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Cláudio Osti

Prefeitura de Londrina explica porque perdoou multa para empresa e lança nova licitação para obras no Zerão

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O Ministério Público de Londrina enviou um pedido de informações para a Prefeitura de Londrina para saber porque o município perdoou uma multa de mais de 400 mil para a empresa que ganhou a licitação para a reforma do Zerão e não executou a obra.

Ontem os secretários de Obras, Gestão e Planejamento conversaram com a imprensa para explicar a situação e informar que está lançando uma nova licitação para reformar o espaço.

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Veja abaixo a matéria do Núcleo de Comunicação da Prefeitura:

 O Zerão, tradicional área de lazer e prática esportiva localizada na área central de Londrina, receberá uma ampla revitalização, com expectativa de início ainda neste semestre. A execução dos serviços, que abrangem reforma e modernização de áreas esportivas, de lazer e infraestrutura urbana, ficará a cargo da empresa vencedora da licitação n° 06/2026. O edital está disponível no Portal de Licitações da Prefeitura, com abertura programada para 15 de maio, às 13h, na modalidade de Concorrência Eletrônica. 

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O projeto, elaborado por equipe técnica do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), prevê melhorias em acessibilidade, iluminação, segurança, renovação das áreas esportivas e criação de espaços mais adequados para crianças e pessoas com mobilidade reduzida. O valor máximo destinado a essa obra é de R$ 2.740.439,66, incluindo contrapartida do Município e recursos provenientes de emenda parlamentar, na ordem de R$1.983.032,77, viabilizada pela deputada federal Luisa Canziani.  

Prefeitura de Londrina explica porque perdoou multa para empresa e lança nova licitação para obras no Zerão
Foto: Emerson Dias/ NCom

Os recursos federais, que totalizam R$ 3.828.065, foram formalizados em Contrato de Repasse firmado entre a Prefeitura de Londrina e a Caixa Econômica Federal. Inicialmente, o montante seria aplicado por meio da licitação n° 6/2024, cujo edital contemplava dois lotes: a revitalização do Zerão e da Praça do Jardim Piza. O certame foi vencido pela empresa MF Empreendimentos, com homologação em junho de 2024, seguida de assinatura de contrato e emissão da ordem de serviço no mês seguinte. No entanto, a obra não foi iniciada. 

Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (27), no auditório da Prefeitura, o secretário municipal de Obras e Pavimentação, Otavio Gomes, informou que, diante da não execução dentro do prazo contratual, a Prefeitura de Londrina instaurou, ainda em julho de 2024, um processo administrativo de penalidade contra a construtora MF Empreendimentos. Esse processo apurou, entre outras infrações, o descumprimento do contrato por parte da empresa. A decisão final, proferida em janeiro de 2025, previa rescisão do contrato, impedimento de licitar ou contratar com o Município pelo período de 18 meses, e aplicação de multa no valor de R$438 mil. 

Na sequência, a construtora apresentou recurso, contestando pontos que, segundo a empresa, não constavam no edital da licitação e impediam o início da obra. Além disso, a construtora requereu um aumento significativo no valor contratado.  

Prefeitura de Londrina explica porque perdoou multa para empresa e lança nova licitação para obras no Zerão
Foto: Emerson Dias/ NCom

A pedido da Secretaria Municipal de Gestão Pública (SMGP), que conduziu o processo administrativo, os recursos da empresa foram analisados pela Procuradoria-Geral do Município, que emitiu parecer propondo a nulidade da decisão administrativa e provendo parcialmente o recurso. “No nosso entender houve uma falha, porque não foram considerados todos os argumentos que a empresa tinha apresentado na sua defesa; então a Procuradoria-Geral orientou que essa decisão fosse anulada, a multa fosse cancelada e fosse proferida uma nova decisão. Essa decisão poderia ser no mesmo sentido, aplicando penalidade, ou aplicando uma penalidade mais branda ou mesmo não aplicando penalidade alguma”, informou o procurador-geral em exercício, Sérgio Veríssimo de Oliveira Filho. 

