IAPAR: em resposta ao artigo de Tadeu Felismino

Por Natalino Avance de Souza

Prezados Senhores,
Na condição de diretor designado para coordenar o projeto de modernização institucional envolvendo 04 entidades vinculadas à Secretaria da Agricultura do Paraná, sinto-me na obrigação de manifestar-me sobre o teor do artigo publicado pelo Sr. Tadeu Felismino, intitulado “Parem de Brincar com o IAPAR”:
O IAPAR-Instituto Agronômico do Paraná tem inegável e indiscutível contribuição histórica ao desenvolvimento e modernização da agricultura do Paraná, da mesma forma como têm a EMATER e a CODAPAR. A contribuição do CPRA é mais recente, embora não menos importante, na construção de sistemas mais equilibrados de produção.
Essas Instituições foram fundamentais em décadas anteriores mas não conseguem manter, na atualidade, o mesmo nível de contribuição, por problemas diversos, alguns pontuados pelo articulista e outros não considerados. De fato, em função da crise fiscal do Estado, faltou repor pessoal para pesquisa e talvez esse seja o aspecto mais relevante e que justifica o projeto, mas não tem como desconsiderar como importantes os problemas citados de gestão interna da organização e de isolamento institucional. A Instituição não conseguiu, ao longo dos anos, manter um processo de integração com órgãos de assistência técnica e extensão rural e nem mesmo com as Instituições de pesquisa que atuam no Estado. Essas questões criaram um clima de questionamento quanto à real necessidade de manter, na forma atual, essas entidades, o que levou a Secretaria da Agricultura a propor um estudo técnico visando constituir uma nova Instituição, a partir dos ativos essenciais do IAPAR, da EMATER, da CODAPAR e do CPRA. Entenda-se como ativos essenciais o quadro técnico, as expertises organizacionais e o conhecimento técnico e científico acumulado.
O IAPAR, criado em 1972, que chegou a ter mais de 200 pesquisadores, conta hoje com 88, sendo que  25  deles estão em regime de abono permanência, ou seja, podem aposentar-se a qualquer momento. Do total de 459 servidores do IAPAR, 124 (27%) estão aptos para se aposentar. O Estado, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, não tem como repor a condição de pesquisa, mantendo a atual constituição organizativa. A EMATER, que vivia situação semelhante em termos de envelhecimento da força de trabalho, conseguiu, através de mecanismo de Programa de Demissão Voluntária, renovar seus quadros e hoje conta com quase 50% da estrutura de campo com tempo inferior a 10 anos de trabalho. Ou seja, tem um quadro renovado e mais jovem. A fusão das 4 entidades e a realização de um programa de incentivo à demissão de celetistas da EMATER e da CODAPAR abre caminho orçamentário para a reconstrução do quadro de pesquisadores.  Ou seja, ao contrário do que insinua o Sr. Tadeu, que dirigiu o IAPAR, a pesquisa só tem a ganhar. Se ficar como está, morrerá por inanição. A proposta  é de criação de uma nova Instituição, moderna, tendo o IAPAR como incorporador, mantendo, portanto, o seu CNPJ, tendo como base de gestão da pesquisa a atual sede em Londrina e mantendo a marca IAPAR nos produtos gerados.
Portanto, não se discute o valor histórico das contribuições do IAPAR, mas qual sua capacidade de gerar conhecimento e tecnologias daqui para frente.  Não é  verdadeira a afirmação de que foi dito que a missão do IAPAR “é melhor cumprida hoje pelo setor privado, especialmente por grandes multinacionais de tecnologias para o agronegócio”. Está claro para nós que determinados tipos de pesquisa não são atraentes ao setor privado, sendo atribuição da pesquisa pública fazê-los. Como evoluir, como entregar mais para a sociedade, como ter mais pesquisa em coisas fundamentais para a agricultura familiar, como desenvolver e utilizar as novas tecnologias a favor do agro paranaense são as respostas que o novo IAPAR deve dar. Maior integração pesquisa-assistência-fomento deve acontecer. Sair do isolamento pois passado de glória não é garantia de futuro. O mundo está cheio de casos dessa natureza. Vários Estados fizeram, há tempo, esse movimento.
A proposta de fusão não busca só redução de custos. O objetivo principai é a busca de efetividade. No entanto, a sociedade cobra austeridade e, no caso em discussão, é preciso restabelecer a informação correta: o IAPAR tem 06 cargos comissionados e 116 funções gratificadas, num universo de 459 funcionários, ou seja, um chefe para apenas 3,76 subordinados!
Ao todo, as 4 Instituições envolvidas possuem hoje 416 cargos e funções comissionados. A proposta reduzirá para 245. Ou seja, 41% de chefes a menos. Ressalta-se que o objetivo é a criação de uma Instituição forte, que faça mais e melhores entregas para a Sociedade, que é quem paga os impostos. Daí vem a preocupação com a racionalização de custos.
A sede (comando) da pesquisa continuará em Londrina, o orçamento de pesquisa será ampliado e serão mantidos o CNPJ e a marca IAPAR  (IPR) nos produtos gerados.
A pesquisa não será transformada em departamento, como afirma  de forma simplista e grosseira o autor mas sim em componente estratégico na mais moderna Instituição de apoio ao desenvolvimento rural do Brasil. Ou o Paraná sai na frente ou continua a reboque dos demais Estados.
O IAPAR é uma Instituição pública, patrimônio do Paraná, muito maior que um grupo de pessoas que quer um ambiente próprio para produzir de acordo com suas convicções. É fundamental considerar que trata-se de uma Instituição importante para a agricultura do Estado, que funciona com orçamento público, portanto pago pela sociedade, e que deve, sim, satisfações ao povo do Estado. Para quem não sabe, o orçamento do IAPAR é superior a cem milhões de reais por ano.
Pelo exposto, temos sim que dar um basta em quem brincou com o IAPAR nos últimos anos!

Natalino Avance de Souza – Eng. Agrônomo/Ms
Diretor Presidente da EMATER e Diretor Presidente Interino do IAPAR

4 comentários em “IAPAR: em resposta ao artigo de Tadeu Felismino

  • 15/04/2019, 14:08 em 14:08
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    O maior produtor de feijão é o sertão da Bahia, as frutas vem do vale do São Francisco, a laranja do interior de São Paulo, a melancia de Goías também boa parte do abacaxi. Hoje o maior produtor de café é Minas Gerais, arroz vem do Rio Grande do Sul, maior produtor de cana, São Paulo, maior produtor de carne bovina Mato Grosso, grande parte do trigo vem da Argentina, maior produtor de soja também Mato Grosso. Grande parte da cevada vem de outros estados, portanto, temos mesmo que repensar na finalidade desse órgão. Quer comprovar vá no CEASA de madrugada e veja a quantidade de caminhões chegando de outros estados com produtos produzidos lá.

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  • 15/04/2019, 15:14 em 15:14
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    Então fecha o Ceasa.

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  • 15/04/2019, 18:40 em 18:40
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    Agradecer Iapar por tudo até aqui. Mas, mundo mudou. Precisamos cortar os dedos para melhorar este paìs. Cafa nicho quer manter seu quinhão. Ai não dá.

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