Prefeitura “requisita” de empresas estoque de máscaras para serviços essenciais

Belinati e o secretário de Gestão, Fábio Cavazotti – foto Emerson Dias

do N.Com/Juliana Gonçalves

Para garantir a proteção de todos os servidores que atuam em áreas essenciais, como saúde, segurança e assistência social, a Prefeitura de Londrina requisitou o estoque de fabricantes e distribuidores localizados em Londrina e região. Máscaras, luvas, lençóis, óculos, roupas e outros itens descartáveis formam os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que os profissionais devem utilizar para evitar o contágio pelo COVID-19.

Por conta da pandemia mundial do coronavírus, muitos destes itens não são mais encontrados com facilidade, tanto para compras em atacado como varejo. Dessa forma, a Prefeitura requisitou o fornecimento dos materiais de proteção e higiene, para serem utilizados por servidores do Município, e também aos pacientes das unidades de saúde.

O prefeito Marcelo Belinati explicou, durante coletiva realizada nesta segunda-feira (23), que as equipes da Prefeitura estão percorrendo, desde sábado, as distribuidoras desses produtos. “O profissional que está na linha de frente precisa de equipamentos para poder dar atendimento às pessoas. Máscara, gorro, roupa, óculos, álcool em gel, são materiais essenciais para garantir que essas pessoas farão o atendimento, minimizando os riscos que elas possam ter de adquirir o coronavírus”, destacou.

Foto: Emerson Dias

Marcelo também agradeceu aos empresários que, mesmo não sendo fornecedores de insumos para a Prefeitura nas vias tradicionais, estão atendendo as requisições e disponibilizando seus estoques. “Muitos deles não vendiam para a Prefeitura, mas agradeço a compreensão dessas pessoas. Precisamos que o time de frente tenha condição de atender nossa população, sem o risco de contrair a doença. E muita gente foi comprar esses itens, ao mesmo tempo, por isso houve um desabastecimento”, comentou.

O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, reforçou a necessidade das requisições, feitas pelo Município, para prover os estoques com produtos de higiene, limpeza e de proteção individual. “Todo esse esforço da Prefeitura é para garantir a proteção dos servidores. Tínhamos um planejamento de compra, os registros de preços, mas com a oscilação do mercado em nível mundial, as empresas que tinham contrato com a prefeitura não estão conseguindo cumprir. Por isso a necessidade de partirmos para a requisição, visando que os profissionais tenham condição adequada para atender a população”, enfatizou.

As empresas e fábricas que queiram fornecer seus produtos e insumos para o Município podem entrar em contato com a Secretaria Municipal de Gestão Pública, pelos telefones 3372-4383 ou (43) 9 9141-1750.

De acordo com o secretário municipal de Gestão Pública, Fábio Cavazotti, as requisições possuem caráter emergencial. “Essa operação é uma medida bastante extrema, mas compatível com o momento que estamos vivendo. Utilizamos prerrogativas que o poder público tem para ir até as empresas e fazer requisição, ou seja, dizer que o material vai ser utilizado pelo Município. Esse procedimento é legal, a gente requisita, começa a usar, e na sequência inicia o processo de pagamento desse serviço”, esclareceu.

Para que o custo dos materiais adquiridos emergencialmente não sofra aumentos exorbitantes, a requisição emitida pela Prefeitura prevê que o valor cobrado será calculado pela média de preços praticados nos últimos doze meses, comprovados em notas fiscais.

Além dos fornecedores dos produtos descartáveis de proteção individual, a Prefeitura também convida outros fornecedores que, mesmo sem estoque para pronta entrega, tenham previsão de abastecimento nos próximos dias ou semanas. “Estamos no início de uma crise que deve perseverar por médio e longo prazo, e essas requisições são suficientes para nos atender nesse momento. Temos um grupo de trabalho focado só em suprimento, com o objetivo de contratar fornecedores que, mesmo que não possam entregar hoje, nos forneçam futuramente. Solicito que façam contato conosco, os fornecedores de máscaras, rouparia, luvas e outros produtos de saúde e limpeza, pois nosso desafio é estimar quais serão nossas necessidades em um prazo que pode ir de 90 a 180 dias, e termos fornecedores para todo esse período”, frisou.

Parcerias – Cavazotti citou ainda que a Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL) está contribuindo com o fornecimento de tendas, em uso na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Francisco de Arruda Leite, no Jardim Sabará. “A ACIL e outras entidades têm nos ajudado a aproximar dos empresários, para fornecerem os produtos que precisamos, e também fazer doações e ajudarem de todas as formas. Carros e motos vão percorrer toda a cidade, reforçando a necessidade do isolamento, e isso é uma doação da ACIL. E o empresário que também puder contribuir, faça contato, e vamos direcionar às áreas devidas. Tudo que chegar ao Município, faremos chegar nas pessoas que mais necessitam”, complementou.

Segundo o presidente da ACIL, Fernando Maurício de Moraes, a articulação envolve associações e entidades que, juntas, tentam localizar onde há estoque disponível para compra e, também, possíveis doações. “Junto com outras entidades e empresários, estamos desenvolvendo esse trabalho para criar um elo com a Prefeitura. Conseguimos, além das tendas e carros de som, uniformes que serão doados para a Prefeitura, e verificando fábricas que produzam máscaras. Queremos, de todas as formas, não deixar o pessoal sem suprimentos”, citou.

3 comentários em “Prefeitura “requisita” de empresas estoque de máscaras para serviços essenciais

  • 23/03/2020, 20:39 em 20:39
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    O poder público tem a obrigação de controlar a produção, a aquisição e a distribuição dos equipamentos de proteção individual de quem trabalha no setor de saúde e dos doentes que vierem a ser internados. E o poder público, numa situação de pandemia, não pode em hipótese alguma ser vítima da chantagem de empresários gananciosos e desumanos. Se os serviços de saúde de Londrina e região não montarem em pouco tempo um estoque significativo desses equipamentos (roupas descartáveis, máscaras, álcool gel, respiradores…), enfrentarão situação dramática que servidores da saúde já estão sofrendo em São Paulo e Rio de Janeiro. Quem viver verá.

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  • 24/03/2020, 00:23 em 00:23
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    Cuidado aí, prefeito, o seu amigo Bolsonaro pode querer confiscar esse material que você “requisitou” (Parabéns!) de algumas empresas como ele tentou fazer com os ventiladores pulmonares adquiridos por uma prefeitura nordestina! O idiota não faz e quer atrapalhar quem está fazendo.

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  • 24/03/2020, 08:05 em 08:05
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    E a declaração das 48 horas, que segundo o padrão taroba de jornalismo não é válido como notícia, vai publicar quando?

    Já sei. Vai passar um pano igual esses dois sujeitinhos mentirosos da foto. Quem diria em Claudiao, nos tempos da vigília da Câmara do Caso Ama Comurb, o Bocudinho ao lado do Billy Bacana pela mesma causa. E fazendo pose de sérios……

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