
O deputado Mário Frias (PL-SP) e a produtora responsável pelo filme que retrata a carreira política de Jair Bolsonaro divulgaram nota para negar que o banqueiro Daniel Vorcaro tenha contribuído com recursos para a produção cinematográfica. As explicações de Frias, que é produtor executivo do filme, e da Goup Entertainment contradizem o conteúdo da nota divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Flagrado em conversa com Vorcaro, o senador aparece pedindo dinheiro ao banqueiro no final do ano passado, como noticiado pelo site Intercept Brasil. Na nota, Flávio Bolsonaro confirma que pediu dinheiro e que o pleito foi feito porque havia “atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”. Ou seja, o senador dá a entender que Vorcaro já tinha feito contribuições e que parte dos compromissos financeiros estavam atrasados.
Já Frias e a produtora Goup asseguram que não há recursos do banqueiro na produção. Em nota, o deputado bolsonarista
diz que “não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”, título do filme sobre Jair Bolsonaro que será lançado em setembro deste ano. “E, ainda que houvesse (dinheiro de Vorcaro), não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, sustenta o deputado.
A empresa responsável pela produção do filme Dark Horse repetiu o argumento de que não recebeu dinheiro de Vorcaro. “A Goup Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.”
As notas revelam uma outra contradição. Apesar de Flávio e Frias sustentarem que na época do pedido de recursos não havia nada contra o dono do Banco Master, já era de conhecimento público que a Polícia Federal investigava o banqueiro. Em áudio divulgado pelo site Intercept Brasil de mensagem enviada a Vorcaro, o próprio Flávio Bolsonaro menciona o fato de o banqueiro estar passando por dificuldades naqueles momento. O áudio é do final de 2025.
Dinheiro de emendas
Roteirista do filme, Frias enviou R$ 2 milhões em emendas parlamentares a uma organização não governamental (ONG) da produtora do longa-metragem. Em 2024, Frias destinou recursos do Orçamento da União ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama. Karina é dona da Go Up Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse.
Os R$ 56 milhões supostamente repassados por Vorcaro para “patrocinar” a produção do filme superam o orçamento total de Ainda Estou Aqui (R$ 45 milhões) e de O Agente Secreto (R$ 28 milhões), dois sucessos brasileiros que chegaram, inclusive, ao Oscar, maior premiação do cinema mundial.
De acordo com as mensagens, Vorcaro iria repassar o equivalente a US$ 24 milhões (cerca de R$ 134,4 milhões
na conversão do câmbio da época) e que já teriam sido feitos pagamentos até 2025 no valor de US$ 10 milhões (R$ 56 milhões).














