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Cláudio Osti

O dia da Censura na Câmara de Vereadores de Londrina

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O dia da Censura na Câmara de Vereadores de Londrina

As décadas de jornalismo deste escrevinhador, na maior parte delas cobrindo política, permite dizer: possivelmente este seja um dos anos mais complicados vividos pela Câmara de Londrina. E olhe que já houve momentos tensos, com a cassação de dois prefeitos – Antônio Belinati e Barbosa Neto. Houve cassação de mandato de vereador Emerson Petriv, e afastamento judicial de outros, crimes de corrupção passiva e ativa, com condenações a parlamentares, como o ex-vereador Orlando Bonilha, e muito mais.

Este ano a Câmara de Londrina se esmerou em aprovar diversos projetos inconstitucionais, apenas para agradar segmentos ideológicos, sem nenhum benefício para a população; aprovou projeto que autorizou o aumento significativo de alguns secretários; aprovou até projeto que impede moradores em situação de rua de se alimentar nas praças.

Pela atividade principal e constitucional da Câmara – que deveria ser legislar e fiscalizar as ações do executivo há sempre tensão. É normal. A imprensa pergunta, cobra, critica, opina. Cada um deve cumprir o seu papel.

Sim há exageros da mídia. Sim há exageros dos políticos.

Ontem houve mais um clima de tensão que se transformou em censura.

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A repórter Juliana Lucilha e o cinegrafista Altair de Souza – dois excelentes profissionais, ambos da Rede Massa, foram impedidos de acompanharem uma coletiva em que o presidente da Câmara, Emanoel Gomes, iria falar sobre os projetos polêmicos que a Casa estava votando. Entre eles um que espeta dolorosamente o bolso do contribuinte, a criação de mais cargos na Câmara, que pode gerar um custo anual de mais R$ 2 milhões, num momento em que a prefeitura, dia sim e outro também diz que precisa economizar pois o caixa está baixo – em que pese que a própria prefeitura não dá o exemplo, aumentando salários dos seus secretários.

A determinação de vetar a participação dos jornalistas foi do presidente da Câmara, Emanoel Gomes.

PARA CONTEXTUALIZAR

A atitude foi em represália não aos dois profissionais, Juliana Lucilha e Altair de Souza, que estavam ali cumprindo seu papel profissional. A decisão de Emanoel Gomes foi devido a uma rusga já de algumas semanas com o apresentador da Rede Massa, Macedão. O apresentador, em um de seus programas, disse que há vereadores vagabundos. Generalizou, não disse os nomes. O caso foi parar na Justiça que é o lugar para discutir se houve ofensa, calúnia ou difamação.

O político, quando ingressa na vida pública, precisa entender que sim, será cobrado, sua vida será vasculhada, e todas as suas atitudes serão fiscalizadas, apoiadas ou criticadas. É do jogo.

Emanoel Gomes tá na vida pública há muitos anos. Fala mansa, raramente sobe o tom. É presidente da Câmara pela segunda vez. Tem experiência.

Impedir que uma equipe de jornalismo possa trabalhar, é sim censura. E censura, em um regime democrático, não se pode admitir.

 

 

 

 

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