Um Plano Diretor para Londrina – Parte 1

Por Gabriel Antunes

A cidade é a reunião da sociedade em um determinado espaço. O espaço é fácil mensurar, mas as pessoas são múltiplas em sua forma de pensar e em seus interesses.

Londrina nasceu de migrantes de São Paulo, Minas Gerais e outros locais do País; recebeu imigrantes japoneses, alemães, poloneses, espanhóis e de muitas outras nações. Como então conciliar os interesses dessas pessoas com culturas, crenças, ideologias e pensamentos tão diferentes e vivendo em um mesmo lugar? O Plano Diretor é uma das respostas para essa questão pois se trata do instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana.

O Plano Diretor é a lei municipal responsável por determinar as questões relativas ao parcelamento e uso do solo urbano e sua edificação, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas. Em outras palavras, um bom Plano Diretor é capaz de direcionar o crescimento urbano da cidade com a necessária infraestrutura, saneamento, serviços públicos, mobilidade urbana, lazer, etc., e ainda evitar os efeitos negativos disso em relação ao meio ambiente.

Planejar, portanto, é a palavra-chave dessa conversa. E para planejar é necessário fazer perguntas, respondê-las com sinceridade, e propor ações concretas para, em um espaço de tempo certo e determinado, alcançar os objetivos traçados.

Para que o planejamento de Londrina seja bom, não se pode imaginá-lo sem a construção de um plano que envolva as 24 cidades que compõem a Região Metropolitana, entre elas as limítrofes Cambé, Ibiporã, Marilândia do Sul, Apucarana, Arapongas, Assaí, São Jerônimo da Serra, Sertanópolis e Tamarana.

Cidades do mundo inteiro competem entre si para atrair investimentos com o objetivo de gerar atividade econômica. Municípios do tamanho de Londrina precisam se associar aos vizinhos, compartilhar recursos e oportunidades e atrair investidores. Não é possível olhar apenas para dentro dos limites municipais e é urgente realizar um planejamento compartilhado e ganhar força e vantagem competitiva frente a outros grandes centros urbanos.

Isso porque no atual Mundo Globalizado, a competição não se dá apenas entre Londrina e Maringá, Londrina e Foz do Iguaçu, Londrina e Curitiba etc. É necessário igualar Londrina ao que há de melhor nas grandes metrópoles nacionais e internacionais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte; Nova Iorque, Tóquio, Liverpol, etc.

Quem levar o nome de Londrina para o Brasil e para o Mundo precisa ter algo concreto na mão, algo que encha os olhos dos investidores e dos colaboradores dessas empresas que buscam locais com qualidade de vida e serviços públicos e privados de excelência. Londrina precisa de lideranças que pensem, planejem e executem ações visando o curto, médio e longo prazos. Trata-se de construir credibilidade para a cidade.

*Gabriel Antunes é advogado em Londrina

Um comentário em “Um Plano Diretor para Londrina – Parte 1

  • 04/11/2018, 11:20 em 11:20
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    Londrina é uma cidade linda e excelente para se viver mas precisa ser flexível em muitos pontos porque do jeito que está, repele investimentos e expulsa quem sempre empreendeu aqui. Muitas empresas e atividades mudando par outros lugares. O motivo, vários : Plano Diretor engessado ; código de obras rígido sem flexibilizar procedimentos; difícil obter alvará de construção, difícil obter alvará do meio ambiente, difícil aprovação do corpo de bombeiros, difícil tirar habite-se, difícil conseguir EIV; difícil abrir um negócio. Impossível pagar IPTU e taxas de serviço altos, Resultado: economia capenga, alto nível de desemprego e informalidade na ruas.

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