O blog é a favor de tarifa baixa para o busão, mas é preciso questionar a forma

Veja. Hoje o contribuinte londrinense paga um dos IPTUs mais caros do Brasil, se não for o mais caro.

A tal Planta de Valores, base para o cálculo do IPTU ficou por muitos anos defasada, sem atualização.  Próprio atual prefeito, quando vereador, foi contra o reajuste do IPTU, alegando que o prefeito da época, se não me falha a memória era o Barbosa Neto, deveria ser mais criativo e buscar outras alternativas de arrecadação para não prejudicar o contribuinte já estrangulado com tantos impostos.

Palavras ao vento.

Ao assumir a prefeitura promoveu o reajuste do IPTU que, em alguns casos, passou de 400%. O arrocho foi tão grande que nos anos seguintes houve a necessidade dos famosos REFIS e uma corrida para a prefeitura em busca de parcelamentos e renegociação de dívidas que quase ninguém conseguia pagar.

Dois anos de pandemia e a prefeitura continua olhando apenas para o próprio umbigo quando se fala em receita. Enquanto em outras cidades os prefeitos reajustaram o IPTU em um porcentual menor do que a inflação ou nem reajustaram devido a crise econômica, o desemprego, a quebradeira das empresas, em Londrina o prefeito manteve a “tabela cheia” e os boletos estão chegando com 10,73% de reajuste.

Para conceder o benefício, o prefeito diz que vai usar o dinheiro do superávit do caixa da prefeitura. Aliás, superávit provindos – fazia tempo que eu não usava essa palavra – do esfolamento do bolso do contribuinte do IPTU.

Aliás, há poucos meses a prefeitura fez um repasse de mais de 20 milhões para as concessionárias do transporte coletivo.  Um leão quando o alvo é o contribuinte, um gatinho manso quando o assunto são as concessionárias.

Algumas perguntas não foram respondidas:

  • Quanto será a real tarifa?
  • Quanto as empresas vão embolsar?
  • Nos próximos anos a tarifa menor será mantida?
  • Ou será apenas a famosa demagogia em ano eleitoral?
  • Quais serviços públicos serão impactados negativamente com esta caridade focada nas empresas?

Os vereadores estão sendo convocados para uma sessão extraordinária hoje para a discussão do projeto de lei para a redução da tarifa. Haverá questionamentos, estudos e análises de impacto, ou vão engolir como taças de champanhe no reveillon?

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Wilson marques
Wilson marques
7 meses atrás

Não sei se este sujeito, prefeito da Gleba , poderia ser chamado de Marcelo Requião , o abaixa ou acaba, ou Marcelo Lerner, o maior ladrão dos paranaenses . Em resumo, medidas eleitoreiras .

Manoel Froes
Manoel Froes
7 meses atrás

Meu Deus, onde anda o Ministério Público? Estão em férias? Não tem plantão? Vamos recorrer a quem fiscaliza MP para reclamar atuação deles aqui?

Guilherme Gonçalves
Guilherme Gonçalves
7 meses atrás

Cláudio, pensemos em
PROGRESSIVIDADE, que é princípio constitucional quando se trata de qualquer tipo de imposto sobre a propriedade. Basta ler a lei – sem necessidade de nenhuma sofisticação – para perceber que as propriedades da população mais pobre NÃO SÃO tributadas. E para perceber que em Londrina, rigorosamente quem tem
Propriedades mais valorizadas – porque localizaras em áreas onde o Poder Público investe muito – são as que mais pagam o IPTU. Logo, sob a ótica da Justiça Social, a conduta do Prefeito está rigorosamente CORRETA!
Quanto aos “lucros” das concessionárias, lembre-se que a equação de equilíbrio financeiro dos contratos foi decorrente de uma licitação feita ainda em 2018, com AMPLA PUBLICIDADE E CONTROLE SOCIAL. Ora, é muito fácil fiscalizar isso…não tem marola: foi um ato corajoso, inédito e, sobretudo, FORA de impacto em eleição municipal – que será apenas em 2024z
Se sua racionalidade prevalecer, qualquer ato de impacto de gestão pública em ano par seria eleitoreiro!
Imprensa tem que ser do “contra” mesmo, tinha razão Millôr Fernandes…mas não vamos exagerar, né?? Quando o gestor público acerta, é preciso reconhecer – senão só faremos contribuir com a “demonização da política”, e se abre espaço para os Moros e Dallagnol’s da vida!!
Grande Abraço!