“Eu vejo gente morta”

Da coluna do Carlos Brickmann

O presidente Michel Temer diz que o Brasil está preparado para enfrentar possíveis atos de terrorismo nas Olimpíadas do Rio. Não está, e Temer sabe disso.

É uma de suas grandes preocupações; mas que é que queriam que declarasse? Com alguns dias de diferença, Temer garantiu que “que os turistas podem ir ‘tranquilos’ ao Rio para a Olimpíada”. Ir com tranquilidade, podem; os problemas são a permanência e o regresso. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse a verdade, que o Rio se preparou mal para o evento e pouco ganhará com os investimentos que fez. Levou paulada até explicar que tinha sido mal interpretado. Aí sossegou. Falar a verdade tem alto custo político.

Paes e Temer esqueceram que, a partir do momento em que o Rio foi definido como sede dos Jogos Olímpicos, o partido que administrou Estado e cidade foi o seu PMDB. O Rio em que uma linda ciclovia durou menos de um mês, em que vigas de aço de 20 toneladas foram roubadas, em que o orçamento de um ano dura sete meses faz parte do prontuário do PMDB.

É por isso que, em qualquer página do jornal, em qualquer caderno de qualquer assunto, o tema seja sempre o mesmo: crime. É chato demais.

What I see

O substituto de Eduardo Cunha foi um Maranhão, sucedido por outro Maranhão, um mais fraquinho que o outro. Ministros e aliados de Temer estiveram ao lado de Fernando Henrique, de Collor, de Sarney.

Como diria o garoto do filme O Sexto Sentido, se os conhecesse, “I see dead people”.

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