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Editor:
Cláudio Osti

Manifestações no país repercutem no mundo todo. Deputados pedem desculpa pelo voto favorável à PEC da Blindagem

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A PEC da Blindagem, ou, como está sendo também conhecida, a PEC da BANDIDAGEM, subiu no telhado. Dificilmente o Senado vai chancelar a tentativa dos deputados federais, em sua maioria, da direita – deixar claro que tem um punhado da esquerda também – em proibir que o STF processe parlamentares envolvidos em crimes, de desvio de verbas públicas a estupro.

As manifestações em diversas cidades do país, mostram que o tema uniu a direita moderada e a esquerda contra o absurdo da Proposta de Emenda Constitucional.

Os protestos de ontem ganharam repercussão nacional e internacional.

No Brasil, as manifestações reuniram dezenas de milhares de pessoas em várias cidades, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. Na Avenida Paulista, em São Paulo, estimativas apontam para mais de 40 mil manifestantes.

Figuras importantes do cenário cultural estiveram presentes, como os músicos Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, simbolizando a resistência à proposta de anistia.

A deputada Silvye Alves gravou vídeo para explicar voto a favor da PEC da Blindagem e pediu perdão — Foto: Reprodução/Instagram

O debate político ficou mais acirrado: políticos que votaram a favor da PEC enfrentam pressão pública e pedidos de retratação. Vários deles foram às redes sociais para pedir desculpas pelo voto que deram, entre eles a  deputada Silvye Alves (União Brasil-GO) que afirmou que o voto a favor do texto, dado por ela, foi um “erro gravíssimo”. Sem citar nomes, ela disse que “pessoas influentes do Congresso” ameaçaram retaliá-la caso votasse contra a proposta.

‘Grave equívoco’, diz deputado do PT

Deputado Merlong Solano assumiu a vaga de Assis Carvalho nesta quarta-feira (8) — Foto: Arquivo Pessoal/Merlong SolanoMerlong Solano (PT-PI) foi outro que usou as redes sociais para tentar se justificar e pedir desculpas pelo voto a favor da PEC da Blindagem.

O petista publicou uma nota em que classifica a posição como “grave equívoco” e pediu desculpas ao povo do Piauí e, “em especial, ao Partido dos Trabalhadores”.

Merlong disse que o seu voto foi uma tentativa de “preservar o diálogo” entre o PT e a presidência da Câmara, atualmente ocupada por Hugo Motta (Republicanos-PB).O petista afirmou que, após a conclusão da aprovação da PEC da Blindagem, assinou um mandado de segurança apresentado ao STF para anular a votação da proposta pela Câmara.

Não foi ‘melhor caminho’, diz irmão do prefeito do Recife

O deputado Pedro Campos, irmão do prefeito do Recife (PE), também justificou o voto pró-blindagem de parlamentares — Foto: Reprodução/InstagramPressionado por eleitores nas redes sociais, Pedro Campos (PSB-PE) também publicou vídeo para explicar o voto a favor da PEC da Blindagem.

Ele disse que a posição tinha o objetivo de impedir o boicote a pautas importantes para o governo Lula, como a que amplia a tarifa social de energia e a que isenta de IR quem ganha até R$ 5 mil.

No entanto, Pedro Campos afirmou a estratégia que seguiu não representou a escolha “do melhor caminho”.

“A PEC passou do jeito que nós não queríamos, inclusive com a manobra para voltar o voto secreto que nós já tínhamos derrubado em votação”, disse.

‘Reconheço que falhei’, diz deputado do Centrão

Após votar duas vezes a favor da PEC da Blindagem, deputado diz reconhecer erro e pede desculpas a eleitores — Foto: Reprodução/Instagram

Após votar duas vezes a favor da PEC da Blindagem, deputado diz reconhecer erro e pede desculpas a eleitores — Foto: Reprodução/Instagram

Repercussão internacional

  • No Reino Unido, o jornal The Guardian noticiou que “grandes multidões lotaram praças e praias de algumas das maiores cidades do Brasil” para protestar contra tentativas de “ajudar Bolsonaro a escapar da prisão”. Marcas culturais importantes — Veloso, Buarque, Gil — foram destacadas por liderar protestos públicos com músicas ligadas à luta anti-ditadura.

  • A BBC realçou a indignação popular com a PEC, mostrando como a aprovação gerou temor de que parlamentares se tornem praticamente intocáveis perante processos criminais. A reportagem também apontou que os protestos ecoam uma divisão profunda na sociedade brasileira.

  • A agência Reuters frisou que o momento marca a primeira grande mobilização popular após a condenação de Bolsonaro, colocando lado a lado manifestações de esquerda e de direita que têm polarizado o país.

  • A ABC News, dos Estados Unidos, ressaltou o papel simbólico dos artistas na defesa da democracia e notou ações simbólicas como o uso de bandeiras do Brasil em resposta às bandeiras dos Estados Unidos vistas em manifestações anteriores.

  • A AFP (Francesa) também cobriu os atos, destacando manifestações em Copacabana, onde os participantes ergueram bonecos infláveis representando Bolsonaro e Trump, e faixas pela soberania e identidades nacionais.

 

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2 comentários

  • Democracia sim

    Em 4 dias esse o povo foram as ruas, a extrema direita golpista que apoia traidores da Pátria não esperavam que os mais novos saissem as ruas, se essa Anistia for proposta a ira pode ser maior, Bem-vindos a Democracia.

  • Mister Londrino

    Creio que os parlamentares de nossa região que votaram favoravelmente à PEC da impunidade, não tentarão se redimir perante seus eleitores, escudados na premissa de que o tempo apagará essa vergonhosa mácula em sua trajetória parlamentar. Diante disso emerge a seguinte questão: trata-se de fidelidade aos seus princípios ou vinculação a interesses obscuros?

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