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quinta-feira, 29 de outubro de 2026
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Foi tosquiar, saiu tosquiado. O relatório que quase fez ruir a Igreja Presbiteriana

Por Cláudio Osti
Foi tosquiar, saiu tosquiado. O relatório que quase fez ruir a Igreja Presbiteriana

O blog tem sido cobrado para comentar esse imbróglio que a Igreja Presbiteriana do Brasil se meteu ao aceitar que pastores escrevessem um relatório escanteando os religiosos com tendência de esquerda dentro da IPB.

Um dos cabeças do relatório que seria discutido no Supremo Concílio da IPB era o pastor da Igreja Presbiteriana Central de Londrina, Osni Ferreira.

Quem conhece Ferreira sabe que ele é um dos mais ardoroso propagadores das ideias bolonaristas. Inclusive abriu as portas da sua igreja para ações partidárias como quando houve a tentativa de criação do partido idealizado por Bolsonaro, o Aliança Brasil. Circularam videos pelas redes sociais de pregadores da igreja de Osni pedindo que os fiéis assinassem a solicitação para a criação do partido. Osni também é figura carimbada nas manifestações da direita.

Aliás, amigo de Milton Ribeiro – ex-ministro da Educação – foi motivo de matéria em diversos jornais há pouco tempo em que a faculdade Unifil teria conseguido benesses do MEC, não exatamente por suas qualidades de ensino.

Pois bem. A intenção, pouco cristã, de excluir cristãos de esquerda da IPB não avançou

O relatório pedia que a IPB firmasse posição contra cristãos de esquerda ou progressistas. Segundo o documento, eles deveriam ser orientados sobre “suas inconsistências” pelos pastores das igrejas — e, como consequência, poderiam ser afastados de cargos de liderança.

Com o risco de o documento ser aprovado, o pastor Cid Pereira Caldas, presidente do Conselho de Administração do Instituto Presbiteriano apresentou na manhã de sexta-feira (29) um relatório substitutivo sobre o assunto.

No texto, Caldas diz que a “IPB tem mantido equidistância de radicalismos” e defende que “não é finalidade da IPB manifestar-se sobre partidos políticos”. Alguém deveria avisar o pastor londrinense sobre isso.

O relatório substitutivo foi aprovado pelo Supremo Concílio, na sexta, por 738 votos contra 538.

Integrante da ala moderada da IPB, Cid entendia, e com razão, de que o relatório poderia causar um racha com consequências devastadoras.

O relatório substitutivo aprovado manteve o entendimento da IPB de 1954 que define a “incompatibilidade entre o comunismo ateu e materialista e a doutrina bíblica”.

Após a derrota no Supremo Concílio, Osni Ferreira, que defendeu voto em Bolsonaro no púlpito da igreja, afirmou que a discussão jamais tratou sobre perseguir cristãos de esquerda.

“Toda vez que eu respondia a uma pergunta, eu falava que não estávamos tratando de candidato A ou B. Claro que você tem um candidato, claro que eu tenho. Isso é uma liberdade do pastor. O voto é secreto, é da consciência. O que nós estamos falando é que o cristão ou o presbiteriano não deve votar em nenhum candidato que defende princípios que a Bíblia é contra”, disse na sexta ao canal da Sexta Igreja Presbiteriana de Uberl

Gostou? Mande para quem acompanha o assunto.

Cláudio Osti
Cláudio Osti

Jornalista e editor do Paçoca com Cebola. Cobre a política de Londrina e do Paraná.

Sobre o editor
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5 comentários

  • Mateus Oliveira

    Será que a igreja Presbiteriana do Brasil não aprendeu nada desde que apoiou a ditadura militar e perseguiu pastores que se posicionaram contra o arbítrio dos generais, como o verdadeiro pastor Rubem Alves? Se Bolsonaro estivesse melhor nas pesquisas, o resultado no supremo concílio poderia ser diferente. A turma do pastor londrinense ainda conseguiu o apoio de 42,16%. É muito apoio para aliado de quem defende ditadura e tortura. E se socorrer a uma tese de 68 anos também mostra como a igreja está dividida. Hoje essa oposição “comunismo ateu e materialista” versus “doutrina bíblica” não se sustenta, é disputa da metade do século passado, se é que foi… Hoje temos comunistas graças a Deus e temos pastores e bispos que vendem doutrina capitalista como se fosse doutrina bíblica diariamente em canais de televisão.

  • Reportagem precisa ser honesta e afirma que a IPB mantém a resolução de incompatibilidade do comunismo com a fé cristã.

  • Pastores defenfendo político que apoia a tortura e a morte, enquanto Cristo foi torturado e morto. Ficam ao lado de quem deixou milhares morrer por falta de vacina, só não morreram mais porque o governador de SP comprou e aplicou a vacina. Esses são os falsos pastores que Cristo alertou, se travestem de cristãos mas comungam com o maligno.

  • Como o apoio da Igreja Presbiteriana do Brasil à ditadura militar foi discreto, a democratização do país não gerou críticas fortes a essa seita. Mas agora significativas lideranças desse grupo estão enterradas até o pescoço no projeto ditatorial de Bolsonaro. O resultado é que esse grupo religioso vai sofrer por parte da maioria da população os mesmos sentimentos que o Bolsonaro está sofrendo: repulsa, repúdio, rejeição. Depois não venham esses líderes bolsonaristas se fazerem de vítimas ou de perseguidos cristãos como nos tempos dos romanos. Hoje esses pastores estão do lado de Roma.

  • Jorge Tabajara

    Tem é que falar do rolo da AEBEL. Esse é um assunto que interessa e a imprensa local não dá um pio.

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