Durante a entrevista coletiva, o secretário municipal de Obras e Pavimentação explicou que a orientação da PGM foi acatada, com anulação do processo e suas penalidades. Um novo processo administrativo foi instaurado e, durante sua tramitação, a empresa solicitou uma reunião com a Prefeitura. “Os motivos que eles alegam são que existiam falhas no processo licitatório, muitos itens não foram esclarecidos, o processo e o contrato divergiam, então não tinham segurança jurídica para dar continuidade nessa obra. Um outro fato, eles pediram um reequilíbrio já de início, antes de começar a obra, de mais de R$ 900 mil. Isso vai contra qualquer tipo de normativa em relação a licitações, porque nós podemos aditivar apenas 25% dos nossos contratos. Na verdade, fizemos várias reuniões colegiadas e foi constatado que havia, sim, algumas falhas no processo licitatório. E se nós levássemos adiante esse processo, teríamos várias perdas para o Município”, citou. 

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Foto: Emerson Dias/ NCom

Diante desse cenário, e com participação de diversas secretarias municipais, foi proposta a rescisão consensual do contrato. Embora o Município tivesse novo processo de penalidade em andamento, a empresa indicou que os apontamentos e divergências seriam levados à esfera judicial, o que poderia prolongar a questão por período indeterminado. 

Um dos principais riscos era a perda dos recursos federais, já que os dois lotes estavam vinculados à mesma emenda parlamentar. “Não tínhamos segurança jurídica para seguir com um processo judicial, porque foi constatado, de fato, que havia essas falhas. Então, provavelmente, a gente poderia não apenas perder a obra e deixar um local importante sem ser utilizado, mas ainda ter um revés jurídico, uma multa ou algum tipo de ação a ser paga pelo Município”, ressaltou Gomes. 

A rescisão amigável foi aprovada pela Procuradoria-Geral e demais secretarias envolvidas, por manter o interesse público em primeiro plano. Com isso, a Prefeitura viabilizou a contratação da segunda colocada para a obra da Praça do Jardim Piza, garantindo a liberação dos recursos federais. Os trabalhos tiveram início em abril, com previsão de conclusão em outubro deste ano. 

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Foto: Emerson Dias/ NCom

E de acordo com a diretora de Planejamento da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Deborah Pereira Ramos, esses riscos não se limitavam às obras de revitalização do Zerão e do Piza, podendo afetar outros convênios da Prefeitura com a Caixa se os recursos não fossem utilizados dentro do prazo. “Como Pnão havia pagamento realizado, a gente poderia perder esse recurso. Após diálogo com o Ministério das Cidades, fizemos a justificativa, enviamos toda a documentação e conseguimos a prorrogação do prazo, novamente. Com a execução da obra no Piza, já não vamos mais correr esse risco. Mas se entrássemos em inexecução financeira, eles bloqueavam novos convênios”, frisou.  

Prefeitura de Londrina explica porque perdoou multa para empresa e lança nova licitação para obras no Zerão
Foto: Emerson Dias/ NCom

As empresas habilitadas para o lote do Zerão também foram consultadas, mas não manifestaram interesse em assumir o projeto. Dessa forma, foi necessário elaborar uma nova licitação, que será aberta no dia 15 de maio. 

Para evitar novos questionamentos e permitir que o processo licitatório transcorra sem problemas, o edital para licitar a revitalização do Zerão foi revisado e passou por algumas adequações, de acordo com o secretário municipal de Gestão Pública, Sergio Willian Costa Becher. “Aproveitando os questionamentos que a empresa, na época, apontou naquele processo, nós referendamos e, juntamente com a Secretaria de Obras e Pavimentação, foi feita uma análise. Até mesmo das condições de medição, condições de pagamento, os pontos controversos, para que ocorra um melhor esclarecimento e todas as empresas que forem participar tenham pleno conhecimento de quais são as condições para que a Caixa Econômica valide as medições e convalide para que seja feito o pagamento à empresa”, citou. 

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