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Editor:
Cláudio Osti

O Teatro dos Blindados

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Por Almir Escatambulo

Olho para o Brasil nesses tempos de campanha eleitoral e sinto uma náusea crônica, aquela velha conhecida que nos acompanha desde as caravelas. O futuro chegou e trouxe consigo o mesmo mofo do passado, agora envelopado em cortes de TikTok, inteligência artificial e transmissões ao vivo. Faltam poucas semanas para o primeiro turno e nós continuamos os mesmos palhaços no mesmo picadeiro, assistindo à campanha oficial começar no streaming, fingindo que a lona não está pegando fogo.

Sérgio Buarque de Holanda, coitado, se estivesse vivo, ganharia um prêmio de profecia algorítmica. Olhem para Brasília, para as sabatinas presidenciais na TV, para os bastidores dos partidos. A competência continua sendo um detalhe incômodo, um erro de etique…
E por que isso funciona? Porque Raymundo Faoro matou a charada: o Estado não se move pela sociedade civil; ele a rege, com chicote, arcabouço fiscal e carimbo. A política econômica é um cabo de guerra estéril, mas o topo da pirâmide permanece intacto. Enquanto o Congresso Nacional discute a exclusividade de estatais em encomendas internacionais para salvar arrecadação, as Excelências se blindam. Nos debates televisivos de 2026, os líderes das pesquisas — Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro — dão-se ao luxo de faltar aos primeiros confrontos. Eles não precisam debater. Eles têm a chave do cofre. Os “donos do poder” continuam encastelados, decidindo nossas vidas de cima para baixo. O cidadão comum acorda cedo, paga impostos pornográficos sobre compras…
E como eles garantem que tudo isso continue rodando sem sobressaltos? Pela ignorância programada, o eterno projeto que Darcy Ribeiro denunciou. Este ano, os planos de governo de gregos e troianos convergem cinicamente para promessas cosméticas, como a expansão do ensino em tempo integral. No papel, tudo é lindo. Na prática, a educação foi reduzida a um campo de batalha ideológico estúpido no WhatsApp, enquanto as escolas continuam caindo aos pedaços. Um povo que não lê, que não pensa, que consome propostas rasas de candidatos performáticos e coachs messiânicos que invadiram a corrida presidencial, é o eleitorado perfeito. A ignorância é o cimento que mantém os donos do poder no topo e o resto de nós no chão de fábrica.

O Brasil às vésperas da eleição de 202…

Almir Escatambulo é Cientista Social e colaborador do Portal

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