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Cláudio Osti

O que está por trás da superlotação do PAI

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O que está por trás da superlotação do PAIPor Israel Marazaki

Nas últimas semanas, o Pronto Atendimento Infantil (PAI) de Londrina virou alvo de duras reclamações. Filas exaustivas e superlotação dominam os debates. Iniciamos um acompanhamento direto para entender como um ano de calmaria se transformou em crise.

Pasmem: os dados surpreendem. A crise não é fruto de inércia administrativa. Relatórios provam que a Secretaria Municipal de Saúde adotou medidas preventivas antes do pico da sazonalidade: ampliou o plantão para 10 pediatras e contratou, antecipadamente, 50 leitos infantis na rede conveniada.

É óbvio que ver crianças esperando mais de 5 horas por atendimento é inaceitável. Porém, uma análise observacional nos pronto-atendimentos de dois grandes planos de saúde da cidade mostra que a espera na rede privada tem superado a do PAI. Além disso, Apucarana enfrenta colapso no atendimento infantil e Curitiba cancelou cirurgias eletivas para absorver a demanda pediátrica.

Olhar ao redor deixa claro: o atendimento público de Londrina estruturou-se melhor que o de outras regiões e que o próprio sistema privado local. Há também um limite técnico intransponível: a falta crônica e nacional de pediatras impede novas contratações emergenciais.

Se as ações de mitigação foram tomadas, por que o caos se instalou? A resposta está nos dados epidemiológicos da própria Secretaria de Saúde: a cobertura vacinal contra influenza em crianças de até 6 anos atingiu apenas 18,26% em Londrina.

Esse índice alarmante é o estopim da crise. O PAI saltou para picos de 800 atendimentos diários porque a maioria das crianças ficou vulnerável simultaneamente. Nenhuma urgência suporta essa explosão de demanda quando a prevenção falha nas casas.

O esforço público esbarrou na baixa adesão aos imunizantes. Por que os pais preferem submeter os filhos a horas de fila e dias de sofrimento em vez de vaciná-los?

Atenção, pais: procurem uma UBS e realizem a vacinação de seus filhos antes que eles virem mais um número no PAI. Cobrar o poder público é dever do cidadão; reconhecer a responsabilidade coletiva também é. Em saúde pública, negar números nunca salvou ninguém.

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