O caso Daniel Alves e o que devemos aprender com ele

Coluna Pequena Londres – Walace SO
Buenas povo da Pequena Londres, tivemos mais um triste caso de estupro envolvendo um personagem famoso, o jogador de futebol Daniel Alves é o acusado. Porém, não importa saber se o envolvido é famoso ou não, é relevante observar que o fato é recorrente, e esse tipo de violência não pode ser aceita. Infelizmente acontecem todos os dias sem sabermos e ficam escondidos na vergonha da vítima, poucos são denunciados. Mas nesse caso os passos do ocorrido estão registrados, a contradição do jogador pesou e a descrição dos fatos pela vítima são contundentes.
Fato registrado todo procedimento de atendimento da justiça espanhola foi rápido. E isso se deve a outro caso de estupro, esse um estupro coletivo em 2018 na cidade de Pamplona, conhecido como “La Manada”. Que inspirou a lei “Só o sim é sim”, agravando a situação do jogador. Não nos cabe mais o silêncio, a indiferença, ou falta de indignação que banaliza esse tipo de agressão. Devemos sempre por solidariedade, justiça e civilidade ouvir a denúncia ao invés de desmerecer o ocorrido.
No mundo todo esse tipo de ataque tem aumentado de forma alarmante, ouso até afirmar que passamos a “aceitar” uma cultura de estupro. E observo que quando o mais forte subjuga o mais fraco pela violência e nos calamos é temeroso. Mais que uma agressão física, o estupro é um ato da imposição do poder de uma pessoa sobre a outra, numa terrível expressão de violência, com consequências traumáticas em todos os níveis.
A vergonha da vítima nessa hora serve como instrumento, que reforça o sentimento de impunidade e poder desse agressor. E a vítima seja mulher ou homem, sim, homens também são estuprados, tem a vergonha como fator determinante para não denunciar a agressão. O estupro sempre é um ato violento e de covardia.
Outro ponto que necessitamos ponderar é que a vítima é “vítima”, infelizmente em tempo de redes sociais, ela aparece como a incentivadora ou oportunista da situação. “Ah! Também usando aquela minissaia, com aquele decote! Queria o que? Estava pedindo”. Esse tipo de senso comum não pode ser aceito. Coloca em dúvida a vítima, desconstruindo a violência de forma a justificar o injustificável, a agressão. Como se a força bruta ainda imperasse e não fôssemos civilizados. Ao invés da força, a razão e a civilidade devem ser a norma, esse é o contrato social que nos diferencia dos seres irracionais e que vivem somente pelo instinto.
Da mesma forma não podemos aceitar o julgamento da vítima por esses canais e opiniões, pois é outro tipo de abuso. É o que chamamos de lacração, e tudo mais que envolve o tão desgastado e deturpado conceito do “direito de expressão”, que se transformou num instrumento de coerção social. Esse movimento incentiva o agressor, corroborando sua condição de impunidade que ele espera ter, por uma solidariedade que não deveria existir, além de lhe dar um poder que não tem. Aliás, contra todos, pois, um dia qualquer um de nós poderá ser a vítima. E uma coisa que deve ficar bem clara, “NÃO É NÃO”.
Tenhamos empatia e nos coloquemos no lugar da pessoa agredida, principalmente da mulher, sem nos importarmos pela sua cor, estado civil ou condição social. Reivindicar o controle do seu corpo não é “coisa de feminista”, é o seu direito. Cabe a ela escolher se sim, quando e com quem poderá compartilhar seu corpo. Não é uma escolha do outro, é dela e de mais ninguém.
Bora refletir.

Walace SO – Walace Soares de Oliveira, cientista social pela UEL/PR, mestre em educação pela UEL/PR e doutor em ciência da informação pela USP/SP.

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2 Comments

  1. Satanás

    Mais um homem de bem bolsonarista que faz merda e fica devidamente enjaulado. Quá! Quá! Quá!

  2. Bruna Souza

    Que a justiça seja feita!

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