A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (17), reforça uma característica que vem se desenhando na corrida presidencial de 2026: a eleição está, neste momento, fortemente concentrada apenas em Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Nem mesmo candidatos que deixaram os governos estaduais recentemente, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), com respeitável aprovação em seus estados, conseguiram quebrar a polarização e engatar uma terceira via competitiva.
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No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 36%. Augusto Cury (Avante) tem 6%, Ronaldo Caiado (PSD), 4%, Renan Santos (Missão), 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%.
A diferença entre Lula e Flávio é de três pontos, mas, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.
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Mais importante talvez seja observar o movimento em relação à pesquisa anterior, de 11 de setembro. Lula permaneceu nos 39%, enquanto Flávio passou de 35% para 36%. Ou seja, o cenário mudou pouco em apenas uma semana, mas o candidato do PL reduziu numericamente a distância para o presidente.
O segundo turno é o principal sinal de alerta para os dois lados
É no segundo turno que a pesquisa apresenta um dos dados mais significativos.
Em uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 46%, contra 44% de Flávio. Como a margem de erro é de dois pontos, trata-se novamente de empate técnico.
O resultado mostra que a vantagem numérica de Lula não se transforma, neste momento, em uma vantagem estatisticamente consolidada.
E há outro aspecto importante: Lula e Flávio apresentam exatamente 47% de rejeição. Na pesquisa anterior, ambos tinham 46%.
Isso ajuda a explicar por que a eleição permanece tão equilibrada. Os dois candidatos possuem bases eleitorais fortes, mas também enfrentam um nível elevado de resistência entre os eleitores.
Em outras palavras, a disputa não está sendo travada apenas pela capacidade de conquistar novos votos. A capacidade de impedir que o adversário amplie sua votação pode ser igualmente importante.
O eleitorado parece dividido em dois grandes campos
A fotografia do Datafolha revela uma eleição com características bastante semelhantes às observadas na polarização nacional dos últimos anos.
Lula continua apresentando desempenho particularmente forte entre eleitores de menor renda, menos escolarizados, católicos e no Nordeste. Flávio Bolsonaro, por sua vez, aparece melhor entre evangélicos, eleitores de maior renda e no Sul.
Isso significa que existe uma divisão social e regional bastante clara no eleitorado.
O desafio dos dois candidatos, portanto, é diferente.
Lula precisa preservar sua base tradicional e ampliar sua capacidade de diálogo com segmentos nos quais a oposição apresenta maior força.
Flávio, por sua vez, precisa transformar a força do eleitorado identificado com o bolsonarismo em uma votação nacional suficientemente ampla para ultrapassar Lula.
A terceira via continua sem conseguir se aproximar dos líderes
Talvez uma das informações mais relevantes da pesquisa esteja justamente nos números dos candidatos que aparecem depois de Lula e Flávio.
Augusto Cury tem 6%, enquanto Caiado aparece com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 2%.
O problema para esses candidatos é que a distância não está apenas na intenção de voto do primeiro turno.
Nas simulações de segundo turno, Lula aparece com:
- 46% contra 42% de Caiado;
- 49% contra 39% de Zema;
- 47% contra 38% de Renan Santos;
- 44% contra 44% de Augusto Cury.
O cenário com Cury chama atenção porque é o único, entre esses confrontos, em que aparece empate numérico de 44% a 44%.
Isso mostra que existe espaço eleitoral fora da polarização, mas, até agora, esse espaço não se transformou em uma candidatura capaz de disputar o primeiro lugar.
Um eleitorado ainda não totalmente fechado
Outro dado importante é o da decisão do voto.
Segundo o levantamento, 76% dos entrevistados afirmam estar totalmente decididos, enquanto 24% dizem que ainda podem mudar de voto.
É justamente nesse grupo que pode estar uma parcela decisiva da movimentação eleitoral das próximas semanas.
Mas é preciso tomar cuidado para não interpretar esses 24% automaticamente como votos disponíveis para um determinado candidato. Eles representam eleitores que admitem mudar de escolha, não necessariamente eleitores dispostos a abandonar sua atual preferência.
Além disso, pesquisas eleitorais são fotografias do momento e não previsões do resultado final.
A rejeição pode ser tão importante quanto a intenção de voto
O empate em 47% de rejeição entre Lula e Flávio merece atenção especial.
Em uma eleição polarizada, a rejeição elevada dos dois principais candidatos pode produzir uma dinâmica em que o eleitor não escolha necessariamente seu candidato preferido, mas aquele que considera mais aceitável diante do adversário.
Esse fenômeno ajuda a explicar por que os números de primeiro e segundo turnos podem permanecer tão próximos.
Também cria um problema para os dois lados: qualquer tentativa de crescimento precisa ser feita sem necessariamente aumentar ainda mais a rejeição.
O que a pesquisa realmente mostra?
Mais do que apontar simplesmente Lula em primeiro lugar, o Datafolha de 17 de setembro apresenta uma eleição aberta e extremamente polarizada, com dois candidatos concentrando a maior parte das intenções de voto e praticamente empatados nas simulações de segundo turno.
Lula mantém a liderança numérica no primeiro turno e também no confronto direto com Flávio, mas dentro da margem de erro. Flávio, por sua vez, aparece próximo o suficiente para manter a disputa em situação de equilíbrio estatístico.
Ao mesmo tempo, os números dos demais candidatos indicam que a chamada terceira via ainda precisa superar uma barreira importante: transformar votos residuais ou de nicho em uma candidatura nacional capaz de quebrar a concentração eleitoral dos dois líderes.
A pesquisa também mostra que a eleição ainda possui uma parcela relevante de eleitores potencialmente móveis, embora a maioria já declare ter sua escolha definida.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais, em 125 municípios, entre 15 e 17 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-04029/2026.















1 comentário
Bom Saber
Londrina dá novo cargo a Fabrício Bianchi em entidade privada?
Não deu certo no Sebrae.
Não deu certo no cargo do Alex Canziani.
Não deu certo como síndico no edifício onde morava no Gleba Palhano.
Não deu certo como Conselheiro do CTD.
Não deu certo no Ecossistema 43 MasterPlan.
Não deu certo na CMTU com Tiago Matagal.
Não dá certo na Codel.
Não deu certo no Conselho da CTD e Londrina Iluminação que Tiago Amaral deixou para ele acumular jeton.
Agora virá Diretor de entidade privada sem abandonar o cargo da Codel?
Fabrício Bianchi
https://www.tribunapr.com.br/noticias/parana/novo-instituto-quer-impulsionar-inovacao-e-tecnologia-no-norte-do-parana/
Presidente Mário Marcondes da operadora de contratos de pedágio e água
Conasa
https://www.aguasdeitapema.com.br/conheca/grupo-conasa
https://www.conasa.com/