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Cláudio Osti

Parabéns nossa queridona de 91 anos

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Parabéns nossa queridona de 91 anos

 

É, Londrina chegou aos 91 anos, vibrante como sempre.

Lá da casa de madeira, na rua Tamanduátei, 546, na Vila Recreio, periferia da periferia daquele tempo, rua pequena, com três quadras, e que terminava bem em frente a escola municipal, ao lado do campinho do Avante, a gente olhava para os prédios do centro. Volta e meia aparecia um novo com a velocidade de quem tem pressa.

Vez ou outra eu e alguns amigos íamos para a cidade. Naquela época quem morava na periferia, quando ia para o centro, dizia que ia para a cidade. Era uma festa.

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Todas as ruas eram de terra batida. Quando ficava muito tempo sem chover, a gente, que praticamente só andava descalço, quando pisávamos naquele chão, a sensação era de estar pisando num talco vermelho, que subia entre os dedos do pé rachado. Uma brisa qualquer e aquele pó grudava nas roupas, para infelicidade das nossas mães.

No bairro as ruas tem nome de rios. Saíamos da Tamanduátei, entravamos na Taquari até a Rua São Vicente. Pouco mais de três quilômetros em linha reta e chegávamos na Estação Ferroviária.

Sempre uma aventura. Pulávamos entre os vagões até chegar na bilheteria. Vez ou outra, tio Paulo, ferroviário, nos deixava entrar nos vagões e até fazer alguns curtos passeios nos trens durante suas manobras.

Hoje, museu histórico, o prédio da Estação Ferroviária, entendi muitos anos depois, é uma mistura de estilos bem diferentes, com aqueles telhados que lembram os usados em países que sofrem com a neve, e outras nuances de estilo mais moderno.

Mais alguns metros, atravessávamos a praça Rocha Pombo, uma escada e, pronto, estávamos na Rodoviária, que de tão diferente – arquitetura do genial Vilanova Artigas – sempre encantava quem passava por ali.

Ao lado, o Relojão, o nosso Big Ben caipira, na época, também um ponto turístico.

Mais uma pernada, passavamos pela Avenida Paraná, Praça da Bandeira, e logo acima a nova Cadetral, que mais parecia e continua parecendo uma tenda de acampamento gigantesca.

Uma visita ao bosque, com seu pequeno zoologico, com aves, macacos, pipoca e o suco saci.

O antigo terminal urbano, ficava no meio do bosque.

Meu pai, o José Maria, motorista e depois fiscal da Viação Urbana Londrinense, estava sempre por lá, organizando e fiscalizando o trabalho dos motoristas e cobradores. Bonitão, inteligente, simpático, boa praça foi padrinho de casamento de um punhado deles.

Depois do passeio, ele liberava a catraca e nos colocava no busão de volta para a Vila Recreio.

Lá se vão algumas décadas.

Londrina é assim, em todos os momentos novos e velhos encantos se encontram.

Parabéns nossa queridona.

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