o vice prefeito afrodescendente no exercício da função de Prefeito de Londrina.
Deve chamar os pastores para uma benção especial a ele, tal qual aquela cena patética no palanque da posse do Barbosa Neto com a ex esposa com camiseta Ele está no Comando.
Daí para cassação e processo contra ela e ele, além do baiano fugido Fábio Goes e a Operação desvio de dinheiro da Saúde e OS Atlântico pelo MP foi um passo.
Se cuida Junior Rosa: para pegar o apelido de Infanto Reborn é um tapinha no becks.
Seria interessante ao vice e ao prefeito ler seus programas de governo, além de aspones como aquele da CMTU que fingiu ser agente de segurança nos CMEIs.
JUJU MelaRosa
Plano de Governo 2020
https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/SUL/PR/2030402020/160001246716/2020/76678
TIAGO AMARAL e Felipe Aprocheite
Plano de Governo 2020
https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/SUL/PR/2030402020/160001086142/2020/76678
TIAGO AMARAL e JuJu MelaRosa
Plano de Governo 2024
https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/SUL/PR/2045202024/160002149971/2024/76678
Eunice Paiva
Essa Prática Pedagógica foi, no mínimo, lamentável.
Uma gestão autoritária nunca atingirá seus objetivos e metas. Esse tipo de liderança causa grande insatisfação nos colaboradores, causa incômodo e desestimula sua equipe.
A comunicação unilateral gera medo , tensão e resistência. Quando temos uma líder autoritária e que não busca a conexão com a realidade e, de forma aleatória, sem qualquer planejamento, promove um encontro com os profissionais da educação, como o que ocorreu na última sexta-feira, percebemos que o “barco” está sem comandante, causando grande desmotivação e baixo engajamento da equipe.
Sem diálogo, sem escuta não será possível construir uma politica educacional democrática.
Marcia
Administração fraca, em todas as Secretarias. Está uma vergonha nossa cidade. Educação, saúde, assistência social, planejamento das ações gerais. Servidores desanimados e falta de pessoal em muitos órgãos. MURO que construíram, kkkkkk, quer dizer MURALHA né.
Coitado de nós, contribuintes da máquina falida, chamada Prefeitura DE LONDRINA.
Cadê o time
Time coeso e unido. Se fosse pelo fim da convocação do Fábio Turetta, deveriam reavaliar o Luiz Nicácio?
Homem de confiança de Barbosa Neto e Marcelo Belinati e agora de Tiago Amaral
https://jornaluniao.com.br/noticias/londrina/caapsml-resolve-deficit-de-quase-r-8-bilhoes-e-tem-superavit-historico
Daí ele contrata a empresa gaúcha que recalculou o déficit bilionário e transformou em superavit de milhões foi fundada em 2017 e tem capital de 50 mil reais – http://cnpj.info/Lumens-Assessoria-e-Consultoria-Atuarial-Lumens-Atuarial
Um delegado de polícia cuidando de licitação e um ex prefeito indiciado pelo MP cuidando da quase bilionária previdência municipal.
https://jornaldacidade.net.br/centenario/ministerio-publico-denuncia-ex-prefeito-de-centenario-do-sul/
Tudo com aval do pai?
https://blog.londrina.pr.gov.br/?p=185290
Ou do filho apenas?
Panela
Since Amaral & Family.
Esperando a inovação feito na Vila Casoni, CTD com IA made in Londrina by Sebrae Coach Fabrício Biaqui on CMTU or Central Park NY Lounge.