
Nas últimas semanas, o Pronto Atendimento Infantil (PAI) de Londrina virou alvo de duras reclamações. Filas exaustivas e superlotação dominam os debates. Iniciamos um acompanhamento direto para entender como um ano de calmaria se transformou em crise.
Pasmem: os dados surpreendem. A crise não é fruto de inércia administrativa. Relatórios provam que a Secretaria Municipal de Saúde adotou medidas preventivas antes do pico da sazonalidade: ampliou o plantão para 10 pediatras e contratou, antecipadamente, 50 leitos infantis na rede conveniada.
É óbvio que ver crianças esperando mais de 5 horas por atendimento é inaceitável. Porém, uma análise observacional nos pronto-atendimentos de dois grandes planos de saúde da cidade mostra que a espera na rede privada tem superado a do PAI. Além disso, Apucarana enfrenta colapso no atendimento infantil e Curitiba cancelou cirurgias eletivas para absorver a demanda pediátrica.
Olhar ao redor deixa claro: o atendimento público de Londrina estruturou-se melhor que o de outras regiões e que o próprio sistema privado local. Há também um limite técnico intransponível: a falta crônica e nacional de pediatras impede novas contratações emergenciais.
Se as ações de mitigação foram tomadas, por que o caos se instalou? A resposta está nos dados epidemiológicos da própria Secretaria de Saúde: a cobertura vacinal contra influenza em crianças de até 6 anos atingiu apenas 18,26% em Londrina.
Esse índice alarmante é o estopim da crise. O PAI saltou para picos de 800 atendimentos diários porque a maioria das crianças ficou vulnerável simultaneamente. Nenhuma urgência suporta essa explosão de demanda quando a prevenção falha nas casas.
O esforço público esbarrou na baixa adesão aos imunizantes. Por que os pais preferem submeter os filhos a horas de fila e dias de sofrimento em vez de vaciná-los?
Atenção, pais: procurem uma UBS e realizem a vacinação de seus filhos antes que eles virem mais um número no PAI. Cobrar o poder público é dever do cidadão; reconhecer a responsabilidade coletiva também é. Em saúde pública, negar números nunca salvou ninguém.















4 comentários
Nirivaldo Sidellini
Em resumo, bolsonarismo faz mal às crianças e, por consequência, às famílias.
Bom Saber
Será que há serviço atrasado no Planejamento da prefeitura?
As pombas já foram recenseadas?
O Parque do 3 Bocas já foi licitado em sua reforma?
Marcos Rambalducci
Que bom ter a oportunidade de ler comentários dessa natureza, marcados por lucidez, propósito e espírito construtivo. As opiniões podem ser favoráveis ou críticas, isso pouco importa. O que importa é que sejam capazes de ampliar o debate e contribuir de forma efetiva. Parabéns, meu caro.
Rubens
Parece que está havendo mais que problemas de atendimento, estão vacinando os filhos? Está havendo cuidados e zelo com as crianças? Pais estão aptos a cuidar dos filhos? Pais estão fazendo cursos de Puericultura?