Há algo muito estranho e cheirando a coronelismo explícito no reino do futebol paranaense. Um estudioso dos bastidores da Federação Paranaense de Futebol alerta, no texto a seguir, a intenção do atual presidente, Helyo Curi, “em adiantar a eleição prevista para fins de março já em 11 de fevereiro é não permitir que seja feita uma chapa contrária a de seu filho o advogado Hélio Parreira Cury Junior”. Confira o enredo que começa em 2008:
O presidente da Federação Paranaense de Futebol, Hélio Pereira Cury, conseguiu sua primeira posse em 2008 quando impugnou a chapa do todo poderoso Onaireves Rolim de Moura, que comandou a FPF por 21 anos. Quatro anos antes, ele era seu diretor de esporte amador e fez uma chapa de oposição contra Moura, que também foi presidente do Atlético Paranaense, mas só obteve 4 votos. Em 2008 participou da disputa determinada pela Justiça e conseguiu derrotar a chapa de Rafael Iatauro, ex-conselheiro do Tribunal de Contas e Chefe da Casa Civil do então governador Roberto Requião. Venceu por 64 a 15 votos. Sua proposta principal era a reforma do Estatuto e fim da reeleição indefinida. Com a escolha do Brasil para ser sede da Copa de 2014 o então presidente da CBF Ricardo Teixeira prorrogou seu mandato e de todos dirigentes da CBF e Federações Estaduais até após a realização da Copa do Mundo.
Portanto o mandato de Hélio Cury, que se encerraria em 2012 foi, prorrogado até 2015, com direito a duas reeleições por entendimento de que o fim da segunda reeleição se daria após a publicação do novo Estatuto, mudando a promessa de fim imediato das reeleições a la Onaireves Moura. Reeleito com o placar de 33 a 25 votos, contra uma chapa encabeçada por Ricardo Gomyde e Juliano Tetto (seu ex advogado na FPF e candidato a vice), Hélio Cury estava apto a disputar uma vaga na CBF quando lançou uma dissidência isolada contra a eleição de Marco Polo Del Nero. Em 2019 foi reeleito para seu último mandato na FPF com 49 votos favoráveis, 3 brancos e 2 nulos – com término em março de 2023.
Com a destituição na CBF de José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo, Hélio Cury deu o pulo do gato, associou-se ao baiano Ednaldo Rodrigues e virou vice presidente da CBF, acumulando com a presidência da FPF. A intenção dele em adiantar a eleição prevista para fins de março para 11 de fevereiro é não permitir que seja feita uma chapa contrária a de seu filho, o advogado Hélio Pereira Cury Junior. Ou seja, pela primeira vez na história o poder pode ser passado de pai para filho, num novo capítulo e reedição do coronelismo de Onaireves Moura, que foi parar na cadeia.














