É, Londrina chegou aos 91 anos, vibrante como sempre.
Lá da casa de madeira, na rua Tamanduátei, 546, na Vila Recreio, periferia da periferia daquele tempo, rua pequena, com três quadras, e que terminava bem em frente a escola municipal, ao lado do campinho do Avante, a gente olhava para os prédios do centro. Volta e meia aparecia um novo com a velocidade de quem tem pressa.
Vez ou outra eu e alguns amigos íamos para a cidade. Naquela época quem morava na periferia, quando ia para o centro, dizia que ia para a cidade. Era uma festa.
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Todas as ruas eram de terra batida. Quando ficava muito tempo sem chover, a gente, que praticamente só andava descalço, quando pisávamos naquele chão, a sensação era de estar pisando num talco vermelho, que subia entre os dedos do pé rachado. Uma brisa qualquer e aquele pó grudava nas roupas, para infelicidade das nossas mães.
No bairro as ruas tem nome de rios. Saíamos da Tamanduátei, entravamos na Taquari até a Rua São Vicente. Pouco mais de três quilômetros em linha reta e chegávamos na Estação Ferroviária.
Sempre uma aventura. Pulávamos entre os vagões até chegar na bilheteria. Vez ou outra, tio Paulo, ferroviário, nos deixava entrar nos vagões e até fazer alguns curtos passeios nos trens durante suas manobras.
Hoje, museu histórico, o prédio da Estação Ferroviária, entendi muitos anos depois, é uma mistura de estilos bem diferentes, com aqueles telhados que lembram os usados em países que sofrem com a neve, e outras nuances de estilo mais moderno.
Mais alguns metros, atravessávamos a praça Rocha Pombo, uma escada e, pronto, estávamos na Rodoviária, que de tão diferente – arquitetura do genial Vilanova Artigas – sempre encantava quem passava por ali.
Ao lado, o Relojão, o nosso Big Ben caipira, na época, também um ponto turístico.
Mais uma pernada, passavamos pela Avenida Paraná, Praça da Bandeira, e logo acima a nova Cadetral, que mais parecia e continua parecendo uma tenda de acampamento gigantesca.
Uma visita ao bosque, com seu pequeno zoologico, com aves, macacos, pipoca e o suco saci.
O antigo terminal urbano, ficava no meio do bosque.
Meu pai, o José Maria, motorista e depois fiscal da Viação Urbana Londrinense, estava sempre por lá, organizando e fiscalizando o trabalho dos motoristas e cobradores. Bonitão, inteligente, simpático, boa praça foi padrinho de casamento de um punhado deles.
Depois do passeio, ele liberava a catraca e nos colocava no busão de volta para a Vila Recreio.
Lá se vão algumas décadas.
Londrina é assim, em todos os momentos novos e velhos encantos se encontram.
Parabéns nossa queridona.
















1 comentário
História
https://x.com/mariacorinaya/status/1998825458100568130?s=48&t=Dy0M_8_O4ty3TrCmImJycQ
Parabéns Maria Corina Machado