Caça ao lobo

Ex-ministro Edson Lobão seria beneficiário de esquema de propina envolvendo AP Energy e Camargo Corrêa
Um depoimento obtido pela Polícia Federal está ajudando a fechar o cerco da propina de Belo Monte ao ex-ministro Edison Lobão (PMDB-MA). Pela primeira vez, o empresário Fernando Brito, dono da empresa AP Energy, admitiu que assinou contratos de fachada com a Camargo Corrêa. O objetivo dos contratos, de R$ 2 milhões, era devolver os recursos em dinheiro em espécie, que seriam usados pela Camargo para os pagamentos a Lobão. “Ficou acertado que o objetivo da transferência de valores da Camargo Corrêa à AP Energy era de que fosse feito ‘dinheiro vivo’, o qual deveria retornar à própria Camargo Corrêa”, afirmou Brito. Ele confessou ficar com 8% dos contratos com a Camargo, mas disse não saber que a propina era para Lobão. O ex-ministro tem negado as acusações.

Leitor voraz

Mesmo sem fazer delação, Fernando Brito revelou a sistemática: “Quando as quantias já estavam disponíveis em seu escritório, entrava em contato com Luiz Carlos Martins [executivo da Camargo] e avisava sobre isso, usando sempre linguagem cifrada ao telefone, mencionando a chegada dos ‘livros’”. Diz que foram quatro entregas.

Mentiram?

O depoimento emparedou mais uma vez a Camargo Corrêa. Seus executivos haviam apontado que a AP Energy era responsável pelas entregas a Lobão. Os investigadores pressionam os delatores da Camargo e suspeitam que estejam mentindo em pontos da delação. A empresa pode refazer depoimentos.

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